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29 junho 2019

Resenha | As garotas Madalenas - V.S. Alexander


Livro: As garotas Madalenas
Série: Não
Gênero: Romance Histórico
Autor: V.S. Alexander
Editora: Gutenberg
Páginas: 288
Ano: 2019

Resenha:
Teagan Tiernan, de 16 anos, é sortuda por viver na parte sul de Dublin com seus país. Mesmo não sendo ricos, se comparados ao restante da cidade, eles tem que dar graças aos céus. E é o que eles fazem porque são frequentadores assíduos da Igreja St. Eusebius. Teagan bem que gostaria de fazer outras coisas aos domingos, como sair com seu namorado Cullen, mas sempre acaba obedecendo seus pais. E numa dessas idas a igreja ela conhece o Padre Mark, novo na paróquia, e fica fascinada por ele. O novo padre é bem jovem e muito bonito e também parece estar interessado nela. Mas Teagan logo trata de afastar esses pensamentos impuros da sua mente. O problema é que acontece um mal entendido e seus pais acreditam que ela pecou e acabam levando Teagan à força para o convento das Irmãs da Sagrada Redenção.

Teagan não entende o porque de tudo aquilo estar acontecendo, de sua vida estar sendo virada do avesso, já que nada aconteceu e ela tenta explicar a Madre Superiora que não é uma pecadora, sem nenhum sucesso. A Madre Superiora, Irmã Anne, lhe explica que a partir de agora seu nome é Teresa e ela é uma Madalena e vai trabalhar na lavanderia até lavar todos os seus pecados. Teagan tem que se despir de todos os seus pertences e tem seu cabelo cortado. É então que ela percebe que está em uma prisão e que precisa escapar daquele lugar o mais depressa possível. Mas a dor de perder seu cabelo que ela cuidava com tanto esmero, não é nada perto do que a esperava na lavanderia. Teagan não sabe o que é pior, o trabalho pesado debaixo de tanto calor e umidade ou não poder falar nenhuma palavra com as outras mulheres. 

Nora Craven também tem dezesseis anos e diferente de Teagan, mora na parte pobre de Dublin e não suporta mais a vida que leva, por isso não vê a hora de conseguir deixar aquilo tudo para trás. E quando ela começa a namorar com Pearse, ela vê no garoto a chance de ter uma vida melhor. Mas Nora estava enganada, Pearce é um canalha e acaba colocando ela em uma situação comprometedora e seus pais acabam mandando Nora para o mesmo lugar que Teagan, que reage bem diferente à sua nova vida. Agora com o nome de Monica, Nora faz um escândalo no convento e logo de cara já percebe que a vida que ela tanto reclamava, era maravilhosa perto da que terá agora. E assim que as duas garotas se conhecem, elas fazem um pacto para sair daquele lugar antes que enlouqueçam ou se tornem mortas vivas como as outras Madalenas.

"— Lembrem-se de minhas palavras. Eu amo vocês — disse Irmã Anne antes de lhes dar as costas e desaparecer de vista, com o barulho de seus sapatos ecoando pelo corredor."

Eu amei o livro Um Banquete para Hitler do mesmo autor e estava com as expectativas bem altas para esse livro. E elas foram todas alcançadas. Novamente o autor foi brilhante ao trazer um romance histórico com um pano de fundo dramático e um assunto necessário. Eu confesso que até pegar o livro em mãos, nunca tinha ouvido falar das Lavanderias de Madalena e mais uma vez fiquei horrorizada por ver até onde a pessoa vai e o que ela faz em nome de uma religião. Não quero criticar nenhuma religião aqui, assim como o autor ao trazer o assunto a tona, e sim as pessoas que usam dela para fazerem o que bem entendem.

Hoje em dia não se ouve mais o termo "vai ficar falada", mas eu cresci em uma época onde tudo o que a mulher ia fazer tinha que pensar muito bem a respeito porque se não ficava falada, ou seja, caía em desgraça, tinha seu nome jogado na lama. Mas as consequências pelo menos aqui no Brasil eram somente morais. Já na Irlanda e em vários países pelo que pude ver, essas mulheres além da "fama" eram praticamente renegadas por suas famílias e entregues nas mãos das freiras para serem escravas. Acho que até tinham algumas famílias que não sabiam o que acontecia dentro das Lavanderias, mas uma grande parte sabia sim e não se importavam com o que acontecia desde que eles não fossem prejudicados.

