Livro: História de um grande amor
Série: Trilogia Bevelstoke #1
Gênero: Romance de Época
Autora: Julia Quinn
Editora: Arqueiro
Páginas: 288
Ano: 2020
Resenha:
No alto dos seus dez anos Miranda Cheever sabe que não se encaixa nos padrões de beleza da sociedade, afinal seus cabelos e olhos castanhos passam longe de serem tão belos quanto os cabelos louros e os olhos azuis das outras garotas. Mas saber que não tem uma beleza estonteante como a da sua melhor amiga Olivia por exemplo, e ouvir na cara que ela é feia de uma das garotas na festa de aniversário de Olivia e do irmão gêmeo dela Winston Bevelstoke, é para deixar qualquer um desanimado. E Miranda só não ficou pior porque como mais uma vez seu pai esqueceu dela, Nigel, irmão mais velho de Olivia que prefere ser chamado de Turner, foi acompanhá-la até sua casa e sugeriu que Miranda começasse a escrever um diário para nunca esquecer daquele dia.
Então Turner beijou sua mão e lhe disse que um dia quando Miranda crescer ela será tão bonita quanto já é inteligente. E foi nesse momento que Miranda se apaixonou. Ela sabe que a diferença de idade entre eles, nove anos, é muito grande. Mas naquele exato momento Miranda soube que seu coração seria para sempre do visconde de Turner. E enquanto crescia e sua beleza desabrochava, assim como Turner havia dito que aconteceria, Miranda observou-o de longe. Ela viu Turner se casar apaixonado e ser tão infeliz no casamento com as traições da esposa, que acabou se tornando um homem frio e severo. Mas ainda assim ela não estava preparada para o homem que ele se tornou oito anos após aquele dia.
Como melhor amiga de Olivia, Miranda está sempre presente na residencia dos Bevelstoke, porém ela raramente encontra seus irmãos. Mas ela devia saber que Turner estaria na biblioteca no dia do enterro de sua esposa. O que ela não esperava era que ele estivesse bêbado e acabasse beijando ela a força. Mesmo amando Turner, Miranda fica horrorizada com o comportamento dele, por isso quando Olivia sugere que Miranda se case com Winston para que as duas sejam irmãs de verdade, Miranda acaba concordando com ela, pois quem sabe assim ela consiga tirar Turner definitivamente do seu coração. O que Miranda não esperava era que o interesse de Winston fosse despertar sentimentos em Turner que ela sempre teve a esperança de que ele fosse ter um dia.
Eu sou da leva de pessoas que começaram a ler romances de época por causa de Os Bridgertons da Julia. Mas infelizmente depois dessa série com uma ou outra exceção, parece que ela perdeu a mão em suas histórias. Mas até então apesar de um problema aqui e outro ali em seus livros, eu nunca que ia imaginar que teríamos uma história de relacionamento abusivo romantizado descarado em uma de suas histórias. O título escolhido para o livro não poderia estar mais longe de descrever o que esperar desse primeiro livro da nova trilogia da autora. De grande amor a história não tem nada e sim temos uma paixonite de uma criança sendo forçadamente descrita como amor.
Não tem como ler esse livro e não enxergar que Turner é um abusador. Ele dá todos os sinais durante a história. Ele até pode ter sido um fofo com a Miranda quando ela era criança, mas traição nenhuma transforma ninguém em um monstro. Se fosse assim todos seriamos porque, quem ainda não foi traído é porque ainda não descobriu. Brincadeiras a parte, temos aqui o clássico "ela me estragou para o amor, por isso vou tratar todas as mulheres mal para descontar o que ela me fez". E escrever uma história com um protagonista masculino assim onde a protagonista feminina vai mudar ele por amor, é romantizar uma relação abusiva sim. Não existe isso, o cara não vai mudar por nada, e infelizmente o final disso é a morte.
Mas não foi só o protagonista masculino que me desagradou nesse livro. A mocinha também me deu nos nervos. Era um tal, "não vou perdoar ele nunca por isso" até o parágrafo 2. O cara ignora a existência dela até o momento em que percebe o interesse do irmão, para então só tratar a dita cuja mal o tempo todo e não perde uma oportunidade para satisfazer seus desejos sexuais, porque é só isso que ele quer dela, e ela faz o que? Se apaixona, perdoa tudo o que ele faz em cinco segundos e ainda defende ele para sua própria consciência quando ela tenta alertar sobre ele. Não dá. Não tem nada que salve nessa história. E ainda dei uma estrela porque a Olivia, protagonista do próximo livro me pareceu ser interessante. E também porque amei essa capa. Se não a nota seria zero.
Nota:



