Livro: O Colecionador de Memórias
Série: Não
Gênero: RomanceAutora: Cecelia Ahern
Editora: Novo Conceito
Páginas: 272
Ano: 2018
Resenha:
Em O Colecionador de Memórias vamos conhecer Fergus Boggs e Sabrina Boggs, respectivamente pai e filha. O livro é narrado pelos dois, intercalando os capítulos entre passado, onde vamos conhecer o Fergus ainda criança, e no presente, onde conhecemos Sabrina já uma mulher feita, casada e mãe de três filhos, enquanto Fergus está internado em uma clinica de repouso. Ele sofreu um derrame e tem tido falhas de memórias, por isso precisa de constante cuidados médicos. Logo nos primeiros capítulos vamos conhecer uma Sabrina completamente insatisfeita com a vida que tem, como se faltasse alguma coisa que ela ainda não conseguiu descobrir o que é. Ela sabe que desde sempre foi diferente das outras pessoas. Quando alguém se estressa ou fica com raiva, a pessoa tem um rompante, um momento que depois a pessoa quer esquecer. Mas não Sabrina. Ela nunca teve esse momento. Ela nunca saiu da linha.
Sabrina trabalha há sete anos como salva vidas na piscina de uma casa de repouso e seu trabalho é apenas observar os idosos em sua rotina diária. Nunca aconteceu nada diferente. Até hoje. Bem na hora que ela saiu para tomar café durante cinco minutos. Por isso ela fica furiosa, pois, logo no momento que ela não estava as coisas se agitaram um pouco. É assim que ela tem seu primeiro "momento". Seu chefe lhe dá o resto do dia de folga. Mas folga é o que ela nunca tem e assim que chega em casa ela recebe uma ligação da clínica onde está seu pai internado, pedindo que ela vá até lá porque chegou algumas caixas para ele. Quando Sabrina chega ao local ela tem a maior surpresa de sua vida. Ela vai conhecer um outro lado do seu pai que ela nem imaginou que existisse.
Quando ela empacotou os pertences do seu pai, as caixas ficaram na casa da sua mãe, mesmo eles estando separados, mas por algum motivo as caixas vieram parar na casa de repouso e elas precisam ser supervisionadas antes de ser entregues ao seu pai. Quando Sabrina abre a primeira caixa, dentro tem algumas latas, sacos e caixas embaladas em plástico bolha com uma variedade enorme de bolinhas de gude e um fichário onde está escrito Inventário das bolinhas de gude. Ela nunca achou que seu pai fosse alguém que gostasse de bolinhas de gude. Nem que ele tivesse uma fortuna guardada naquelas caixas. Mas quando ela começa a mexer nas bolinhas, ela percebe que as duas caixas mais caras não estão na caixa. Na busca pelas bolinhas que estão faltando, Sabrina vai perceber que seu pai não é o homem que ela conhecia. E seu pai não é quem ela achou que fosse, talvez ela também não seja quem ela pensa ser.
"Tenho uma queda para me lembrar de coisas que as pessoas esquecem e agora sei de algo importante sobre meu pai, que ele guardou, mas esqueceu. As coisas que queremos esquecer, as coisas que não conseguimos esquecer, as coisas que esquecemos, até nos lembrarmos. Há uma nova categoria. Todos nós temos coisas que jamais queremos esquecer. Todos nós precisamos de alguém que se lembre delas, só para garantir."
Fazia bastante tempo que eu não lia um livro de romance. Fiquei mais focada em livros de suspense, fantasias e romances de época. Acho que esse foi um dos motivos de eu ter amado a história, porque acho que se fosse lida após um outro romance, ela não teria sido tão especial como foi. Esse é o sexto livro que leio da autora e tenho meio que uma relação de amor e ódio com ela, ou eu amo a história ou eu odeio. Essa, ainda bem que eu amei. Gostei tanto que até chorei em algumas partes lá para o final. Não é uma história extraordinária, o enredo é simples, mas a autora soube trabalhar com pouca coisa e criou uma história muito bonita, principalmente por ter como personagens principais pai e filha, que é um relacionamento que sempre me atrai em livros de romances.
A narração vai se alternando entre o passado e o presente e confesso que gostei muito mais das partes onde acompanhamos o Fergus, desde seus cinco anos até o momento atual. Ele foi uma criança muito especial e sua paixão pelas bolinhas de gude contagia. Até o momento onde ele tem que escolher entre sua paixão e a vida que ele escolheu. É nesse momento decisivo que ele se divide em duas pessoas, uma é o pai que Sabrina conhece, e outra parte dele é a que ama as bolinhas. Acho que ninguém nunca devia ter que tomar esse tipo de decisão. Todo mundo deveria aceitar as pessoas como elas são. Mas infelizmente não é assim que acontece e a pessoa vive uma vida infeliz porque teve que reprimir algo que era basicamente sua essência. Então a pessoa vive uma sombra do que ela realmente é.
Mas as partes da Sabrina também são bem interessantes, até porque fica aquele suspense de onde estão as bolinhas desaparecidas. E a cada nova pista só ficamos mais curiosos para saber o que realmente aconteceu com elas. E como tudo acontece durante um dia, a tensão vai aumentando e a curiosidade quase me fez olhar o final do livro. Mas ainda bem que não o fiz porque a emoção toda que senti é por causa desse crescente que vamos tendo na história. E no final fiquei muito feliz por ter lido o livro. Quanto a capa, eu gostei bastante, tem várias coisas nela que remete a história, só as bolinhas coloridas que poderiam ser mais parecidas com as bolinhas de gude.
Nota:
E para quem é fã da autora e se interessou pelo livro, a Novo Conceito cedeu um exemplar dele para sorteio.
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