Os castigos físicos são terríveis, mas os psicológicos são bem piores. Elas perdiam literalmente a vontade de viver de tanta pressão psicológica que sofriam. Era basicamente uma lavagem cerebral. E o pior é ver que as pessoas que estavam no poder achavam que estavam certas e que era tudo por amor. E ainda ficavam citando Deus e o céu como se isso fosse justificativa para fazerem o que faziam. Não vou entrar em detalhes porque são cenas bem fortes, mas quem quiser saber mais é só ler o livro, ou pesquisar sobre o assunto. E quero deixar claro que esse livro em específico é uma ficção, mas a história de Teagan e suas amigas foram inspiradas na mais pura realidade.

O livro não tem uma leitura fácil, por isso a gente demora um pouco mais na leitura, mas é uma história linda de amizade e esperança. Não tem como a gente não torcer para que Teagan consiga sair daquele convento. E a cada nova tentativa frustrada, a dor só aumenta e vemos como o ser humano reage as mais diversas situações. Eu sofri junto com as personagens e chorei ao ver mais uma vez como o ser humano pode ser ruim, mas também como ainda existem pessoas boas nesse mundo e que a nossa luta vale a pena. Eu poderia ficar aqui horas falando sobre o livro, mas prefiro que você leia e também sinta toda a emoção que eu senti lendo ele. Quanto a edição, a Gutenberg está de parabéns. Além da capa linda, a diagramação está perfeita e é mais um livro que tenho o prazer de ter na estante.

Nota:










10 junho 2019

Resenha | Um Banquete Para Hitler - V.S. Alexander


Livro: Um Banquete Para Hitler
Série: Não
Gênero: Ficção Histórica, Romance
Autor: V.S. Alexander
Editora: Gutenberg
Páginas: 304
Ano: 2018

Resenha:
Magda Ritter tem 25 anos e viveu toda a sua vida em Berlim com seus pais. E mesmo sendo de uma tradicional família alemã, ela não sentiu necessidade de se filiar ao Partido Nazista até então. E mesmo sua mãe apoiando Hitler, seu pai ainda discorda de várias coisas impostas pelo Führer, como a perseguição aos judeus, mesmo que ele só diga isso dentro de sua casa. Até o momento eles estavam protegidos, mas conforme a guerra vai avançando, as bombas começam a cair cada vez mais perto da casa deles e seu pai decide que está na hora de Magda ir para a casa de seus tios em Berchtesgaden. Seus tios são mais devotos a Hitler do que seu pai, e até a decoração da casa é em homenagem ao Führer.

Assim que chega na casa dos tios, Magda percebe que sua vida será diferente a partir de agora. Sua tia exige que ela consiga um trabalho o mais rápido possível, já que ela será mais uma boca para eles alimentarem, ainda mais em tempos de guerra em que a comida é tão escassa. Mas o problema é que Magda não tem nenhuma qualificação e o único lugar que aceitam entrevistá-la é no Reichsbund, a Liga do Reich, e ainda porque seus tios são bem conhecidos no local. E a primeira coisa que querem saber é porque ela ainda não se filiou ao Partido. Magda promete fazer isso o mais rápido possível e consegue uma colocação. Ela vai trabalhar em Berghof, a casa-refúgio de Adolf Hitler.

Magda começa a trabalhar logo em seguida, mas até chegar a residencia ela não sabia no que consistia seu emprego e quando descobre o que terá que fazer, sua primeira reação é fugir do local. Ela será uma das quinze mulheres que trabalham no quartel-general provando a comida de Hitler. E Magda só fica porque se não aceitar o trabalho, não somente ela, mas também sua família serão vistos como traidores. E enquanto coloca sua vida em risco pelo Führer, Magda conhece o Capitão Karl Weber e com a convivência eles acabam se apaixonando. E Magda descobre que apesar da grande maioria das pessoas adorarem o chão que Hitler pisa, existem algumas pessoas que querem o bem da Alemanha e que acreditam que para isso, Hitler deve ser removido do poder. 

