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31 outubro 2020

Resenha | Coraline - Neil Gaiman

Livro: Coraline
Série: Não
Gênero: InfantoJuvenil, Terror
Autor: Neil Gaiman
Editora: Intrínseca
Páginas: 224
Ano: 2020

Resenha:

Coraline acabou de se mudar para uma casa nova com seus pais. Na verdade é um apartamento, já que a velha casa grande foi dividida em vários partes. No andar abaixo do de Coraline, no térreo, vivem a srta. Spink e a srta. Forcible, duas velhas gorduchas que no passado já foram atrizes e elas dividem o espaço com inúmeros cachorros velhinhos da raça terrier escocês. Já no apartamento acima mora um velho doido com um bigodão, que diz estar treinando uma trupe de ratos de circo. E o apartamento que divide o andar com o de Coraline está vazio. Sem ter nenhuma criança por perto para brincar, Coraline passa seu tempo explorando. Nas primeiras duas semanas após a mudança ela se dedicou a conhecer o jardim e suas imediações em busca de animais. 

Foi assim que ela conheceu um gato preto que fica sempre nos muros ou nos troncos das arvores observando-a, mas foge toda vez que a menina se aproxima querendo brincar. Mas então o tempo mudou e um belo de um temporal obrigou Coraline a ficar dentro de casa. Entediada Coraline aceitou o conselho do seu pai que disse para ela contar todas as janelas e portas da casa e foi quando ela descobriu a porta grande talhada em madeira escura na sala de visitas, que abre para uma parede de tijolos, que sua mãe diz ser a parede que divide os apartamentos. E Coraline fica tão impressionada que de noite acaba ouvindo um barulho e sem saber se está sonhando ou não, ela vê alguma coisa se movendo até aquela mesma porta. No dia seguinte a chuva parou, mas uma névoa branca e espessa estava sobre a casa e Coraline ainda não pode continuar sua exploração e vai visitar as srtas. 

Elas leem seu futuro nas folhas do chá e avisam que Coraline corre perigo e lhe dão uma pedra com um furo no meio para sua proteção. O engraçado é que antes disso o velho doido disse que seus ratos mandaram um recado para Coraline, que ele não atravesse a porta. Mas Coraline não lembra de nada disso quando fica sozinha em casa e entediada resolve abrir a porta, que dessa vez não dá para uma parede de tijolos e sim para um corredor escuro. E ao entrar nele Coraline se depara com um mundo muito parecido com o seu, tem até seus pais, só que seus olhos parecem grandes botões pretos. Tudo por lá é mais interessante e Coraline recebe a proposta de viver lá para sempre, ela só precisa deixar sua outra mãe costurar botões no lugar dos seus olhos. Coraline consegue escapar, mas ao voltar para sua casa verdadeira, seus pais desapareceram. 

"Coraline respirou fundo e mergulhou na escuridão onde vozes estranhas cochichavam e ventos distantes uivavam. Ela tinha certeza de que havia algo no breu atrás dela: alguma coisa muito velha e muito lenta. Seu coração disparou. Batia com tanta força e tão alto que ela temeu que pudesse explodir em seu peito."

Quem acompanha o blog já sabe que o Gaiman figura entre os autores que todo mundo ama e eu não. Já li quatro livros dele e não consegui gostar de nenhum. Mas sempre tive a curiosidade de ler Coraline e quando a Intrínseca lançou essa edição maravilhosa eu decidi me aventurar. E para minha surpresa eu amei o livro. Mas não sei se recomendaria ele para uma criança não. Especialmente se for uma criança medrosa como eu era. Tem algumas cenas aterrorizantes e que com certeza vai deixar a criança sem dormir de noite. Mesmo que a mensagem que o livro passa seja sobre a coragem. Então por isso, a não ser que seja uma criança já acostumada com histórias de terror, eu recomendaria ele para os adolescentes e para os adultos, porque não?

