03 março 2020

Resenha | História de um grande amor - Julia Quinn


Livro: História de um grande amor
Série: Trilogia Bevelstoke #1
Gênero: Romance de Época
Autora: Julia Quinn
Editora: Arqueiro
Páginas: 288
Ano: 2020

Resenha:
No alto dos seus dez anos Miranda Cheever sabe que não se encaixa nos padrões de beleza da sociedade, afinal seus cabelos e olhos castanhos passam longe de serem tão belos quanto os cabelos louros e os olhos azuis das outras garotas. Mas saber que não tem uma beleza estonteante como a da sua melhor amiga Olivia por exemplo, e ouvir na cara que ela é feia de uma das garotas na festa de aniversário de Olivia e do irmão gêmeo dela Winston Bevelstoke, é para deixar qualquer um desanimado. E Miranda só não ficou pior porque como mais uma vez seu pai esqueceu dela, Nigel, irmão mais velho de Olivia que prefere ser chamado de Turner, foi acompanhá-la até sua casa e sugeriu que Miranda começasse a escrever um diário para nunca esquecer daquele dia.

Então Turner beijou sua mão e lhe disse que um dia quando Miranda crescer ela será tão bonita quanto já é inteligente. E foi nesse momento que Miranda se apaixonou. Ela sabe que a diferença de idade entre eles, nove anos, é muito grande. Mas naquele exato momento Miranda soube que seu coração seria para sempre do visconde de Turner. E enquanto crescia e sua beleza desabrochava, assim como Turner havia dito que aconteceria, Miranda observou-o de longe. Ela viu Turner se casar apaixonado e ser tão infeliz no casamento com as traições da esposa, que acabou se tornando um homem frio e severo. Mas ainda assim ela não estava preparada para o homem que ele se tornou oito anos após aquele dia.

Como melhor amiga de Olivia, Miranda está sempre presente na residencia dos Bevelstoke, porém ela raramente encontra seus irmãos. Mas ela devia saber que Turner estaria na biblioteca no dia do enterro de sua esposa. O que ela não esperava era que ele estivesse bêbado e acabasse beijando ela a força. Mesmo amando Turner, Miranda fica horrorizada com o comportamento dele, por isso quando Olivia sugere que Miranda se case com Winston para que as duas sejam irmãs de verdade, Miranda acaba concordando com ela, pois quem sabe assim ela consiga tirar Turner definitivamente do seu coração. O que Miranda não esperava era que o interesse de Winston fosse despertar sentimentos em Turner que ela sempre teve a esperança de que ele fosse ter um dia.

Eu sou da leva de pessoas que começaram a ler romances de época por causa de Os Bridgertons da Julia. Mas infelizmente depois dessa série com uma ou outra exceção, parece que ela perdeu a mão em suas histórias. Mas até então apesar de um problema aqui e outro ali em seus livros, eu nunca que ia imaginar que teríamos uma história de relacionamento abusivo romantizado descarado em uma de suas histórias. O título escolhido para o livro não poderia estar mais longe de descrever o que esperar desse primeiro livro da nova trilogia da autora. De grande amor a história não tem nada e sim temos uma paixonite de uma criança sendo forçadamente descrita como amor.

Não tem como ler esse livro e não enxergar que Turner é um abusador. Ele dá todos os sinais durante a história. Ele até pode ter sido um fofo com a Miranda quando ela era criança, mas traição nenhuma transforma ninguém em um monstro. Se fosse assim todos seriamos porque, quem ainda não foi traído é porque ainda não descobriu. Brincadeiras a parte, temos aqui o clássico "ela me estragou para o amor, por isso vou tratar todas as mulheres mal para descontar o que ela me fez". E escrever uma história com um protagonista masculino assim onde a protagonista feminina vai mudar ele por amor, é romantizar uma relação abusiva sim. Não existe isso, o cara não vai mudar por nada, e infelizmente o final disso é a morte.


A coisa já começa mal logo no primeiro beijo deles. Ele beija e ela diz não, e ele continua e chega a até machucar o braço dela. E isso de segurar com força não é exclusivo da mocinha, ele faz isso com a irmã e pasmem com a própria mãe, e com essa ultima é em um momento onde ele já estava "transformado" pelo amor da mocinha. Ou seja, ele vai continuar sendo violento. E fora que ele usa a declaração de amor da Miranda para tirar a virgindade dela, mesmo dizendo a todo momento que não tem intenção de se casar novamente. Ah, mas em outros momentos ele é maravilhoso, enche a protagonista de flores e é de uma gentiliza enorme. Característica de um abusador. E como assim a pessoa não consegue dizer "eu te amo" porque já foi machucado por alguém? E não entendi essa fixação da Miranda pelas palavras porque amor se demonstra e isso ele não fez.

