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23 junho 2020

Resenha | Ruína e Ascensão - Leigh Bardugo


Livro: Ruína e Ascensão
Série: Trilogia Grisha #3
#1 - Sombra e Ossos
#2 - Sol e Tormenta
Gênero: Fantasia
Autora: Leigh Bardugo
Editora: Gutenberg
Páginas: 344
Ano: 2015

Contêm spoilers dos livros anteriores nos 3 primeiros parágrafos.

Resenha:
Em Sol e Tormenta vimos o Darkling mostrar todo seu poder ao destruir a capital de Ravka e matar quase todo o exército de Grishas comandado por Alina. Ninguém nem teve tempo de esboçar uma reação, já que o herdeiro do trono foi enganado e quando Nikolai percebeu o que seu irmão havia feito já era tarde demais. Em uma última tentativa de matar o Darkling Alina se conectou a ele através do colar do cervo e quase se matou junto, e perdeu todos os seus poderes no processo. Mas ela foi salva pelos fiéis do Apparat, que acreditam que Alina seja uma deusa e agora ela se encontra na Catedral Branca como uma prisioneira.

Alina vem definhando a olhos visto, já que não tem mais seus poderes. O curioso, e que ela mantêm em segredo absoluto, é que a luz se foi mas ao entrar em contato com as sombras do Darkling, ficou resquícios do poder dele nela e vez ou outra Alina consegue manipular as sombras. O Apparat quer uma Alina que não existe, dócil e subjugada a ele e para isso ele a afastou de todos seus amigos. Com tempo de sobra o que resta a Alina é estudar os livros sobre Ilya Morozova para tentar descobrir onde está o pássaro de fogo, e assim obter o terceiro amplificador como uma ultima esperança para derrotar de vez o Darkling.

Mas em um esforço conjunto Alina e seus amigos conseguem se livrar do Apparat e voltar para a superfície. O problema é que eles saem de uma prisão para o caos que Ravka se tornou. O Darkling fez do palácio de Ravka seu trono de sombras e quer a todo custo encontrar Alina, oferecendo recompensas e aterrorizando a todos que ficam em seu caminho. Enquanto isso acredita-se que Nikolai conseguiu fugir com o rei e sua família, porque o Darkling vem enfrentando a oposição de alguém com as mesmas características do príncipe destemido. E enquanto reza para encontrar o pássaro de fogo, Alina vai descobrir que sua ligação com o Darkling é maior do que ela pensava e derrotá-lo vai exigir um preço que talvez ela não esteja disposta a pagar.

"Nós havíamos feito a escolha sábia, feito a coisa certa. Eu tinha que acreditar que a lógica traria conforto com o tempo. Hoje à noite, havia apenas esse quarto silencioso demais, a dor da perda, o conhecimento profundo e decisivo como o toque de um sino: Algo bom se foi."

Final de trilogia ou série sempre fica aquela sensação esquisita, de como se tivesse sido arrancado algo da gente. Principalmente em livros de fantasia. Mesmo que a gente não tenha gostado inteiramente da história como foi o caso aqui. E olha que essa trilogia foi uma releitura. Mas a gente nunca está preparado para o final de nenhum livro, mesmo já sabendo o que vai acontecer. E terminei a trilogia com a mesma satisfação que senti na primeira vez que li ela. Mas assim como aconteceu da primeira vez, não pude dar nota máxima porque achei que faltou algo para essa história se tornar maravilhosa aos meus olhos.

Ainda mais em tempos que temos histórias como Trono de Vidro por exemplo para comparar. A história é boa, tem uma mitologia incrível, que como disse na resenha do livro anterior, nunca tinha lido nada da mitologia russa, os personagens são bem trabalhados, mas faltou um algo a mais para eu ficar completamente realizada. E também não posso dizer que gostei do final escolhido pela autora. Entendo, mas não gosto. E outra coisa que me incomodou muito foi ter os três livros narrados em primeira pessoa pela Alina. Quando temos livros de fantasia em primeira pessoa, a minha impressão é de que estou perdendo uma parte da história.