Coraline é como toda criança: curiosa. Ainda mais quando chega em um lugar desconhecido. Claro que já vamos brincar de explorar tudo no local. E ainda temos que levar em conta que ela não tinha outra criança para brincar com ela, então a imaginação tem que fazer seu serviço. E imaginação Coraline tem de sobra. E é engraçado ler um livro infantil onde temos um personagem não confiável. Estou acostumada a ver isso em livros adultos de suspense. Mas Coraline é assim, tanto que no final fica aquela pequena dúvida de que se tudo aquilo aconteceu mesmo ou foi somente sua imaginação.  

E um dos pontos fortes do livro são seus personagens, desde os pais meio ausentes, aos vizinhos excêntricos. Logo que os conhecemos já sabemos que o autor tinha muito a explorar com eles. E ainda tem os pais do outro lado, que a princípio são tudo que os pais de verdade de Coraline não são, o que deixa a garota tentada. Mas como tudo tem seu preço, a verdade era bem diferente da apresentada. Outra coisa que gostei bastante foi que o autor retratou a figura do gato preto como uma coisa boa, o que é bom para desmistificar a imagem que todos tem do gato preto, principalmente em histórias de terror.

Quanto a edição estou sem palavras para descrever o quanto o livro ficou deslumbrante. É capa dura, o miolo e a fita de marcar a página é na cor roxa e dentro também temos detalhes na mesma cor. Sem falar nas ilustrações perfeitas de Chris Riddell que dão o tom necessário para a história. Recentemente descobri que o livro tem uma adaptação, mas como todas, diverge bastante do original, então nem sei se vou assistir. E finalizo essa resenha indicando o livro para todos que gostem do gênero. Ele é bem curto e ideal para ser lido nesse mês de outubro, para quem curte livros temáticos.

Nota:








17 junho 2019

Resenha | Good Omens: Belas Maldições - Neil Gaiman, Terry Pratchett


Livro: Good Omens: Belas Maldições
Série: Não
Gênero: Humor, Fantasia
Autores: Neil Gaiman, Terry Pratchett
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 364
Ano: 2019

Resenha:
O demônio Crowley e o anjo Aziraphale estiveram na mesma missão lá no início da criação, no Jardim do Éden. Como nenhum dos dois conseguiu cumprir sua missão decentemente, Aziraphale até perdeu sua espada flamejante no processo, eles tiveram que permanecer na Terra. E de uma forma meio estranha, já que são inimigos declarados, aquela coisa da guerra entre anjos e demônios, os dois acabaram virando amigos. Milhares de anos depois, eles estão bem satisfeitos com suas vidas. Crowley dirige um Bentley preto 1926 enquanto ouve os maiores sucessos do Queen fazendo uma maldade aqui e outra ali. Já Aziraphale tem um sebo onde faz o que pode para não vender nenhum livro, já que na verdade ele gosta de colecioná-los. 

O que eles nem imaginam é que existe um plano arquitetado para acabar com o mundo e dar inicio a guerra entre o Paraíso e o Inferno, e Crowley terá um papel fundamental nesse plano: é ele quem vai dar o pontapé inicial entregando o prometido a seu devido destino. Crowley leva o bebê, o Anticristo, para o hospital onde funciona a Ordem Faladeira de Santa Beryl, um grupo de freiras que são em sua maioria satanistas. O Anticristo deveria ser criado por um diplomata americano, mas a freira responsável pela troca dos bebês, acaba fazendo uma confusão e o pequeno Anticristo acaba indo parar nos braços de um casal desconhecido que vive em uma cidadezinha do interior. Porém tanto Crowley como Aziraphale não estão nada contentes com a aproximação do Apocalipse, até porque não importa quem vai vencer essa guerra, nem o Céu, nem o Inferno são bons lugares para se passar a eternidade.


