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03 fevereiro 2020

Resenha | A Perdição do Barão - Lucy Vargas


Livro: A Perdição do Barão
Série: Não
Gênero: Romance de Época
Autora: Lucy Vargas
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 378
Ano: 2018

Resenha:
Quem quer fazer parte da sociedade londrina, precisa seguir um grupo de regras impostas pela aristocracia. Quem não segue essas regras acaba virando um pária da sociedade. E uma das regras mais importantes é nunca demonstrar sentimentos, se possível nem senti-los. E o pior de todos sentimentos é o amor. E é justamente esse o mal que acomete a família de Patrick, Barão de Ederline, há várias gerações: o mal do amor. Eles amam demais, e o problema é que esse amor nem sempre é direcionado para seus respectivos cônjuges. As últimas pessoas que foram acometidos por essa doença, ou maldição, como Patrick gosta de chamar, foram seus pais. Sua mãe fugiu com outro homem logo depois que a irmã mais nova de Patrick, Grace, nasceu e seu pai aproveitou e foi morar com a amante. 

Por isso Patrick foge do amor como o diabo foge da cruz. Mas nem fazendo tudo que pode ele consegue controlar seu coração que bate mais forte quando vê Hannah, uma amiga de Grace, que para sua tristeza já entregou seu amor a outro. Então Patrick prefere direcionar seu foco para os negócios, que mesmo tendo dinheiro para ter uma vida confortável, ele sabe que as coisas estão mudando e junto com seu melhor amigo Stephen, está pensando e investindo no futuro. E as coisas ficam ainda mais difíceis para Patrick pois, acontece uma tragédia na família da Hannah, e Patrick oferece sua ajuda hospedando em sua casa Hannah e sua mãe Lady Abbott, que está passando por um momento dificil. Mas Lady Abbott vem a falecer e certo de que logo Hannah vai se casar com o homem que ama, Patrick decide acompanhar Stephen em uma viagem de negócios. 

Quando volta um ano depois Patrick descobre que nada aconteceu como ele imaginou. Hannah ainda está solteira e acaba de fugir da casa da avó. Patrick consegue encontrá-la e Hannah confessa que o homem que amava foi embora depois que ela se entregou à ele sem nenhuma promessa ou compromisso. E agora sua avó quer casá-la com um homem muito mais velho que ela. Então Patrick que já havia perdido a esperança, vê nessa situação uma chance de ser feliz e diz a avó de Hannah que ela vai se casar sim, mas com ele. Patrick não pretende tirar Hannah de uma prisão para colocá-la em outra e deixa isso claro para ela. O casamento entre eles será de conveniência, mas Patrick vai fazer o que estiver ao seu alcance para conquistar Hannah.


Eu sou dessas que não gosta de fazer resenhas negativas. Mas tem vez que a decepção é tanta que é preciso escrevê-las. Quando vi esse livro sendo lançado, já fiquei louca para ler ele. Eu amei Um Acordo de Cavalheiros, outro livro da autora publicado pelo Grupo Editorial Record. Eu me surpreendi muito com a história e principalmente com o protagonista masculino, que é um feminista declarado. E quando vi que em A Perdição do Barão teríamos a história pela visão masculina, já lembrei do protagonista do outro livro e minhas expectativas foram nas alturas. Isso e essa capa que é maravilhosa, no tom de azul que amo.

Mas o que eu achei que ia ser o grande diferencial dos vários livros de romance de época que temos no mercado, foi sim um diferencial, mas no sentido ruim. Acredito que a história até teria uma chance se fosse narrada pela Hannah, ou pelo menos que a narrativa fosse dividida entre os dois protagonistas. Mas da forma como foi, narrada apenas por Patrick, acabou sendo uma história chata, que me fez não gostar de nenhum dos personagens do livro e ainda odiei algumas abordagens que a autora escolheu fazer sobre a época e seus costumes. Sem falar que a história ficou confusa e por vezes parecia que eu tinha pulado alguma parte porque faltava partes da história. Ou era o narrador que era meio tapado.