Outra coisa que achei que ficou a desejar foi a própria Alina em sua versão Conjuradora do Sol. Pelo tanto de poder que supostamente ela deveria ter, ela não fez quase nada nesse terceiro livro. Sempre tinha alguém salvando o dia por ela. E o tão esperado confronto entre Alina e o Darkling foi nhé. Mas a decepção personagem não ficou só por conta da Alina não. O Darkling como o grande vilão da história também pouco apareceu nesse ultimo livro. E se eu tive algum fascínio por ele no primeiro livro isso morreu de vez ao longo da trilogia. E não entendo como ainda tem gente que defende ele. Aliás entendo sim, é só ver o tanto de gente que defende algumas autoridades no nosso país por exemplo. Já sabe aquelas frases "os fins justificam os meios", "é para um bem maior" tão usadas e tão defendidas por muitos.

Agora quem me surpreendeu positivamente foi o Maly, que praticamente carregou esse terceiro livro nas costas. Ainda não gosto dele porque não engoli ele só descobrir que amava a Alina depois dela "aparecer" por assim dizer quando se descobriu Grisha. Mas gostei de suas atitudes durante todo o terceiro livro. E por fim outra pessoa que eu ainda amo de todo coração é o Nikolai, mas também achei ele meio apagadinho nesse livro em específico. Mas já sei que tem livro dele vindo por ai (espero que a Gutenberg ou quem for publicar não demore horrores para publicar aqui no Brasil). E por fim termino elogiando as edições do livro e indicando a trilogia para quem é fã de livros de fantasia. Apesar de não ter dado nota máxima para os livros, é um universo que amei e que pretendo continuar lendo.

Nota:









29 maio 2020

Resenha | Sol e Tormenta - Leigh Bardugo


Livro: Sol e Tormenta
Série: Trilogia Grisha # 2
#1 - Sombra e Ossos
Gênero: Fantasia
Autora: Leigh Bardugo
Editora: Gutenberg
Páginas: 365
Ano: 2014

Contêm spoilers do livro anterior.

Resenha:
Alina Starkov acreditava ser mais uma das muitas crianças normais que cresceu sem os pais, até o dia que atravessou a Dobra junto a seu melhor amigo Maly e salvou a vida dele ao liberar um poder até então desconhecido. Ela é uma Grisha, pessoas que nascem com um dom, e seu poder é único. Alina é uma Conjuradora do Sol e se torna a esperança de todos os habitantes de Ravka. O país é cortado ao meio por uma Dobra das Sombras, uma faixa espessa coberta pela escuridão onde habitam terríveis criaturas. E o poder de Alina pode ser o que faltava para acabar com a Dobra. Mas Alina descobriu que o Darkling, o líder dos Grishas, tinha intenção de usar o poder dela não para acabar com a Dobra e sim para aumentá-la e controlar todos ao seu redor.

Então para Alina só restou uma alternativa, fugir para o mais longe possível do Darkling e seus comandados. Já faz algumas semanas que ela e Maly vem conseguindo se manter incógnitos. Mas para isso Alina não pode usar seus poderes, o que tem deixado ela cada vez mais fraca. O contrário do que acontece com o Darkling, que quando emfim encontra Alina, está ainda mais forte e mais poderoso. Além de algumas cicatrizes, o Darkling saiu da Dobra com um novo tipo de poder, que Alina não sabe como enfrentar. Capturada novamente, quando Alina acorda ela descobre que está a bordo do navio do famoso corsário ravkano Sturmhond.

E o Darkling quer que Maly rastreie o açoite do mar, o dragão do gelo, um segundo amplificador de Morozova, para Alina usar junto ao colar do cervo. Numa reviravolta Alina consegue fugir do Darkling e agora com dois amplificadores. Mas existe um terceiro amplificador, e Alina quer encontrá-lo, pois só assim ela conseguira derrotar o Darkling de vez. Agora mais do que nunca já que Alina vai liderar o Segundo Exército depois que o Darkling se revelou um traidor. Alina se une ao Príncipe Nikolai para tentar libertar Ravka de vez da Dobra e do Darling e seus nichevo’ya. O problema é que metade das pessoas a veem como Santa e a outra metade como uma traidora e ganhar a confiança deles não será nada fácil, ainda mais que ela anda tendo algumas alucinações com o Darkling.

“Eu sabia que ele era um mentiroso experiente. Ele podia fingir qualquer emoção, jogar com qualquer falha humana. Mas eu não podia negar o que havia sentido em Novyi Zem, nem a verdade que o Darkling tinha me mostrado: minha própria tristeza, minha própria longevidade, refletida para mim em seus olhos cinza sem vida.”