Mas não foi só o protagonista masculino que me desagradou nesse livro. A mocinha também me deu nos nervos. Era um tal, "não vou perdoar ele nunca por isso" até o parágrafo 2. O cara ignora a existência dela até o momento em que percebe o interesse do irmão, para então só tratar a dita cuja mal o tempo todo e não perde uma oportunidade para satisfazer seus desejos sexuais, porque é só isso que ele quer dela, e ela faz o que? Se apaixona, perdoa tudo o que ele faz em cinco segundos e ainda defende ele para sua própria consciência quando ela tenta alertar sobre ele. Não dá. Não tem nada que salve nessa história. E ainda dei uma estrela porque a Olivia, protagonista do próximo livro me pareceu ser interessante. E também porque amei essa capa. Se não a nota seria zero.

Nota:








16 comentários:

  1. Oi, Sil como vai? Menina fiquei surpreso com o seu relato dizendo que só não deu nota zero por causa da capa do livro e por ter uma personagem que parece ser interessante para o restante da série. Essa leitura está tão enfadonha a este ponto. Julia Quinn é uma escritora bastante renomada. Eu li poucos livros dessa autora, por ela escrever um gênero literário que eu leio com pouca frequência, mas o pouco que li dela eu gostei. Uma pena a leitura ter sido tão decepcionante para você. Talvez melhore com os outros livros que fazem parte da sequência desta série. Abraço!


    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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  2. "quem ainda não foi traído é porque ainda não descobriu" -- Enfim, há salvação para a humanidade, pois é a primeira pessoa que vejo escrever tal coisa espontaneamente e qeu bom que haja essa consciência. fidelidade de cama não existe. Infelizmente. O que existe é fidelidade a dois nos rumos, objetivos, na construção de uma vida a dois. Tem muita gente até se diz fiel de cama, mas na hora do desemprego, na hora de uma doença grave, abandona a outra. Ora, ora... que amor é esse que se resumiu só em cama, afinal. Não estou aqui justificando traição, muito menos incentivando, mas esse conceito é muito relativo e o fato é que "acontece".
    Outra coisa que aplaudo você é sobre a mania de achar que vai fazer a outra pessoa mudar. Isso também acontece muito em relações homoafetivas e o final é sempre o que você escreveu: abuso extremo e até a morte. Isso já aconteceu, inclusive, na cidade onde moro, em Ribeirão Preto.
    Parabéns! Você me surpreendeu. E como é bonito teu blogue visto pelo desktop (computador) em vez do celular. Dá até mais vontade de ler. Um abraço.

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  3. Nossa, Sil
    Chega deu um baita desânimo aqui. Com toda certeza eu não vou ler essa obra. Infelizmente a Julia Quinn caiu muito no meu gosto e não vejo nenhum livro que me interesse tanto ao ponto de querer lê-la outra vez. O que é uma pena porque achei que ela iria arrasar nessa obra.
    Beijo!
    http://www.capitulotreze.com.br/

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  4. Amei sua resenha Sil, os livros da Julia Quinn sempre dividem opiniões, mas eu sempre leio mais comentários negativos que positivos sobre eles. Uma pena, porque eu sempre gosto das premissas! ❤

    https://www.kailagarcia.com

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  5. Oi Sil, eu não suporto o Turner, nem da primeira vez que li, mas adoro a Miranda. Mas estava pensando nesse livro esses dias e me lembrei que vi MUITA gente dando nota alta para um livro da Judith que tem uma cena de estupro e pouco se comentou sobre, às vezes eu tenho uma impressão que rola uma seletividade ou uma separação entre ficção e realidade em alguns casos. Mas por que não em outros? Fico na duvida rsrsrsrs

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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    Respostas
    1. Oi, Michele.
      Então não sei dizer as outras pessoas mas eu li e resenhei o livro que vc está falando Agora e Sempre e pontuei claramente na minha resenha sobre o machismo do Jason. Quanto a cena se foi estupro ou não existe uma dúvida assim como a da Daphne e do Simon em O Duque e Eu também da Julia. A questão é que em Agora e Sempre ainda da para salvar outras coisas no livro e nesse não tem nada que salve.

