Livro: Na Hora da Virada
Série: Não
Gênero: Jovem Adulto
Autora: Angie Thomas
Editora: Galera Record
Páginas: 378
Ano: 2019
Resenha:
Brianna é uma jovem de dezesseis anos que sofre preconceitos diariamente por causa da cor da sua pele. Ela estuda em um colégio considerado rico para seus padrões e se esforça para tirar notas boas e entrar em uma ótima faculdade, como aconteceu com seu irmão Trey. Mas está cada dia mais dificil ficar longe da diretoria porque tudo o que ela diz e questiona é motivo dos professores a suspenderem. Em casa também não está nada fácil, já que recentemente o gás foi cortado por falta de pagamento. A unica coisa boa na vida de Bri é sua música.
Desde pequena ela sonha em se tornar uma das maiores rappers de todos os tempos. Talento ela tem, já que é filha de Lawless, que estourou e virou uma lenda do hip-hop underground, até ser assassinado quando Bri tinha cinco anos de idade. Mas Bri não quer privilégios e pretende começar de baixo como todo mundo. Por isso ela está ansiosa para sua primeira batalha no Ringue. E ela mostra a que veio ao arrasar na batalha. Mas sua mãe quer que ela coloque o estudo em primeiro lugar e não a musica. Mas Bri sabe que mesmo se formando em uma boa faculdade, encontrar emprego não vai ser nada fácil e acredita que a musica é o caminho para mudar sua situação.
E ao sofrer um abuso de autoridade por parte dos seguranças da escola, Bri resolve colocar toda a humilhação, somado as dificuldades que sua família está passando para pagar as contas, porque para ajudar sua mãe perdeu o emprego, em uma letra de música. Com muita raiva Bri acaba escrevendo uma letra de algo que não condiz com a realidade que ela vive, mas sim a versão que esperam dela. Seu tia que também é sua agente, e um de seus amigos, avisam que as pessoas não vão entender seu ponto de vista, mas quando até a comida da sua casa acaba, ela coloca a musica na internet. E a musica viraliza, e Bri vai ter que enfrentar o sucesso que isso trás, e grande parte dele não é positivo.
"Tantas pessoas que não conheço se tornaram deuses da minha vida. Agora, preciso tomar meu poder de volta."
Eu já conhecia a autora de nome pelo sucesso de O ódio que você semeia, que também virou filme. Eu não li o livro, mas li as resenhas e não encontrei nenhuma negativa. Por isso estava até com medo de ler Na Hora Da Virada e acabar me decepcionando. Mas nem precisava ter me preocupado porque com certeza está ai mais um sucesso da autora. E ah que bom seria se tivéssemos mais livros como esse. Porque apesar de muita gente dizer que não existe, o preconceito está mais forte do que nunca. Esse livro e o anterior da autora são leituras necessárias e seria muito interessante se fossem adicionados nos catálogos escolares.
Eu não vou dizer que sei o que a protagonista e milhares de negros passam porque nasci branca e tive sim muitos privilégios. Apesar de ter passado algumas necessidades quando eu era criança, nem de longe dá para comparar com o que os negros passam todo dia. E é lendo livros como esse que vamos abrir cada vez mais nossos olhos para uma realidade que infelizmente fingimos não existir. E vou me incluir nesse grupo porque se for parar para pensar com certeza eu e você já tivemos algum tipo de atitude e pensamentos racistas. Quantas vezes já ouvi pessoas brancas falando sobre a cota racial, que é injusto. É injusto sim as pessoas precisarem de cotas porque não tiveram as mesmas chances durante toda sua vida.
Eu nunca fui revistada na minha vida, nunca tive nenhum segurança me seguindo dentro de uma loja, nunca recebi nenhum olhar torto ou de pena e nem nunca fui xingada por causa da minha cor ou excluída por causa do meu cabelo ou do lugar onde moro. E essa é a situação de todos os brancos no nosso pais. Por mais pobres que sejam nunca vão sentir o que os negros sentem a todo momento. Não é mimimi não, é a realidade. Quem ler o livro vai achar a protagonista irritante e exagerada, mas se alguém não fizer esse papel, os negros sempre serão tratados dessa maneira. Não é exagero, é na verdade uma vergonha para nós brancos ainda existir esse tipo de preconceito. Eu já ouvi pessoas dizerem, não fui eu que escravizei, mas e suas atitudes agora?
A leitura do livro não é fácil porque ver como as pessoas, principalmente as autoridades são indiferentes as situações doí na gente. A autora não usa de palavras bonitas para contar a história da Bri, que poderia ser a de muitas garotas que nascem com um sonho, mas que é quase impossível de realizá-lo. Mas ao mesmo tempo é impossível não torcer para que ela consiga. E quando a coisa acontece, mas não da forma como era o esperado, com quem não entende sua musica porque não vive aquilo, julgando suas palavras. E aqui levei um tapa na cara também porque eu já julguei algumas letras de musica sem saber o que a pessoa que escreveu quis passar com aquela letra.
E além de Bri, uma personagem que vai ficar marcada na minha memória, ainda temos outros personagens que tem muito a nos ensinar como sua mãe Jay, uma ex-viciada que precisou lutar pela guarda dos filhos e sua tia Pooh, que seguiu o caminho errado ao perder o cunhado assassinado, a irmã para as drogas e os sobrinhos para os avós. Enfim, essa é uma história marcante que como já disse deveria ser lida por todos. É uma ficção, mas poderia ser a história de milhares de negros que só querem ser tratados como iguais. Quanto a edição está muito bem feita e a capa segue o padrão da americana.
Nota:


