23 março 2021

Resenha | Amor de Perdição - Camilo Castelo Branco

Livro: Amor de Perdição
Série: Não
Gênero: Romance/Drama
Autor: Camilo Castelo Branco
Editora: Faro Editorial
Páginas: 208
Ano: 2021

Sinopse:

Esta é a obra integral do livro escrito no século XIX adaptada para o português moderno. Duas famílias rivais, um amor proibido e uma série de trágicos acontecimentos... Cento e sessenta anos atrás, Camilo Castelo Branco partiu de sua história pessoal e familiar para escrever um dos maiores clássicos da literatura portuguesa: Amor de Perdição. Considerada uma das principais obras do movimento ultrarromântico, marcado por idealizações do amor, paixões arrebatadoras e dores que afetam intensamente a alma, este romance, inspirado em Romeu e Julieta, atravessa décadas com a jovialidade de seus protagonistas: Simão, Teresa e Mariana. Simão, um jovem de 16 anos, comete um crime contra o pretendente de sua amada. É jogado na cadeia enquanto espera sua pena: prisão ou exílio nas Índias. Teresa é igualmente afetada, posta em clausura, e Mariana, a jovem humilde que alimenta secretamente uma paixão por Simão, vive todas as emoções de um amor platônico, devotado, com fios de esperança de um dia ser correspondida.

Resenha:

Hoje em dia sou uma leitora que reluta muito em ler clássicos. Mas na minha época de adolescência, eu lia tudo o que encontrava na biblioteca da escola, e como não poderia deixar de ser, Amor de Perdição passou pelas minhas mãos lá pelos meus quinze anos mais ou menos. E confesso, a única coisa que lembrava do livro era que não tinha gostado por ser uma tragédia sem fim. Sempre fui do time de leitores que amam um final feliz em que todo mundo se casa e fica feliz para sempre, mesmo sabendo que isso é uma ilusão hehe.

Meu problema e acredito que da grande maioria ao deixar de ler os clássicos, é a linguagem antiga que se encontra neles. Mais da metade do que está escrito a gente não tem nem ideia do que seja, e eu particularmente acho chato ter que parar a história a todo momento para ir descobrir o que significa tal coisa. E essa é a grande proposta da Faro, tornar os clássicos acessíveis a todos com uma linguagem adaptada para o português moderno. Eu particularmente amei isso. Mesmo me recuperando de uma Covid, li o livro rapidamente, a leitura fluiu como se o livro estivesse sido escrito ontem e se não soubesse se tratar de um clássico, nem tinha percebido.

Segue algumas frases que foram adaptadas para vocês terem uma ideia do que eu estou falando:

"O intriguista que lhe trazia o espírito em ânsias era o espelho."

"E o causador da intriga era o espelho."

"o magistrado desenrugou a severidade postiça da testa"

'o magistrado desfez o ar severo da testa"

"Aconselharam-no a fazer reuniões amiudadas na sua casa com os seus parentes"

"Aconselharam-no a fazer reuniões frequentes na sua casa com os seus parentes"

E falando no livro, o próprio autor considera ser essa sua melhor obra. E não é porque não fico feliz com toda essa tragédia que não reconheço ser ela um livro excelente. E toda a história é baseada em uma história real, da família do autor. É impossível ficar indiferente a esses dois amantes que se apaixonam à primeira vista e tem que enfrentar o ódio dos pais. Hoje eu não me conformo que um pai prefira ver seu filho morto a estar casado com alguém considerado um inimigo, mas naquela época isso tudo era normal, assim como lavar sua honra na faca e na espingarda. Mas pensando bem ainda temos pais que preferem filhos mortos a filhos gays, mas isso é outro assunto.

E apesar da história girar em torno do amor entre Simão e Teresa, temos uma saga toda envolvendo as duas famílias, e isso que é interessante, acompanhar os desdobramentos de todos a volta. Simão é praticamente um adolescente que estava indo para o caminho errado até encontrar o amor. Teresa um personagem forte que luta contra seu destino e faz suas próprias escolhas. E ainda temos Mariana, que não, não temos um triângulo amoroso, com seu amor platônico e incondicional, vemos a forma mais pura do amor sendo vivido por uma jovem que sabe que não vai ser correspondida, mas que escolhe amar mesmo assim.

Enfim, eu mais do que indico esse livro nessa edição linda da Faro. Tenho certeza que se assim como eu ama ler uma linda história de amor, vai se encantar com esses personagens. E ainda vai poder dizer que leu um clássico e gostou de ler ele. E aguardo ansiosa os próximos lançamentos da Faro, sei que esse é só o primeiro clássico romântico que terei o prazer de ler e entender o que estou lendo hehe.

Nota:








16 comentários:

  1. Eu particularmente não curto clássicos simplesmente porque as histórias não me chamam atenção kkkk e essa aqui me deu um pouco de vibes de Romeu e Julieta por algum motivo, e por isso vou passar a dica por agora
    Beijos
    Balaio de Babados

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  2. Tem um tempinho que não entro de cabeça em leituras clássicas e gostei da premissa desse. Também não sabia que a editora publicava esse estilo de leitura, e o catalogo deles está maravilhoso.