Quando pego um gênero literário para ler, espero encontrar o que aquele gênero traz. Não espero ler um romance de época e encontrar um suspense de tirar o folego e por ai vai. Por isso quem lê romance de época já sabe que vai encontrar uma história divertida, com protagonistas que se odeiam ou são obrigados a se casar por algum motivo e que no fim vai ser tudo marmelada e ficar todos felizes para sempre. Mas não consegui ver o principal nessa história. Em nenhum instante existiu sequer uma faísca de amor entre os dois. Ou como já disse antes, o narrador era muito tonto que não conseguiu nem expressar isso em sua narrativa. E meu Deus quanto mimimi.

Patrick casou sabendo que Hannah amava outro, então decidiu esperar o tempo dela para eles fazerem sexo. Isso até o meio da página porque em um parágrafo ele fazia esse discurso, no outro baixava o machista ciumento que queria "provar" que era melhor que o outro amante dela. E na página seguinte já voltava atrás. Que ódio dessa mudança desnecessária a cada página. E Hannah não fica atrás. Em um momento se entregava a Patrick como se amasse ele, no outro fugia dele como o diabo foge da cruz. E foi o livro todo assim. Nunca vi casamento mais chato que esse. Sem falar que foram anos nessa situação.

E uma coisa que a autora resolveu abordar foram as traições presentes na sociedade. Mas a forma como ela abordou me incomodou, ela generalizou total. A impressão que deu foi que não existia uma pessoa decente na época. A mulher precisava se manter casta até arranjar um marido, depois a coisa desandava. Os outros homens vinham pedir permissão para dormir com a esposa do outro. Convites a traição eram feitos em meio aos bailes. Até acredito que existia muito esse tipo de coisa sim, afinal os casamentos eram arranjados.  Mas todo mundo já é exagero. E nem os personagens secundários salvaram a história. Todos sem exceção são chatos e nenhum deles me cativou. Enfim já me estendi bastante nessa resenha, mas não é porque o livro não funcionou comigo que você não vai gostar. Então leia por sua conta e risco.

Nota:







08 julho 2017

Resenha | Um Acordo de Cavalheiros - Lucy Vargas


Livro: Um Acordo de Cavalheiros
Série: Não
Gênero: Romance de Época
Autora: Lucy Vargas
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 350
Ano: 2017

Resenha:
Dorothy Miller foi morar com seu tio quando tinha dez anos, e sua prima Cecilia dois. E quando a mãe de Cecilia morreu, Dorothy praticamente acabou de criar Cecilia, por isso ela sente que tem que proteger Cecilia e se acha na obrigação de conseguir um ótimo casamento para a prima, mesmo que ela mesma ainda não tenha se casado e aos vinte e seis já é considerada uma solteirona. Mas está dificil manter Cecilia na linha, mesmo com a ajuda da acompanhante dela a Sra. Clarke. Cecilia parece ter o dedo podre para homens e só se interessa pelos mais devassos. Logo a temporada em que Cecilia irá debutar vai ter inicio, e Dorothy espera conseguir logo um marido para a prima, antes de ficar louca com ela. Mas antes de irem para Londres, elas vão comparecer ao evento de pré-temporada na casa de Lady Russ. Quem sabe Cecilia já não sai de lá compromissada.

O que Dorothy nem imaginava era que não era Cecilia que ia sair da linha e sim ela, uma solteirona que não tem pretensões de se casar, mas que mantém uma reputação impecável perante a sociedade. Dorothy acorda na cama de Tristan Thorne, o conde de Wintry, o cavalheiro mais terrível dos salões londrinos. Quando acorda ela não consegue se lembrar como isso aconteceu, mas aos poucos sua memória vai voltando e uma cena dela com as pernas sobre os ombros de Lorde Winter, deixa seu rosto pegando fogo. E o pior foi que ela contou todos seus segredos para o cavalheiro em questão, inclusive que tinha perdido sua virgindade a sete anos atrás, com um homem que ela pensou estar apaixonada, mas que foi horrível e que para não ter que repetir o que aconteceu, ela decidiu que nunca ia se casar.