Para quem não sabe eu fiz uma releitura da Trilogia Grisha e no primeiro livro acabei gostando mais da releitura do que na primeira vez que li ele. E nesse segundo livro a minha opinião e a nota foram a mesma da outra vez. Gostei muito do livro, mas teve algumas coisas que me incomodaram bastante, principalmente um certo personagem que podia ganhar o premio de babaca do ano. A história criada pela autora é incrível, a mitologia presente, eu particularmente não lembro de outros livros que tenham mitologia russa neles. Mas a autora comete o mesmo erro de muitos autores do gênero. Em vez de focar na história em si, passam-se páginas e páginas enrolando em um romance que podia passar sem.

Como disse na resenha do livro anterior, Alina não se compara à algumas protagonistas do gênero como a Aelin, Amani, Mia e Kestrel (citei as mais recentes do gênero que eu li), mas pelo menos ela não é aquela personagem chata que narra a história e torna ela enfadonha. Ela tem defeitos sim, mas sua coragem e senso de justiça compensam eles. Mas não posso deixar de mencionar o quanto de decisões erradas essa garota toma. Tem coisas que está ali na cara dela e somente ela que não enxerga. Mas ainda acredito nela e espero que no terceiro livro ela seja a heroína que todos esperam. Agora o que me irrita mesmo é o amor todo que ela diz sentir pelo Maly. Isso até a página dois porque é só algum outro cara dar um pouquinho de atenção e ela já esquece que ama ele.

Como me irritei com esse bromance todo que a autora resolveu colocar no livro. E esse foi o motivo de eu não ter dado nota máxima para ele. Em vez de explorar o universo todo que ela tinha em mãos ficou lá no drama da relação da Alina e do Maly. Eu confesso que tentei gostar dele pelo tanto que a Denise (Queria Estar Lendo) defende o personagem. Mas não deu. Eu não consigo ver amor entre eles. Maly diz amar uma Alina que não existe. Ele quer ela mas sem a parte da Conjuradora, ele não entendeu que a Alina é uma Grisha, que isso faz parte dela, que não tem como fingir que ela é a única esperança de todos. Dai fica lá fazendo ceninha de ciúmes e outras coisas que me fizeram querer entrar no livro e dar uma surra nele.

E ainda mais que temos o Nikolai ali pertinho para comparar. Nikolai que apareceu nesse segundo livro e já é meu personagem favorito da trilogia. Ele é charmoso, tem um encanto natural que ganha todo mundo ao seu redor. E é inteligente. Tudo o que ele faz é estratégico, pensando no bem do seu país. O oposto do Maly. E temos o Darkling que pouco apareceu, mas quando o fez foi para abalar as estruturas. E diferente do final do primeiro livro que teve uma espécie de calmaria para os personagens, nesse segundo temos um final de arrancar os cabelos e preciso partir para o terceiro agora. E olha que já li ele e sei como termina essa história hehe. Quanto a capa, achei meio repetitiva, mas gosto da edição como um todo.

Nota:










20 janeiro 2020

Resenha | Sombra e Ossos - Leigh Bardugo


Livro: Sombra e Ossos
Série: Trilogia Grisha #1
Gênero: Fantasia
Autora: Leigh Bardugo
Editora: Gutenberg
Páginas: 288
Ano: 2013

Resenha:
Alina Starkov e Maly Oretsev se conhecem desde criança. Eles cresceram juntos no orfanato do Duque Keramsov, local que recebe crianças que perderam seus pais na guerra. Os dois sempre foram muito amigos e para Maly eles continuam sendo. Só que Alina tem outro tipo de sentimento pelo melhor amigo e sofre ao ver o sucesso que ele faz com as outras mulheres. E Maly chama a atenção já que é o melhor rastreador do primeiro exército de Ravka. Assim que deixaram o orfanato os dois entraram em treinamento para o exército e enquanto Maly se destaca entre os rastreadores, Alina trabalha como Cartógrafa, coisa que ela nem é tão boa assim.