"Como todos na Alemanha podiam olhar para o outro lado? Me perguntei se aqueles que viviam nas cidades ou em fazendas nos arredores dos campos conseguiam sentir o cheiro de carne queimada. Será que olhavam para os céus quando os flocos cinza caíam sobre eles? Como podiam não saber o que estava acontecendo e, se o sabiam, por que não se importavam? Onde estavam as pessoas que precisavam se mobilizar com indignação e horror contra o que o nosso governo estava fazendo?"

Um Banquete Para Hitler é uma ficção histórica inspirada na história real de Margot Woelk, que foi uma provadora de Hitler e que manteve isso em segredo até completar 95 anos. Mas apesar de todo contexto histórico, o autor deixa claro que o livro não se trata de uma biografia e por vezes ele usou da licença poética para contar a história de Magda Ritter. Eu quis ler esse livro desde que lançou, porque sou fascinada por histórias que se passam durante a Segunda Guerra, mas somente agora consegui ler. Sei que existem livros que contam o lado dos alemães durante a guerra, mas até hoje eu só tinha lido histórias narradas por judeus e fiquei surpresa por "descobrir" que eles sofreram com a guerra tanto quanto as outras nações.

No livro vamos acompanhar Magda, uma alemã que tinha uma vida boa até o dia em que Hitler começou a perder a guerra por volta de 1943. Até então ela ouvia falar do que estava acontecendo, mas tinha certeza de que Hitler ia vencer a guerra, assim como todos a sua volta. E mesmo não sendo fanática como a maioria, ela meio que ficava em cima do muro, somente quando foi trabalhar em Berghof que ela descobriu a verdade sobre o que acontecia com quem ficava contra Hitler, independente de ser alemão ou não. Geralmente nós tendemos a achar que toda a Alemanha apoiava os desmandos de Hitler, mas a coisa não era bem assim. Quem falava um a que fosse contra, era executado como traidor.

Existiam sim muitos fanáticos que o apoiaram até o fim, até o fim mesmo porque chegaram a cometer suicídio junto com ele, mas também existiam muita gente que via o que estava acontecendo com seu país, mas que estavam de mãos atadas para tentar fazer alguma coisa. E muita gente tentou. E o próprio sabia que muitos do seu povo não o apoiava, vide o trabalho de Magda como provadora. Tudo o que Hitler ingeria era provado por várias pessoas, já que o veneno era a forma mais "fácil" de alguém chegar até ele. Mas a dificuldade não estava somente em matar Hitler e sim acabar com toda uma cúpula que pensava igual a ele. Não adiantava matar a figura e sim todo um ideal.


Uma coisa que gostei bastante no livro foi que o autor abordou sobre o carisma de Hitler. Ele tinha o dom de fascinar as pessoas com suas palavras. Mesmo Magda tendo visto fotos das atrocidades cometidas por ele, quando Hitler falava, era como se ele estivesse certo. E o próprio acreditava no que dizia. O autor soube dar o tom certo para cada personagem, os reais e os fictícios e não tem como a gente ler a história e não querer saber mais sobre cada uma das pessoas citadas no livro. Eva Braun foi uma personagem que me fascinou porque eu não sabia se ela era ingênua aquele ponto ou se ela amava tanto Hitler que não ligava mais para o que ele fazia.

 Magda também foi um personagem que gostei bastante. Foi interessante acompanhar suas "descobertas" sobre Hitler e torcer por ela por causa do perigo a que ela se expunha. Mesmo sabendo que ela tinha sobrevivido, já que a história começa com ela em 2013, é impossível não se agoniar quando ela ficava a um triz de ser pega. Outra personagem que achei muito bem construída foi Cook, a cozinheira de Hitler. Eu achei a leitura do livro mais demorada, mas porque a história é daquelas que a gente quer absorver nos mínimos detalhes. Eu amei a leitura e por isso indico com certeza para quem gosta de histórias que se passam nesse período. Quanto a edição da Gutenberg só tenho elogios, desde a capa que está linda até a diagramação que está impecável, mesmo eu não me dando tão bem com aspas no lugar de travessão, não tenho do que reclamar.

Nota:








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