Livro: Good Omens: Belas Maldições
Série: Não
Gênero: Humor, Fantasia
Autores: Neil Gaiman, Terry Pratchett
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 364
Ano: 2019
Resenha:
O demônio Crowley e o anjo Aziraphale estiveram na mesma missão lá no início da criação, no Jardim do Éden. Como nenhum dos dois conseguiu cumprir sua missão decentemente, Aziraphale até perdeu sua espada flamejante no processo, eles tiveram que permanecer na Terra. E de uma forma meio estranha, já que são inimigos declarados, aquela coisa da guerra entre anjos e demônios, os dois acabaram virando amigos. Milhares de anos depois, eles estão bem satisfeitos com suas vidas. Crowley dirige um Bentley preto 1926 enquanto ouve os maiores sucessos do Queen fazendo uma maldade aqui e outra ali. Já Aziraphale tem um sebo onde faz o que pode para não vender nenhum livro, já que na verdade ele gosta de colecioná-los.
O que eles nem imaginam é que existe um plano arquitetado para acabar com o mundo e dar inicio a guerra entre o Paraíso e o Inferno, e Crowley terá um papel fundamental nesse plano: é ele quem vai dar o pontapé inicial entregando o prometido a seu devido destino. Crowley leva o bebê, o Anticristo, para o hospital onde funciona a Ordem Faladeira de Santa Beryl, um grupo de freiras que são em sua maioria satanistas. O Anticristo deveria ser criado por um diplomata americano, mas a freira responsável pela troca dos bebês, acaba fazendo uma confusão e o pequeno Anticristo acaba indo parar nos braços de um casal desconhecido que vive em uma cidadezinha do interior. Porém tanto Crowley como Aziraphale não estão nada contentes com a aproximação do Apocalipse, até porque não importa quem vai vencer essa guerra, nem o Céu, nem o Inferno são bons lugares para se passar a eternidade.
Então eles fazem um acordo para impedir o fim do mundo. Aziraphale envia sua equipe para a casa do bebê do diplomata e faz o que pode para colocar bondade no coração da criança, sem saber que o bebê foi trocado pela freira. Mas eles começam a estranhar o comportamento do garoto e só quando ele completa onze anos e o Cão do Inferno não vem até ele, que eles percebem que estavam monitorando a criança errada. Agora eles precisam encontrar o Anticristo e a única pista deles é o hospital das freiras. Quase chegando ao local eles atropelam sem querer Anathema Device, a descendente da bruxa Agnes Nutter, que escreveu o único livro com profecias justas e precisas sobre o fim do mundo. E eles nem imaginam que o Anticristo está mais perto do que eles pensam. Seu nome é Adam Young e ele é líder dos Eles.
“Isso era o que alguns humanos achavam difícil de entender. O Inferno não era um grande reservatório de maldade, não mais do que o Céu, na opinião de Crowley, era uma fonte de bondade; eles eram apenas lados no grande xadrez cósmico. Onde se encontrava a coisa em si, a verdadeira graça e a verdadeira treva da maldade, era bem no interior da mente humana.”
Eu já li alguns livros do autor Neil Gaiman que infelizmente não gostei, e quando esse livro chegou aqui e vi que era dele, meio que desanimei e já achei que não ia gostar. Mas então lembrei de uma pesquisa que respondi algum tempo atrás onde assisti o primeiro episódio de uma nova série chamada Good Omens e que gostei bastante, e dai que me toquei que a série era baseada nesse livro que eu tinha em mãos. Então já me animei em ler novamente. E logo em seguida eu vi a Tamires falando sobre um projeto de Leitura Coletiva do livro e resolvi participar. Foi minha primeira experiencia em uma leitura coletiva e achei bacana, mesmo nem metade do povo que se inscreveu tendo lido o livro realmente. A leitura foi dividida em três partes, das quais a primeira eu amei, a segunda achei que perdeu um pouco o ritmo e a terceira gostei bastante.
Sem dúvida nenhuma as estrelas dessa história são os anjos Crowley e Aziraphale e a impressão que dá é que a história foi construída depois que os personagens foram criados e que o livro foi criado para contar a história deles. Os dois são maravilhosos juntos e toda vez que aparecem, eles roubam a cena. E os diálogos entre eles são ótimos. Os autores usaram dos personagens para criticar tanto o fim do mundo descrito pelas religiões, como a mania que todos temos de querer justificar o que existe de errado no mundo jogando a culpa nos demônios e no "mal". Aqui temos um anjo que não tem somente bondade dentro de si e um demônio que não é feito somente de maldade. E tudo isso regado a um excelente humor.
A história é hilária do começo ao fim, desde a trapalhada dos dois lá no Éden, a troca dos bebês pelas freiras e os dois se unindo para não deixar o mundo acabar. Outros personagens que gostei bastante foram os Eles, o grupo de amigos do qual o Anticristo faz parte. É bem legal ver a interações entre eles e a amizade que os une. Quem também chama atenção é Anathema e suas tentativas de desvendar as justas e precisas profecias que de precisas não tem nada. E só não dei nota máxima para a história porque achei que os quatro cavalheiros do Apocalipse e os Caçadores de Bruxas foram personagens que deixaram um pouco a desejar e suas participações na história foram as mais mornas. Mas como um todo a história vale muito a pena, por isso indico a todos que querem dar boas risadas e conhecer dois personagens incríveis que com certeza se tornaram meus queridinhos.