Então eles fazem um acordo para impedir o fim do mundo. Aziraphale envia sua equipe para a casa do bebê do diplomata e faz o que pode para colocar bondade no coração da criança, sem saber que o bebê foi trocado pela freira. Mas eles começam a estranhar o comportamento do garoto e só quando ele completa onze anos e o Cão do Inferno não vem até ele, que eles percebem que estavam monitorando a criança errada. Agora eles precisam encontrar o Anticristo e a única pista deles é o hospital das freiras. Quase chegando ao local eles atropelam sem querer Anathema Device, a descendente da bruxa Agnes Nutter, que escreveu o único livro com profecias justas e precisas sobre o fim do mundo. E eles nem imaginam que o Anticristo está mais perto do que eles pensam. Seu nome é Adam Young e ele é líder dos Eles. 

“Isso era o que alguns humanos achavam difícil de entender. O Inferno não era um grande reservatório de maldade, não mais do que o Céu, na opinião de Crowley, era uma fonte de bondade; eles eram apenas lados no grande xadrez cósmico. Onde se encontrava a coisa em si, a verdadeira graça e a verdadeira treva da maldade, era bem no interior da mente humana.” 

Eu já li alguns livros do autor Neil Gaiman que infelizmente não gostei, e quando esse livro chegou aqui e vi que era dele, meio que desanimei e já achei que não ia gostar. Mas então lembrei de uma pesquisa que respondi algum tempo atrás onde assisti o primeiro episódio de uma nova série chamada Good Omens e que gostei bastante, e dai que me toquei que a série era baseada nesse livro que eu tinha em mãos. Então já me animei em ler novamente. E logo em seguida eu vi a Tamires falando sobre um projeto de Leitura Coletiva do livro e resolvi participar. Foi minha primeira experiencia em uma leitura coletiva e achei bacana, mesmo nem metade do povo que se inscreveu tendo lido o livro realmente. A leitura foi dividida em três partes, das quais a primeira eu amei, a segunda achei que perdeu um pouco o ritmo e a terceira gostei bastante.

Sem dúvida nenhuma as estrelas dessa história são os anjos Crowley e Aziraphale e a impressão que dá é que a história foi construída depois que os personagens foram criados e que o livro foi criado para contar a história deles. Os dois são maravilhosos juntos e toda vez que aparecem, eles roubam a cena. E os diálogos entre eles são ótimos. Os autores usaram dos personagens para criticar tanto o fim do mundo descrito pelas religiões, como a mania que todos temos de querer justificar o que existe de errado no mundo jogando a culpa nos demônios e no "mal". Aqui temos um anjo que não tem somente bondade dentro de si e um demônio que não é feito somente de maldade. E tudo isso regado a um excelente humor.


Eu li algumas resenhas do livro, que já havia sido publicado por aqui pela mesma editora, só que com outra capa, e algumas falam sobre o livro lembrar muito o estilo de Douglas Adams e seu Guia do Mochileiro das Galáxias, de quem Neil Gaiman já declarou ser fã, e de a história ter referências a isso. Como eu não li nada dele, não sei dizer se isso procede. E falando na capa nova, eu particularmente não gosto de capas de filmes ou série, mas aqui eu amei já que quem está nela são os atores David Tennant e Michael Sheen, que trouxeram brilhantemente a química dos personagens do livro para a série. A série como um todo ficou espetacular e até o diálogos são iguais aos do livro. Por isso recomendo que assim que ler o livro, assistam a série.

A história é hilária do começo ao fim, desde a trapalhada dos dois lá no Éden, a troca dos bebês pelas freiras e os dois se unindo para não deixar o mundo acabar. Outros personagens que gostei bastante foram os Eles, o grupo de amigos do qual o Anticristo faz parte. É bem legal ver a interações entre eles e a amizade que os une. Quem também chama atenção é Anathema e suas tentativas de desvendar as justas e precisas profecias que de precisas não tem nada. E só não dei nota máxima para a história porque achei que os quatro cavalheiros do Apocalipse e os Caçadores de Bruxas foram personagens que deixaram um pouco a desejar e suas participações na história foram as mais mornas. Mas como um todo a história vale muito a pena, por isso indico a todos que querem dar boas risadas e conhecer dois personagens incríveis que com certeza se tornaram meus queridinhos.