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  6. Oi Sil, fique espantada com sua resenha! Desde que perdi a parceria com a editora, tenho lido bem pouco em relação aos romances de época!
    Eu também não consegui terminar Os Bridgertons, mas gosto bastante dos livros dela, por isso fiquei tão surpresa com sua resenha, terei que ler este em especial para ver com meus próprios olhos!

    Beijos Mila

    Daily of Books Mila

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  7. bom eu acredito em fidelidade sim
    o mundo pode ate ensinar o contrario mas acredito que cada um é cada um
    quanto ao livro fiquei supresa ao ver que uma autora táo aclamada tenha escrito algo assim digno de receber uma so estrela
    mas creio tambem que e preciso ler para tirar nossas conclusoes pois vejo outras pessoas que gostaram do livro
    me apaixonei por esse genero atraves dos classicos romanticos da Nova Cultural onde eram lançados muitos romances otimos
    autoras como Catherine Archer Carolyn Dayvson Deborah Hale Deborah Simmonns Lynne Banning escreviam otimos romances de epoca
    espero que os outros livros da serie tenha um melhor desenvolvimento
    e esse livro ja foi lançado ha muito tempo em formato de romance de epoca

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  8. corrigindo
    em formato de romance de banca

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  9. Poxa vida, não esperava uma decepção dessa vindo dessa autora, é uma pena mesmo. É triste ver que ainda estão escrevendo histórias com abuso romantizado, enquanto lia a resenha eu já comecei estranhar as atitudes de Turner logo no início, que ridículo. Como este é o primeiro livro, espero que a autora melhore, se é que pode ser possível.

    Beijo
    http://www.leiapop.com/

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  10. Oi Sil.
    Uma pena que o livro te desagradou tanto!
    Estou com esta trilogia na lista e espero comprar em breve. Tomara que minha experiência com essa leitura não seja assim tão ruim.
    Bjus

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  11. Oiii Sil

    Não dá mesmo pra aplaudir relacionamento abusivo sendo romantizado, só de ler a resenha já odiei o tal do "mocinho". Eu tenho um problema com os livros da Quinn, a escrita dela não consegue me cativar, e embora eu tenha gostado muito da capa deste livro, pelo visto o conteúdo seria um que nem conseguiria finalizar já que não é o estilo de leitura que me ganha. Tb não gostei da lenga lenga da Miranda de não vou perdoar e ai vai e perdoa nos 30 segundos seguintes, aii acho que iria me irritar profundamente o casal ai viu. Além disso, outros detalhes tb me deixam desconfortável, essa coisa de desvalorizar o personagem só porque "não é bonita", sei lá já li livros dando impotância demais à dita feiura/beleza dos personagens, não sei porque precisa sempre destacar tanto isso em romances de época principalmente. Entendo que era uma época que a mulher tinha poucos direitos e ser bonita era tido em alta mas... sei lá, vejo isso ser citado demais e alcançar citações demais em livros do gênero. De romance de época ultimamente tenho gostado muito da Tessa Dare e da Sarah MacLean, por enquant as únicas que não me desapontaram em suas obras, embora até da narrativa da Tessa às vezes eu pego birrinha em alguma estória.

    Beijos, Ivy

    www.derepentenoultimolivro.com

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  12. Do mesmo jeito que você, vi várias pessoas não gostando dessa leitura... uma pena.

    www.vivendosentimentos.com.br

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  13. Ah sério? Eu não esperava que esse livro teria esses pontos decepcionantes
    Beijos ♡ Blog | Instagram | Youtube

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  14. Meu deus, que livro hein? A miranda devia ter colocado esse macho no lugar dele no primeiro momento (mesmo que fosse uma época diferente). É tão estranho quando romantizam abusos,né?!
    Beijos
    www.dearlytay.com.br

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  15. Oi Sil, tudo bom?
    Eu poderia estar chocada com essa nota 'quase zero', eu poderia, mas não estou.
    A Julia Quinn está me provando que só os Bridgertons fizeram sucesso. Ela é superestimada e eu já estou cansada de tentar... Ele abusador e ela com amnésia, não vai me descer.
    Vou esperar sua resenha do novo da Lisa, quero comprar ele!
    beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

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