    Bjs

    Imersão Literária

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  3. Faz tempo que não leio clássicos. Acho que é uma leitura que não é para todo momento. Mas nunca tinha ouvido falar desse livro, gostei de saber que você gostou da leitura.

    www.vivendosentimentos.com.br

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  4. Oie...
    Li Amor de Perdição em fevereiro e gostei muito da leitura! Confesso que achei uma obra bem shakespeareana e fiquei abobalhada com a quantidade de tragédias que acontece! Fiquei também muito surpresa quando descobri ser uma história real, sério, como isso pode ser real, né? Fiquei chocada quando descobri isso na época que lia essa história!
    Imagino que deve ser uma experiencia incrível essa adaptação para o português moderno! Adorei as frases comparando que você selecionou... realmente deixa a leitura muito mais agradável.
    Bjo

    http://coisasdediane.blogspot.com/

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  5. Oi, Sil! Tudo bom?
    Com clássicos, minha relação é: tenho que ter muita curiosidade pra arriscar a leitura. Os 12 que escolhi pra esse ano são casos assim; esse eu já tinha ouvido falar, mas não tenho tanta curiosidade de ler.

    Beijos, Nizz.
    www.queriaestarlendo.com.br

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  6. Oi Sil, tudo bom? Como estão você e sua mãe?! Espero que se recuperando bem <3
    Sobre o livro, à primeira vista achei a capa super cara de romance de banca, haha. O que não é ruim, afinal, romance de banca faz parte da vida de vários leitores né?! Mas não sabia que a obra é um clássico, e confesso, não ligo para as tragédias, gosto de dramas, coisas ruins e críveis acontecendo em um livro. Lido bem com isso, mas clássicos sempre me incomodam, é raro quando consigo chegar ao final de um. Por isso, também achei super bacana a Faro tornar os clássicos mais fáceis de se entender, já quero várias edições dos clássicos brasileiros que já tive vontade de ler, mas abandonei por causa da escrita rebuscada, haha. Enfim, gostei muito da resenha, eu leria facilmente esse livro.
    Beijo, Blog Apenas Leite e Pimenta ♥

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  7. Oi Sil, tudo bem? Eu gosto mais de Amor de Salvação, mas o de Perdição eu também gostei, representa bem a escola do Romantismo! Quero conferir essa edição!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  8. Oi, Sil
    Eu não sou nem um pouco fã de clássicos, mas eu gostei muito da proposta da Faro de trazer uma linguagem mais fácil de absorver, porque de fato o meu grande receio é ficar perdida na narrativa e acabar não entendendo nada da história. Não conhecia o livro mas eu curti o enredo e a edição é muito fofa, vou tentar ler!
    Beijo
    https://www.capitulotreze.com.br/

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  9. Oi, Sil. Tudo bem? Por eu gostar bastante de ker clássicos, este aí eu poderia ler tranquilamente. Ótima resenha. Abraço!


    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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  10. Oi Sil, que bom que você conseguiu se recuperar da Covid.

    Eu li no ensino médio e lembro que odiei por ser muito triste.
    Adaptações realmente ajudam bastante que essas história consigam sobreviver ao tempo.
    Além da adaptação, a releitura depois de muito tempo também muda nossa perspectiva.

    Apesar do Caos

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  11. Olá Sil,
    Por incrível que pareça eu não conhecia o livro e, apesar de gostar da sua resenha, provavelmente seria um livro que não leria. Mas adorei a proposta da editora. Realmente a dificuldade de muitos, incluindo a minha, é a falta de paciência com a escrita, e ver que estão investindo de forma a tornar obras excepcionais mais acessíveis merece sim elogio.

    Beijo!
    www.amorpelaspaginas.com

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  12. Oi Sil,

    Que bom que você está melhor da Covid.
    Eu também fujo de clássicos pelo mesmo motivo, só de ter que procurar palavras eu já desanimo em ler.
    Achei a proposta da editora muito bacana, e a edição parece estar maravilhosa como sempre.

    Bjs
    https://diariodoslivrosblog.blogspot.com/

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  13. Nunca ouvi falar dessa obra. Essa linguagem eu vi no livro de Zafon. E um pouco pior, porque havia muitas palavras em que eu precisei recorrer ao dicionário via Google para saber do que se tratavam, pois eram colocações não- brasileiras.

    Mas não parei de ler Zafon por isso. Na verdade eu até achei que essa linguagem dava certo charme. Porém, colocando essa linguagem em outras obras, pode ser que nem sempre ela fisgue o leitor.

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  14. Oi Sil,
    Fico feliz que esteja se recuperando, você me assustou!
    Agora, sobre o post, eu tinha um projeto de um clássico por mês. Nem preciso falar que falhei miseravelmente né? KKKKKk
    Esta obra está na minha lista e você falando que foi fácil e rápido de ler me dá uma animada para voltar com o projeto. Estou precisando de coisas assim, porque se não desisto de novo, kkkkk.
    beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

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  15. Menina! Tu teve Covid?! Se cuida hein?! Olha, o grande motivo de eu evitar ler clássicos é exatamente a linguagem rebuscada demais. Eu acabo me perdendo em tanta palavra difícil e esqueço do que ele realmente se trata. Algumas editoras estão tendo esse cuidado, tanto que já me deparei com vários clássicos da literatura, mas que só fui saber na hora de fazer a resenha, pois a leitura fluiu tão bem, tão rápido, que achei que tinha sido escrito há pouco tempo... rs
    Bjks!

    Mundinho da Hanna
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  16. Se por um lado adaptar torna o livro mais acessível aos leitores de hoje acho que fere um pouco o estilo do autor. É como dizer: "sua história é ótima, mas você não sabe contar ela então vamos mudar a forma como você conta para continuar ganhando dinheiro com sua história". Confesso que não gostei. Prefiro os clássicos da língua portuguesa do jeitinho que foram escritos.

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