Livro: O Corvo
Série: Não
Gênero: Poema, Terror
Autor: Edgar Allan Poe
Editora: Faro Editorial
Páginas: 96
Ano: 2020
Escrito há quase duzentos anos, esse poema atravessa gerações e continua sendo um marco da literatura mundial. Imprescindível para todos os apaixonados por literatura, O Corvo é considerada a obra-prima de Edgar Allan Poe. Mesmo tendo escrito diversos livros e contos, nenhuma outra história atraiu tantos leitores e tamanho respeito pela crítica especializada. Um homem atormentado pela morte da amada é despertado pelo barulho incessante de um corvo e a trama que se desenrola no poema demonstra tanto a genialidade do autor quanto os demônios que ele carregava. Dizem que a vida imita a arte, mas nesse caso, a arte imitou a vida. O Corvo foi publicado dois anos após a morte precoce da esposa de Poe. E, como muitas vezes acontece, o autor não teve tempo para ver o sucesso de sua obra. Morreu na miséria e sem saber que seu corvo atormentaria muitas outras almas mesmo anos depois de sua morte.
Como amante de ficção-policial é impossível não conhecer aquele que é considerado o inventor do gênero, Edgar Allan Poe. Por isso já tinha lido e relido algumas vezes os contos Os assassinatos da Rua Morgue e O escaravelho de ouro, mas ainda não tinha lido seu poema mais famoso, O Corvo. Acredito que quem acompanha o blog sabe que não sou uma pessoa que lê poesias e poemas, mas ainda assim decidi me aventurar em O Corvo quando vi essa edição maravilhosa que a Faro lançou esse mês.
O Corvo publicado pela primeira vez em 1845, se tornou desde então um dos poemas mais destrinchados e estudados que se tem notícia. E foi traduzido por grandes nomes da literatura. Aqui no Brasil podemos citar Machado de Assis e Fernando Pessoa, dando interpretações para o conto completamente diferentes uma da outra. Essa edição da Faro foi traduzida por Thereza Cristina Rocque Da Motta, que em suas palavras, fez uma tradução menos formal, mas com o mesmo clima tenso e instigante do poema original.
Para resumir em poucas palavras, o poema trata-se da visita misteriosa de um corvo falante a um homem que lamenta a perda de sua amada, Lenore. Esse homem, que não é nomeado, está passando pelo luto e começa a conversar com o corvo fazendo indagações e só ouvindo a mesma resposta para todas as suas perguntas: "Nunca Mais"(Nevermore). E a cada nova "resposta" do corvo vemos o homem enlouquecendo e pode ser que inconscientemente ele comece a fazer perguntas que se encaixem nessa resposta, levando o cada vez mais a melancolia.
O poema que começa com um tom sombrio vai acelerando o ritmo, tocando e emocionando o leitor. Eu confesso que se sou eu ali tinha matado aquele corvo de tanto nervoso que eu já estava dele só ficar repetindo a mesma coisa. Mas meu momento não se compara com o do personagem, que estava passando por um luto, então entendo suas perguntas cada vez mais desesperadas. E nesse diálogo o autor passeia entre o sobrenatural e a razão.
E você vai me perguntar, e ai o que achou? Bom, precisei ler não uma nem duas vezes, mas várias para me habituar e entender toda a beleza do poema e consegui ver sim o porque de ele ser tão famoso e tão elogiado até hoje, quase duzentos anos após ter sido escrito. E as imagens feitas por James Carling e que intercalam com o texto, ajudam totalmente a criar o clima proposto para a história. É uma obra que guardarei com carinho e orgulho de ter na minha estante, ainda mais com essa edição perfeita da Faro.
Sei que sempre falo aqui nas resenhas dos livros da editora que o livro é maravilhoso e muito bem feito, mas acredito que de todos os livros da Faro que tenho na minha estante, esse seja um dos mais impecáveis que já vi. A edição capa dura traz o poema traduzido nas paginas impares e o original nas pares, intercalando com as ilustrações. Tentei trazer um pouco da beleza do livro nas fotos que tirei, mas ficou longe do original.
E por fim só me resta indicar o livro para todos que gostam ou não de poemas. Eu me aventurei e fui muito feliz e acredito que seja uma obra que além de acrescentar à sua vida de leitor, ainda vai te proporcionar uma leitura satisfatória e tudo isso em uma edição de encher os olhos e que dá orgulho de se ter na estante.
Nota:







