Livro: A Heroína da Alvorada
Série: A Rebelde do Deserto #3
Gênero: Fantasia
Autora: Alwyn Hamilton
Editora: Seguinte
Páginas: 384
Ano: 2018
Contêm spoilers dos livros anteriores nos 3 primeiros parágrafos.
Resenha:
Quando conhecemos Amani ela era mais uma das muitas mulheres oprimidas pelo machismo que impera em Miraji, e sonhava em ser livre um dia. E quando a situação que estava ruim fica insustentável, ela precisa fugir e faz isso com a ajuda de Jin, um forasteiro que ela acabou de conhecer e que depois ela descobre ser um dos muitos filhos do sultão que está aliado a Ahmed, o herdeiro legitimo do sultão, mas que foi acusado pelo pai de traição e está promovendo uma rebelião no deserto para tirar o trono da tirania do pai. Amani se junta a rebelião e ainda descobre que não é humana e sim uma demdji, filha de um imortal Djinni, e que tem o poder de controlar a areia do deserto.
E quando Amani e os outros rebeldes acham que estão ganhando terreno, ela é traída por alguém que menos espera e acaba presa no palácio do sultão, que descobre seu nome verdadeiro controlando assim a vontade de Amani. Mas Amani está presa dentro do palácio e usa isso a favor da rebelião. Ela encontra outros rebeldes dentro do palácio e amigos de sua antiga vila que ela achava estarem mortos. Mas o sultão é mais inteligente do que Amani supôs e novamente eles são traídos e a maior parte da liderança dos rebeldes são presos e o príncipe Ahmed é executado na frente de todos. O que ninguém sabe é que não foi Ahmed que morreu e sim um dos demdji se passando por ele. E agora resta a Amani liderar o que restou dos rebeldes em uma ultima tentativa de sobrevivência.
A primeira coisa que eles precisam fazer é libertar os que foram pegos. Mas eles mal tem tempo de se reorganizar e o sultão já está um passo a frente deles. Segundo a bussola de Jin, que faz par com a que está com Ahmed, eles não estão mais em Isman. E quando pensam em sair da cidade eles descobrem que o sultão colocou um muro de fogo que impede tanto a saída deles, como a entrada dos exércitos inimigos que estão cercando a cidade. Mas tem uma pessoa que sabe de todos os planos do sultão e é responsável por eles funcionarem: a princesa Leyla. Amani sequestra Leyla e descobre como sair da cidade e também o local para onde os rebeldes capturados foram levados: Eremot, local onde segundo a lenda, está aprisionada a Destruidora de Mundos. E cada dia que passa Amani tem ainda mais dúvidas de se tomou a decisão certa em se oferecer para liderar o grupo de rebeldes.
"Estávamos enfrentando um homem que tinha exércitos e fogo djinni ao seu dispor. E o que eu era? Ninguém. Uma garota com uma arma vinda dos confins do deserto. Para a maioria das pessoas, sequer tinha um nome. Era somente a Bandida de Olhos Azuis."
Terminei, mas não queria ter terminado. Sabe quando você começa o livro e quer ler tudo de uma vez para saber o final, mas ao mesmo tempo quer ler bem devagarzinho para não ter que se despedir da história e dos personagens? Posso dizer sem sombra de dúvida que essa trilogia foi uma das melhores que li na vida e esse ultimo livro foi um dos melhores, se não o melhor, do ano. Que final foi esse? Eu tenho que tirar o meu chapéu para autora porque faz tempo que eu não lia um livro com um final tão perfeito quanto esse. É tão fácil se perder no final da história, as vezes por não saber como terminar mesmo, ou pela história ter crescido tanto e o autor não consegue fechar todas as pontas soltas. Mas aqui não, a autora terminou a história com mestria.
Amani e Jin são perfeitos juntos. E estou tão apaixonada pelo Jin que eu até chorei porque ele não é real. Ele é meu crush atual. E o engraçado é que as partes românticas do livro são menos de 5% da história. Mas quando elas acontecem é como se os sentimentos pudessem ser tocados, de tão lindos que são. Chega a dar um nó na garganta e um aperto no peito ao ler as cenas que os dois interagem romanticamente. E elas são apenas isso, românticas, porque não tem cenas hots, nem nada do tipo. Mas é tudo de uma delicadeza que contrasta com a dureza da guerra que eles estão vivendo.
"Tínhamos nos beijado uma centena de vezes antes. Mas aquela pareceu diferente. O beijo parecia de novo o primeiro (...). Quando tudo em mim pareceu ter despertado sob suas mãos. Quando ele transformou minha faísca em fogo, sem que eu entendesse como alguém tinha poder suficiente para fazer isso comigo."
Amani é uma personagem que me conquistou desde o primeiro momento em que conheci ela. É incrível ver como ela mudou e cresceu ao longo dos livros. E nesse terceiro livro dá para perceber bastante o quanto ela mudou para melhor, porque suas decisões não são as mesmas lá do começo dessa jornada. E eu queria bater nela algumas horas por causa dessas decisões, mas ao mesmo tempo ficava orgulhosa ao ver o quanto ela estava sendo correta e leal, e em vez de bater nela queria era dar os parabéns. Coisa que aliás o Jin fazia por mim porque ele foi de um apoio irrestrito as escolhas dela. Mesmo quando ele não concordava, ele não a julgava nem lhe virava as costas.
Uma coisa que amei nessa trilogia foi que todos os personagens tiveram seu espaço na história. Estou cansada de ver autores que criam personagens só para fazer figuração. Aqui, todos que apareceram ao longo dos livros teve seu motivo para estar ali. E como chorei quanto precisei me despedir de alguns deles. São personagens que vou levar no meu coração. E para não falar somente do casal protagonista, quero falar um pouco sobre Shazad. Que emoção ao ver a amizade entre ela e Amani. Shazad é uma guerreira, e por vezes salvou a vida de todo mundo. Mas ao mesmo tempo ela é tão humana quanto Amani e assim como Amani, ela erra. Mas as duas não perdem a esperança em nenhum momento, por mais dificil que seja a situação apresentada. E o livro fala bastante sobre esperança, mesmo que a luta já pareça perdida, ainda vale a pena lutar por aquilo que se acredita.
E sobre a mitologia, esse terceiro livro foi o que mais teve. Amani interage boa parte da história com um djinni e é muito legal acompanhar a inteiração entre eles, com Amani tentando ser mais esperta que muitos antes dela, que tiveram seus desejos realizados, mas que foram enganados pela colocação das palavras. Acho que se tivesse que falar algo de "mal" do livro foi que queria muito ter lido algumas passagens pelos olhos de outra pessoas sem ser o de Amani. Algumas partes da história mesmo, seriam muito melhores se tivesse a narração de qualquer um deles. Mas isso é só um detalhe. E outra coisa que amei é que no final temos uma espécie de visão do futuro e amei tudo o que o destino reservou para os personagens. A capa e a edição seguem o mesmo padrão de qualidade dos dois livros anteriores. E para finalizar, preciso recomendar a trilogia a todos que curtem o gênero e para quem quer se aventurar nele também.
Nota:












