Mostrando postagens com marcador Filhos de Sangue e Osso. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Filhos de Sangue e Osso. Mostrar todas as postagens

17 fevereiro 2020

Resenha | Filhos de Sangue e Osso - Tomi Adeyemi


Livro: Filhos de Sangue e Osso
Série: O Legado de Orïsha # 1
Gênero: Fantasia, Jovem Adulto
Autora: Tomi Adeyemi
Editora: Fantástica Rocco
Páginas: 550
Ano: 2018

Resenha:
Muito tempo atrás os deuses sorriram para Orïsha, e alguns escolhidos foram agraciados com magia. O sinal de quem tinha o dom eram os cabelos brancos, e até os 13 anos quando então a magia era despertada, eles eram conhecido como divinais e depois eram chamadas de maji. Eles foram divididos em Clãs e cada um deles possuíam um tipo de dom, alguns podiam controlar os elementos, outros tinham magia de cura ou o poder de ler mentes. Seus dons eram usados para proteger o povo e assim por um tempo reinou a paz em Orïsha. Mas um dia os que estavam no poder começaram a abusar de sua magia e, como punição os deuses retiraram seus dons. Os maji passaram então a serem odiados, e a lutar por sua sobrevivência. Até o dia em que a magia se extinguiu.

Então o rei Saran aproveitando da situação, no dia em que ficou conhecido como a Ofensiva, dizimou os maji e, os divinais que restaram são obrigadas a pagar impostos altíssimos para continuarem vivos. Mas todos são considerados como vermes. E os que não conseguem pagar são levados para as colônias para serem escravos. Zélie Adebola é uma divinal e se a magia ainda existisse ela seria uma maji como sua mãe. Já faz onze anos desde a Ofensiva, mas Zélie ainda lembra a expressão no rosto da sua mãe ao ser enforcada e a dor que ela sentiu aos seis anos, nunca saiu de seu peito. E por enquanto ela vem sobrevivendo, mas os impostos estão cada vez mais altos. E a família de Zélie não está conseguindo pagar. No momento a única alternativa deles é vender o peixe-vela em Lagos.

Então ela parte com seu irmão Tzain para tentar garantir pelo menos mais alguns meses de impostos. É quando a vida de Zélie cruza com a da princesa Amari, que está fugindo do palácio ao ver o pai matar sua criada divinal a sangue frio depois de descobrir que existem alguns artefatos que ainda possuem magia. Amari foge com um desses artefatos, um pergaminho e então passa a ser caçada pelo próprio irmão, o príncipe herdeiro Inan. A contragosto Zélie ajuda Amari e acaba descobrindo que o pergaminho contêm magia, mas apenas uma parte dela e agora eles precisam viajar até Candomblé, o lendário templo, para obter mais informações sobre os artefatos. E eles descobrem que para salvar a magia é preciso realizar um ritual e que Zélie é a escolhida pelos deuses para realizá-lo.

"Quando diminui, vejo a verdade à plena vista, ainda que oculta o tempo todo.
Somos todos filhos de sangue e osso,
Todos instrumentos de vingança e virtude.
Essa verdade me abraça, me embala como uma criança nos braços da mãe."

Eu li esse livro para o #Desafiomulheresdaliteratura promovido pelas meninas do blog Queria Estar Lendo. O livro de fevereiro é um livro de fantasia escrito por uma autora negra. Confesso que não encontrei muitas opções de leitura, até por isso acredito que o desafio é muito pertinente. Porque quem ai pode me indicar um livro de fantasia escrito por uma mulher negra? Emfim, como encontrei o e-book do livro na Amazon por um preço bem camarada, acabei optando por ele ao invés do livro físico. Por isso não posso dar detalhes sobre a edição, mas pelo ebook deu para perceber que ela está muito bem feita. Temos um guia de pronúncia do iorubá e uma nota da autora, que já falo sobre ela. E a capa eu gosto muito.

Eu achei que pelo livro conter mitologia africana que eu não estou acostumada, e por ser de fantasia, a leitura seria mais dificil no começo. Mas não foi assim. Logo no primeiro capitulo já somos inteirados da história e pegos pela autora de uma forma que parece que somos nós vivendo o que está acontecendo no livro. E fazia tempo que não lia um livro com tanta aventura como essa. Fiquei aqui imaginando as cenas como num filme. Teve algumas horas que ao finalizar o capitulo eu estava até cansada hehe. As cenas de ação são maravilhosas e descritas com uma presteza que dá para visualizar perfeitamente tudo o que está acontecendo. E do começo ao fim elas estão presentes, já que além do livro ser uma aventura do começo ao fim, Zélie é meio esquentadinha e sempre está arrumando alguma confusão.

E por esse temperamento Zélie as vezes acaba metendo os pés pela mãos e por várias vezes fiquei com o coração na mão ao ver ela estragando tudo. Mas isso é características de livros protagonizados por pessoas mais jovens. Eles são praticamente adolescentes ainda. Mas para controlar o temperamento da irmã temos Tzain, que passa a metade do tempo tentando consertar as burradas da irmã e consolando ela porque depois que ela se acalma percebe as burradas que fez. E acho que por isso, mesmo o livro sendo narrado por três personagens Zélie é a verdadeira protagonista da história, eu acabei gostando mais de Amari do que de Zélie.

Amari é a princesa que nunca saiu de dentro do castelo e não tem ideia da situação do lado de fora. Mas quando ela enxerga a verdadeira face do seu pai, Amari começa a lutar pelo o que acredita ser o certo e o crescimento dela é visível. Melhor personagem da história e espero grandes feitas dela. Em contrapartida como odiei seu irmão Inan. Eu não me sentia assim com um personagem desde o Cal de A Rainha Vermelha. Inconstante o tempo todo. Não sabia em que acreditava e de que lado ficava e mudava de ideia o tempo inteiro. Por isso não gostei do romance entre ele e Zélie que não merecia alguém como ele. Já Amari e Tzain super shipei.

Agora o mais interessante do livro é a mitologia presente. Eu particularmente não lembro de ter lido nada de mitologia africana em nenhum livro. E a autora soube como utilizar de algo que frequentemente ouvimos como é errado, é do mal, em uma história de tirar o fôlego. Não sei vocês mas eu sou muito fã de filmes no estilo Indiana Jones e o ritmo e as cenas presentes me lembrou bastante as aventuras dele. E não posso deixar de citar a nota da autora no final da história, que serve mais como um desabafo de um povo que passa pelas situações presentes na história todo dia. O livro é uma fantasia, mas também é um grito de socorro de pessoas que são consideradas vermes por suas peles serem escuras. Enfim indico o livro com certeza para quem gosta e para quem quer se aventurar pelo gênero. Mas só se você não tiver medo de ser contaminado pela baixa literatura YA, que é o gênero desse livro.

Nota: 









© Blog Prefácio ♥ 2016 - Todos os direitos reservados ♥ Criado por: Taty Salazar || Tecnologia do Blogger. imagem-logo