Os dois estão prestes a entrar na Dobra das Sombras, ou Não Mar, uma faixa escura coberta com uma espécie de névoa preta que divide Ravka e onde habitam os terríveis volcras, criaturas que atacam qualquer um que tente atravessar a Dobra sem proteção.A Dobra foi criada há muitos anos por um dos Darkling, que é o título dado ao líder dos Grishas, pessoas com habilidades que fazem parte do segundo exército. Todas as crianças ao completarem oito anos são testados e os que tem alguma habilidade são levados para treinar com os Grishas, que são divididos em: Corporalki, a ordem dos vivos e dos mortos, os Ethealki a ordem dos conjuradores e os Materialki, a ordem dos fabricadores.

A travessia é perigosa porque grande parte dos que entram no Não Mar não saem vivos. Alina nem conseguiu dormir no dia anterior de tanto medo. E ela estava certa em seu temor porque logo que entram na Dobra, eles são atacados. Maly fica entre a vida e a morte e Alina corre para tentar salvar a vida do amigo. É quando ela e todos descobrem que Alina é um Grisha e não um qualquer, mas uma Conjuradora do Sol, talvez a única capaz de acabar de vez com a Dobra das Sombras. Alina é levada as pressas para o palácio onde vai treinar seu dom. Sozinha sem saber se Maly sobreviveu ao ataque Aline vai se aproximar da única pessoa que lhe dá alguma atenção, o Darkling. E vai descobrir que era muito melhor quando as pessoas ignoravam sua existência.

"Eu chamei e a luz respondeu. Senti a luz fluindo de mim em todas as direções. Eu a senti por toda a parte. Abri as minhas mãos e a luz floresceu direto de mim. Ela me envolveu, resplandecendo com calor, mais poderosa e mais pura do que nunca, porque ela era toda minha. Eu queria rir, cantar, gritar. Finalmente havia algo que pertencia total e completamente a mim."

Eu já tinha lido esse livro anos atrás e resolvi reler agora para dar continuidade nas outras séries da autora que se passam no mesmo universo. E também porque a história virou série e quero ler tudo antes de assistir. E confesso que gostei mais da releitura do que na primeira vez que eu li o livro. Mas mantive a mesma nota por alguns pontos que deixaram a desejar. Tem gente que não gosta de releituras por já saber o que vai acontecer. Mas eu gosto porque na primeira vez que a gente lê não se atenta tanto aos detalhes que só conseguimos ver em uma segunda leitura. E principalmente quando o livro é de fantasia e o autor cria um mundo completamente diferente do que a gente está acostumado.

Mas é claro que não tem mais aquela surpresa e já sabemos quais são as reviravoltas e quem é o mocinho e quem é o bandido de verdade. Mas isso não me incomodou e caí na lábia de um fulano novamente. Quem leu sabe de quem estou falando. Se tem uma coisa que a autora sabe criar são personagens incríveis e até os ditos vilões são tão sedutores que a gente acaba caindo na deles e por mais que a gente saiba que o que eles estão fazendo é errado, não tem como não ficar aquela pontinha de esperança de que não é aquilo mesmo de verdade e que suas motivações são outras. E olha que já li a trilogia e sei que não é nada disso hehe.


A Alina é um personagem que gosto bastante. Se for comparar ela com outras personagens de livros do gênero ela está aquém delas, mas é uma personagem muito interessante. Ainda bem porque o livro é em primeira pessoa pelos olhos dela e se ela fosse uma personagem chata a história se tornaria extremamente cansativa. É claro que no começo do livro ela fica deslumbrada por tudo o que encontra no palácio ao descobrir ser uma Grisha, mas ela continua a mesma de antes. E também me irritei muito com uma decisão dela quase no final do livro, mas isso já é comum de acontecer, as protagonistas sempre fazem alguma burrada, até porque se não fosse assim não teríamos um segundo livro.

Agora quem me deixou no limite foi Maly. Ele nunca nem olhou para a Alina antes dela se descobrir Grisha e ainda ficava esfregando suas conquistas na cara da coitada. Dai é só ela se tornar o centro de tudo e ele se descobre apaixonado por ela? Me poupe. Quanto ao Darkling ele é aquele tipo de personagem envolto em uma aura de mistério que a gente quer saber mais sobre, e a autora só fica soltando alguma informação aqui e outra ali. E além dos personagens incríveis ainda temos o universo criado pela autora, que a gente quer saber mais a cada página virada. Mas não vou falar muito mais sobre a história porque ele é daqueles livros que o interessante é ir descobrindo as coisas conforme vamos lendo. E para finalizar tenho que elogiar a edição que está impecável.

Nota:










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