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26 junho 2016

Falando sobre...


Literatura de cordel
Hoje conversando com um amigo sobre cotas universitárias, diferenças entre classes, etnia e deficiência física. Cheguei em um assunto que gostaria de abordar com vocês. A segregação regional.

Eu nasci na capital de São Paulo e por lá vivi grande parte da minha vida. Sou filha de nordestinos, esses nasceram no interior do Rio Grande do Norte. Sendo assim sou nordestina também? Uns anos atras eu diria que não, afinal o legal é dizer que seus familiares são da Europa ou qualquer outro lugar fora do Brasil. Portanto hoje respondo que sou Paulistana/Potiguar e com todo orgulho!

Dizem as más línguas por aí que nordestino é um povo preguiçoso, burro e "sangue nos zoios"  (infelizmente). Mas venho aqui dizer que esse mesmo povo, é sim muito trabalhador. Acordam normalmente muito cedo (o sol lá nasce as 5:30 da manhã) e não desperdiçam suas manhãs sentados em um sofá assistindo televisão pelo contrario, as mulheres preparam aquele café quentinho que perfuma a casa e a tapioca já está na mesa, os homens vão ao trabalho em um sol quente desde cedo. O almoço sai no horário e apos uma refeição gostosa, todos se deitam em uma rede no alpendre para descansar. Claro que essa rotina não se enquadra em todas as famílias, pois hoje vivemos em tempos modernos. Existe hoje vários empregos em diversas áreas com profissionais qualificados (da própria região) Mas quero deixar claro que mesmo aquele que não é agricultor é uma pessoa que se esforça todos os dias para conquistar sempre o melhor.

Esse mês de Maio puder ir ao nordeste apos 6 anos, especificamente em Mossoró e Natal. E sempre ouvi historias sobre meu avô. Ele morou durante anos com sua esposa em uma serra (Serra do Cuó ver) e lá teve alguns filhos. Nessa viagem tentei subir essa mesma serra, não foi possível concluir a subida, mas durante todo o trajeto fui pensando em como era difícil viver ali. Meu avô assim como outros, vivia de matar cobras e retirar a pele para vender em feiras locais, dessas peles eram feitas roupas, sapatos e chapéus, Roupa de pele em um calor de quase 40º ??? Sim! a mata é seca e corta com facilidade a pele. Graças a Deus meu avô não precisou viver até a velhice na caça e na lavoura, meus tios se mudaram pra SP e ajudaram desde sempre.

Ao conversar com as pessoas que lá vivem, com seu sotaque tão peculiar e gostoso sim de ouvir. Vemos que aqueles que não tiveram a oportunidade de ensino, são tão sábios quanto nós que temos acesso a informação. Como diz minha tia "- É o conhecimento que Deus dá". Usam palavras que por nós muitas vezes foi esquecida mas que está lá em nosso dicionario e não usamos.

O povo é valente sim!!! Pra enfrentar aquele sol quente todos os dias tem que ser muito valente para manter o bom humor e gana de vencer mais um dia. Brigam pelo o que acreditam e não é uma "assombração" que os fará desistir dos sonhos.

No final do dia, ainda tem o prazer de sentar em cadeiras na calçada de suas casas, e conversar sobre o passado, o dia e sonhar com o futuro, rir das mazelas e contemplar uma noite de lua com suas estrelas e de brinde uma brisa fresca que acalenta o corpo cansado.

Um povo rico em cultura, gastronomia unica, praias maravilhosas, lugares incríveis, pessoas dispostas a um bom papo e um delicioso suco de cajarana...  São tantas coisas para dizer e se orgulhar que um simples post seria pouco.

Hoje eu estou aqui exaltando essa cultura e o povo nordestino, pois é de onde vim e sou. Faça o mesmo, independente do lugar de onde seus ancestrais nasceram ou onde você vive. Valorize o que é seu, o que é nosso... o nosso País!

Ah! e para aqueles que ainda torcem o nariz... Desculpa mais a escola que você estuda, o prédio em que você mora, o shopping onde você frequenta... são nordestinos que vieram tentar a sorte na cidade grande para sustentar e ajudar seus familiares, que os construíram. Sem contar nomes de grandes mestres na literatura, cinema, musica e etc.


Praia de Emabuelas - Tibau/RN.
Dá pra perceber a praia quase deserta e limpa? 
Planta regional - Palma. Os espinhos dessa planta são tão fininhos que se tocar vc fica incomodado o dia todo

conversa no alpendre, fé, feira local e o sertão nordestino.


Maquina de escrever utilizada por Câmara Cascudo. 
Cidade de Natal/RN

Ao fundo Serra do Cuó -  Campo Grande/RN

Esse texto dedico a todos os sertanejos.



Principalmente aos meus avos José Eduardo e Maria Olímpia (in memoria)


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