Mas Lorde Wintry também não pensa em casamento. Ele está bem do jeito que as coisas estão. Ele sabe que mesmo com sua reputação terrível, as mulheres fariam fila para fisgá-lo por causa do seu titulo e fortuna. Titulo esse que ele só tem porque seu meio-irmão, herdeiro legitimo, faleceu e como foi criado por uma tia um tanto quanto liberal demais para a sociedade, sua reputação não é das melhores. Mas Wintry tem um motivo para ter essa reputação, e ninguém sabe o quanto ele se esforçou para obtê-la. Porém ele nunca se envolveu com nenhuma dama respeitada, mas depois que teve Dorothy em seus braços, ele precisa tê-la outras vezes. Por isso ele propõe um acordo a Dorothy: que eles sejam amantes durante a temporada em Londres. Dorothy reluta, mas a curiosidade e o desejo falam mais alto e ela acaba aceitando. E enquanto a temporada está rolando, eles acabam envolvidos não só em um jogo de sedução, mas eles precisam confiar um no outro porque suas vidas estão correndo perigo.

"— Tão inocente e tão canalha... Temos um acordo de cavalheiros ou não?
— O senhor sabe que damas também tem honra, não é?
— É apenas um termo. Eu honro meus acordos.
— Eu também.
— Aperte a minha mão.
— Isso seria o maior erro da minha vida.
— Eu posso ser sua maior aventura e o melhor prazer da sua vida, mas não um erro. Não se arrependa de nada, Dot. Vai ser muito mais prazeroso."

Eu já tinha lido um livro da autora, Cartas do Passado, que amei e quando vi esse sendo lançado, me dei de presente. Como estou acostumada com os romances de época da Arqueiro, já comecei me surpreendendo com o tamanho da fonte. É bem maior. E por isso achei que ia ler ele mais rápido que os da Arqueiro, mas acabei demorando bem mais. Mas não achei isso ruim, porque a escrita da autora é bem detalhada e as cenas são tão bem escritas que a gente não quer perder nenhum detalhe. E temos de tudo nesse livro. Apesar do gênero ser um que já tem um enredo pré-determinado, a autora inovou, e teve praticamente de tudo nessa história. O principal é o romance, mas temos algo do gênero policial, já que Tristan é um espião e está a caça de algumas pessoas, e temos bastante cenas eróticas, mas nada vulgar e palavras de baixo calão (coisa que não gosto).

Quanto aos protagonistas, fala se muito de mocinhas a frente do seu tempo quando lemos algum livro do gênero e aqui o que me surpreendeu foi que o personagem a frente de seu tempo, e até do nosso tempo, é o cavalheiro. Ele é um feminista e foi um dos personagens que mais gostei de todos os romances de época que li até agora. É Tristan quem ensina Dorothy a gostar e valorizar o seu corpo. Ele tira dela aquela antiga ideia de que a mulher que não é mais virgem tem que sentir vergonha e culpa para o resto da vida, e tem algumas que até se sentem suja e menos por isso, e infelizmente essa ideia ainda está presente nos dias de hoje. Dorothy também é um personagem encantador. Dona de uma opinião forte, ela sabe o que quer e vai em frente com isso, mesmo que para isso ela precise quebrar todas as regras da época. A capa está linda, acho que já falei o quanto amo capas com vestidos hehe, e indico para todos que gostam ou querem conhecer o gênero.

"— Foi você quem me disse que uma mulher deve ser dona de suas escolhas. E que ela manda em seu corpo e em suas vontades. E ninguém deve ter o poder de lhe tirar isso."

Nota:







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