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22 setembro 2021

Resenha | 1984 - George Orwell

Livro: 
1984
Série: Não
Gênero: Distopia/Clássico
Autor: George Orwell
Editora: Avis Rara
Páginas: 352
Ano: 2021

Sinopse:

No ano de 1984, Londres é uma cidade ameaçadora e sombria, onde a Polícia do Pensamento controla de forma sufocante a vida das pessoas. Nessa atmosfera sinistra, Winston Smith, funcionário sem importância do Ministério da Verdade, passa os dias reescrevendo a história para adequá-la ao que o Partido considera a versão oficial dos fatos. Obra-prima distópica, George Orwell apresenta em 1984, uma sociedade dominada por um regime totalitário que, sob o comando do Partido e do seu líder máximo, o Grande Irmão, vigia e pune sem piedade não só as ações dos cidadãos, mas também seus pensamentos, decretando o fim da individualidade, do livre-arbítrio, do amor e de todas as formas de liberdade. Entre os clássicos da literatura mais celebrados do século XX, a fábula profética de Orwell a respeito de um homem preso às engrenagens de um sistema repressivo e autoritário parece mais pertinente agora do que nunca. De forma mais ampla, o romance examina o papel da verdade e dos fatos na política e as maneiras como são manipulados.

Resenha:

"Guerra é paz
Liberdade é escravidão
Ignorância é força."

Eu confesso que me sentia a estranha quando via alguém falando sobre os livros do Orwell e eu nunca tinha lido nada dele. Principalmente 1984, que é uma referência quando o assunto é distopia, um dos meus gêneros favoritos. Mas então a Faro começou a publicar os livros do autor pelo selo Avis Rara e em fevereiro eu li A revolução dos Bichos que amei e agora esse mês enfim li 1984. O livro não é daqueles que a gente lê em uma sentada, acredito que foi um dos livros que mais demorei a ler nos últimos tempos, primeiro porque praticamente não tem diálogos e segundo porque o assunto é um que tem que ser degustado e digerido aos poucos.

Quando a gente lê distopias sempre fica aquela sensação ruim e é difícil não imaginar o que faremos se aquilo acontecer no futuro. Mas 1984 que foi publicado em 1949 onde 1984 era o futuro descrito no livro, é uma distopia que já aconteceu. E não é que ele nunca foi tão atual quanto agora? É de arrepiar que algo que foi escrito tantos anos antes acabou se tornando uma profecia que se cumpriu. E o engraçado é que o livro foi escrito como uma critica e resistência a outro governo, mas ele se encaixa tão bem no governo que estamos vivendo no momento.

E enquanto a gente vai lendo, vai reconhecendo estratégias e jogadas políticas usadas pelo governo atual como se fossem um beneficio a população e que na verdade é o contrário disso. No livro a coisa já está no extremo, mas o personagem principal vai falando sobre como as coisas chegaram naquele ponto e a única coisa que a gente quer é impedir tudo aquilo. Infelizmente grande parte da população não enxerga para onde as coisas estão se encaminhando. Tem tantas referencias ao governo atual que o autor poderia estar escrevendo esse livro hoje. Governante que é considerado quase uma entidade divina (mito), noticias falsas sendo divulgadas a torto e a direito (fake news), funcionários públicos "doando" parte do seu salário ao partido (rachadinhas) e por ai vai.


E uma das coisas que mais impressiona são as teletelas. Elas estão em todos os lugares, não importa aonde a pessoa vá ela vai estar sendo vigiada. Porque elas funcionam como uma via de mão dupla. Elas não apenas transmitem, elas vigiam todos os movimentos, palavras e expressões faciais, por isso é proibido até mesmo pensar em algo que não seja permitido pelo governo. E isso já não é uma novidade porque que quem aqui nunca pesquisou sobre um produto e então propagandas sobre ele te perseguem por dias. E por causa dessa vigilância toda, as pessoas não podem mais se relacionar com ninguém. Toda forma de diversão é proibida, você tem que fazer o que eles querem, comer e vestir o que eles fornecem e ainda se mostrar feliz e grato por aquilo.

E as punições então meu Deus, eu achava que já tinha lido sobre métodos de tortura, mas confesso que fiquei com o estomago embrulhado ao ler algumas cenas. Eu já achava ter que olhar a cara do bendito, o Grande Irmão, em todo lugar horrível, e ouvir noticias falsas o tempo todo é para deixar qualquer um louco, mas ser pego é infinitamente pior. Enquanto lia ia ficando desesperada pelo protagonista porque tudo é narrado de uma forma como se o leitor estivesse ali na pele dele e sentisse tudo aquilo que ele sente. Por isso repito, a leitura não é fácil, mas é uma leitura que é necessária, ainda mais que estamos vivendo quase a mesma coisa.


Eu não vou me estender muito mais porque por mais que eu diga aqui, ainda não vai chegar aos pés dessa grande obra. E o livro é daqueles que vai falar com cada um de uma maneira diferente. Só leia e tire suas próprias conclusões. Quanto a edição, a editora caprichou e assim como aconteceu com A Revolução dos Bichos, ela se tornou uma das mais bem feitas da minha estante. Essa capa transmite na medida o que será encontrado dentro do livro. E foi engraçado que toda vez que eu pegava para ler minha mãe olhava a capa e falava: "credo que homem horroroso". Mal sabe ela que o protagonista era da mesma opinião, e ainda era obrigado a vê-la em todos os lugares que olhava.

Nota:








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