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13 maio 2017

Resenha | Mentiras Como o Amor - Louisa Reid


Livro: Mentiras Como o Amor
Série: Não
Gênero: Drama, Thriller Psicológico
Autora: Louisa Reid
Editora: Novo Conceito
Páginas: 473
Ano: 2017
Resenha: 
"Estou escrevendo isso para que vocês saibam tudo sobre mim e sobre minha mãe e também sobre o que é ser uma adolescente e a dificuldade que é viver assim. Deprimida. Não é todo mundo que entende.. por favor, deixem-nos mensagens para ajudar a enfrentar esse momento.
Obrigada e até mais!
Audrey"

Mentiras como amor vai contar a história de Audrey, e no começo da história vemos que Audrey está de mudança juntamente com sua mãe Lorraine e seu irmãozinho Peter de cinco anos. Eles estão indo morar na Granja, um casarão antigo afastado da cidade. A casa está bem velha e mal cuidada, mas o que prende a atenção de Audrey, é o lago que circunda a casa. Ela tenta esconder a aflição que sente quando vê toda aquela água e felizmente sua mãe não percebe. Audrey não queria estar ali, mas sua mãe insistiu e ela quer ver sua mãe feliz depois de tudo o que aconteceu. Sua esperança é de que a Coisa tenha ficado para trás. Então Audrey finge que está tudo bem.

Logo que se mudam, ela conhece Leo e sua tia Sue, seus vizinhos mais próximos. E quando Leo tenta ser simpático se oferecendo para mostrar as redondezas para os irmãos, Audrey é grossa com ele. E apesar de ter ficado constrangido com a situação, Leo acaba enxergando alguma coisa diferente em Audrey. E eles vão estudar na mesma escola. Escola essa que Audrey esperava que fosse diferente da anterior, mas parece que vai ser a mesma coisa. Logo no primeiro dia sua mãe vai com ela até a escola e faz Audrey passar vergonha. E ela conhece Jen de quem gosta muito e Lizzy com quem já arruma encrenca quando pergunta sobre Leo e Lizzy diz que ele não está disponível. Como diz sua mãe, Aud é a vitima onde quer que vá e até parece que atrai as problemas. Mas dessa vez Aud pretendo fazer as coisas diferentes e não vai se deixar intimidar. Até porque Lizzy é fichinha perto do que ela já passou.

O que Audrey nem imagina, é que Leo também tem um monte de problemas. Ele está ali fugindo da pressão de seus pais. Na casa da sua tia não tem piano e ela nem fala sobre lição de casa. E já que seu terapeuta diz que ele tem que fazer amigos, porque não pode ser a Audrey? Mesmo que ela seja bem esquisita com aquelas marcas nos braços e pareça que tem medo até da própria sombra. Mas Leo é insistente e Audrey acaba cedendo. E Audrey descobre que quando está com Leo, as coisas são bem diferentes, ela consegue ser ela mesma, ou o que ela gostaria de ser. Mas sua mãe não vê essa amizade entre eles com bons olhos, já que Audrey para de tomar seus remédios. E tudo só piora quando a Coisa encontra Audrey novamente.

"Desci as escadas e enfileirei meus comprimidos no balcão. Um para que eu não me sentisse deprimida. Um para que eu parasse de sentir enjoo. Um para que eu dormisse o dia inteiro. Um para me impedir de abrir cortes nos braços, pernas e coxas. Havia comprimidos para tudo. Para tudo, exceto um comprimido para que pudesse ser livre."

Já tinha ouvido falar maravilhas da autora, mas nunca tinha lido nada dela até agora. Esse foi meu primeiro contato com a escrita da Louisa e só tenho uma palavra para ela: sensacional. A primeira coisa que me chamou a atenção nesse livro foi a capa e depois o tema: depressão. Já tinha lido um livro com esse tema anteriormente e sofri bastante com a leitura. Nesse e no outro livro que li, a narrativa é em primeira pessoa na visão da personagem doente o que torna as coisas mais difíceis, mas aqui a narrativa é dividida entre a Audrey e o Leo. E também a exemplo do outro livro, as personagens doentes tem mães que podem ser consideradas umas vacas, com o perdão da palavra, mas não encontrei outra palavra que definisse melhor. Só que aqui diferente do outro livro que li, que a personagem era adulta, temos uma adolescente de dezesseis anos que sofre com a doença há três, mas desde criança tem um histórico difícil. 

A narrativa é em primeira pessoa quando é na visão de Audrey e em terceira quando acompanhamos o Leo. No começo a história é bem leve, com insinuações bem sutis à depressão e a auto mutilação. Mas conforme a história vai avançando, as coisas vão ficando fortes. A autora não descreve nos mínimos detalhes o que acontece, mas dá para entender muito bem. É triste de ver o que a Audrey passa. Ela não sabe o que está fazendo, ela acha que tem alguém, que ela chama de Coisa, que tenta matá-la e quando ela se auto mutila, ela acha que está atacando a Coisa. Pelo menos é isso que dá para entender. Mas quando a verdade é revelada, fiquei de cara. E um livro que começou parecendo que ia ser um Sick-Lit, acabou se tornando um thriller psicológico. Eu já estava roendo as unhas no final e teve uma hora que quis jogar o livro longe de tanta raiva que tive de um personagem.

"Era melhor ficar aleta. Fique atenta e vigilante, eu pensava, lembrando de um verso de algum poema. Uma frase da boca de um louco. Mas aquela era a minha frase agora. E eu não era louca. Eu era a única que conhecia a verdade."

O próximo parágrafo pode conter spoiler, por isso fique a vontade para pular ele.
Vamos falar da Lorraine, mãe da Audrey. No começo achei ela meio estranha, principalmente pela Audrey achar que tem que cuidar de seu irmão mais novo e ter que manter a mãe feliz. Mas achei que as atitudes dela era de uma mãe que está perdida naquele tipo de situação e só quer o melhor para a filha. Mas conforme fui lendo, fui pegando um ódio dela e ela foi fazendo uma coisa pior que a outra e quando eu achei que ela não conseguia ser pior, ela foi lá e fez. O mais fraco que posso dizer aqui sem soltar muito spoiler é que ela acusa Audrey de provocar o bullying que acontece com ela. Isso é o mais leve. Eu fiquei besta de ver como uma mãe consegue fazer aquilo tudo. E quando olhei, ainda faltava mais de 100 páginas para terminar e eu já estava com nojo dela. Mas ainda assim fui surpreendida, nunca que imaginei uma coisa daquelas.

A Audrey é um personagem incrível. Tenho certeza de que muitas pessoas não aguentariam passar pelo o que ela passou. E ela ainda fez uma escolha muito dificil por amor, mesmo sabendo o que aquilo significaria para ela. O Leo é um amor de pessoa, que foi o apoio de Aud durante o livro, e ainda tinha os próprios problemas para resolver. E o Peter é um fofo, e depois aconteceu uma coisa com ele que eu quis entrar no livro e abraçá-lo. Só me resta indicar o livro é claro. Não vou falar mais nada porque a resenha já está enorme e sei que a maioria do povo não lê resenhas grandes. Só vou dizer que fazia tempo que um livro não mexia tanto comigo como esse mexeu. Eu me desesperei no IG, no wats, eu precisava falar com alguém naquele momento. Leiam!

Nota:






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