Nota:












18 agosto 2016

Resenha | João & Maria - Neil Gaiman


Livro: João & Maria
Série: Não
Gênero: Contos, Releitura
Autor: Neil Gaiman
Ilustrador: Lorenzo Mattotti
Editora: Intrínseca
Páginas: 56
Ano: 2015

Resenha:
Há muito tempo atras as pessoas viviam a margem de uma grande floresta. Uma dessa pessoas era um lenhador que entrava na floresta, cortava as árvores e fazia lenha para vender. Ele se casou e logo nasceu uma menina, Maria. Depois veio um menino, João. Só que o serviço de lenhador não dava muito dinheiro e eles viviam tendo que economizar. Mas ai aconteceu a guerra e o que já era pouco ficou menos ainda. Eles dormiam e acordavam com dor na barriga de tanta fome. E numa noite em que perdeu o sono João ouviu seus pais conversando e a conversa dizia respeito a ele e sua irmã.


Sua mãe dizia que dois iriam viver melhor que quatro e que seu pai tinha que dar um jeito de perder João e Maria. No dia seguinte Maria acordou João com a noticia de que seu pai iria levá-los a floresta para aprender a cortar lenha. João foi até o córrego e encheu os bolsos com pequenas pedrinhas brancas. Seu pai os levou até o meio da floresta e a cada curva João jogava uma pedrinha no chão para marcar o caminho. Depois de muito andarem seu pai disse para eles esperarem ali. Mas a noite chegou e seu pai não retornou. Só que João seguiu o caminho das pedras brancas que brilhavam ao luar e os dois voltaram para casa, onde encontraram seu pai com o os olhos vermelhos.

Um tempo se passou e nunca mais se falou daquele dia, até que numa manha seu pai disse que ia levá-los a floresta novamente. Dessa vez João não teve tempo de ir ao córrego, mas antes de saírem sua mãe deu um pão a cada um deles e João foi deixando uma bolotinha de pão a cada curva que faziam dentro da floresta. Seu pai fez como da outra vez, mas quando tenta encontrar a saída da floresta, eles encontram uma pomba comendo o pão e João percebe que dessa vez estão perdidos mesmo. Mas no dia seguinte eles acordam sentindo um cheiro delicioso de pão de mel e ao seguirem o cheiro encontram uma cabana feita de doces. E nela mora uma velhinha que a principio pareceu ser muito boa, mas que acaba fazendo de Maria sua empregada e aprisiona João para que ele engorde e ela possa comê-lo.


Eu adoro uma boa releitura e quando ouvi falar sobre esse lançamento, fiquei bastante interessada, mas só agora consegui ler. O nome do autor foi o que bastou para criar um alvoroço sobre o livro já que conhecendo o seu estilo era de se esperar uma ótima releitura sobre um conto que já não é um dos mais felizes. Pelo menos eu nunca fui muito fã do conto, sempre preferi os das princesas hehe. E mesmo não tendo tido até o momento uma boa experiencia com os trabalhos dele, fiquei na esperança que dessa vez fosse diferente e eu fosse amar a releitura. Infelizmente isso não aconteceu. E dessa vez nem foi porque não gostei do que li, é só que não encontrei o que foi anunciado.


O livro não é uma releitura, é o conto igualzinho ao que eu li quando era criança. Não teve nadinha de nada de diferente. Li em algumas resenhas que tinha um toque mais sombrio, mas não vi isso. A única coisa que percebi de diferente foi que ele não disse que era uma bruxa e sim uma velhinha. O resto é o mesmo conto do começo ao final. Então não é que não seja bom, é só que não veio o que foi vendido. E também não gostei das ilustrações. Não sei se é porque sou míope, mas pouco consegui enxergar nas ilustrações. Só consegui ver um monte de borrão preto. Só gostei da capa, que é dura. Mas quem sabe você aprecie mais do que eu.

Nota:





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