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13 setembro 2021

Resenha | Blackout - vários autoras

Livro: 
Blackout
Série: Não
Gênero: Romance/Jovem Adulto
Autoras: Dhonielle Clayton, Tiffany D. Jackson, Nic Stone, Angie Thomas, Ashley Woodfolk e Nicola Yoon
Editora: Seguinte
Páginas: 272
Ano: 2021

Sinopse:

Seis autoras extraordinárias. Seis histórias de amor entrelaçadas. Uma noite que tinha tudo para ser um desastre ― mas acaba sendo brilhante.

Uma onda de calor causa um apagão em Nova York. Multidões se formam nas ruas, o metrô para de funcionar e o trânsito fica congestionado. Conforme o sol se põe e a escuridão toma conta da cidade, seis jovens casais veem outro tipo de eletricidade surgir no ar…Um primeiro encontro ao acaso. Amigos de longa data. Ex-namorados ressentidos. Duas garotas feitas uma para a outra. Dois garotos escondidos sob máscaras. Um namoro repleto de dúvidas. Quando as luzes se apagam, os sentimentos se acendem. Relacionamentos se transformam, o amor desperta e novas possibilidades surgem ― até que a noite atinge seu ápice numa festa a céu aberto no Brooklyn.

Neste romance envolvente e apaixonante, composto de seis histórias interligadas, as aclamadas autoras Dhonielle Clayton, Tiffany D. Jackson, Nic Stone, Angie Thomas, Ashley Woodfolk e Nicola Yoon celebram o amor entre adolescentes negros e nos dão esperança mesmo quando já não há mais luz.

Resenha: 

Quando vi a editora disponibilizando o ebook do livro eu já corri garantir o meu. E assim que terminei o ebook recebi o email da editora falando que estava enviando o livro físico hehe. O livro foi escrito por seis autoras maravilhosas e tem seis casais onde cada autora é responsável pela história de um deles, mas as histórias estão todas interligadas, então é como se fossem uma história só. E gente que livro maravilhoso. Um dos melhores que li esse ano. Temos seis histórias que se passam em poucas horas, e foi o que bastou para eu me apaixonar por cada personagem e principalmente pelas autoras, que eu só conhecia a escrita da Angie e agora quero ler tudo delas.

O livro é de protagonismo negro, mas temos muita diversidade, e uma coisa que vi pela primeira vez em um livro, a Companhia da Letras aliás merece elogios por estar a frente nessa questão e já a tempos venho percebendo eles fazendo a parte deles, é que em uma das histórias temos linguagem inclusiva com palavras como elu, delu, amá-le. 

Uma das histórias que mais gostei foi a da Tiffany, que é a que se estende pelo livro todo e deixa o leitor ansioso para saber o que vai acontecer com o casal. E é essa história que liga as outras. Por exemplo tem uma hora que eles passam por uma biblioteca que é o cenário de uma das histórias, em outra hora eles cruzam com um ônibus, que também é palco de outra história. E uma coisa bem legal é que todos os personagens são ligados de alguma forma, um parente do outro, que é amigo daquele, que conhece fulano e por ai vai. E no fim todos eles estão indo para uma mesma festa, que corre o risco de não acontecer por causa do apagão.

E temos histórias românticas para todos os gostos. Tem o casal que terminou e não sabe bem o porque, tem o outro que nunca foi um casal, tecnicamente porque a amizade deles era bem mais do que apenas amizade. Tem o casal que acaba juntos por uma tramoia de um velhinho que tinha certeza de que elas seriam perfeitas juntas. Tem o outro que os dois se gostam há muito tempo, mas um deles tem medo de assumir o que sente por medo do preconceito que vai sofrer. Tem também o casal que acaba de se conhecer, mas que a conexão é imediata. E tem o casal, triângulo, ou seria um quádruplo? 

Mas enfim, não vou falar muito mais porque quero que vocês sintam o mesmo que eu lendo o livro. E só posso recomendar e muito esse livro porque fazia tempo que não lia um jovem adulto de romance tão bem escrito. Eu me apaixonei por cada palavra que ia lendo. O livro é tão amorzinho e tão fofo, mas tão forte e representativo ao mesmo tempo, que é um livro que todos deveriam ler. É tudo tão natural como todas as leituras deveriam ser desde sempre. E já que recebi o livro físico preciso falar dele que está lindo demais.  

Nota:






09 julho 2020

Resenha | O ódio que você semeia - Angie Thomas


Livro: O Ódio Que Você Semeia
Série: Não
Gênero: Jovem Adulto
Autora: Angie Thomas
Editora: Galera Record
Páginas: 428
Ano: 2017

Sinopse:
Uma história juvenil repleta de choques de realidade. Um livro necessário em tempos tão cruéis e extremos.
Starr aprendeu com os pais, ainda muito nova, como uma pessoa negra deve se comportar na frente de um policial.
Não faça movimentos bruscos.
Deixe sempre as mãos à mostra.
Só fale quando te perguntarem algo.
Seja obediente.
Quando ela e seu amigo, Khalil, são parados por uma viatura, tudo o que Starr espera é que Khalil também conheça essas regras. Um movimento errado, uma suposição e os tiros disparam. De repente o amigo de infância da garota está no chão, coberto de sangue. Morto.
Em luto, indignada com a injustiça tão explícita que presenciou e vivendo em duas realidades tão distintas (durante o dia, estuda numa escola cara, com colegas brancos e muito ricos - no fim da aula, volta para seu bairro, periférico e negro, um gueto dominado pelas gangues e oprimido pela polícia), Starr precisa descobrir a sua voz. Precisa decidir o que fazer com o triste poder que recebeu ao ser a única testemunha de um crime que pode ter um desfecho tão injusto como seu início.
Acima de tudo Starr precisa fazer a coisa certa.
Angie Thomas, numa narrativa muito dinâmica, divertida, mas ainda assim, direta e firme, fala de racismo de uma forma nova para jovens leitores. Este é um livro que não se pode ignorar.

Resenha:
Acho dificil encontrar alguém que ainda não saiba alguma coisa sobre essa história, seja pelo livro ou pelo filme. Até por isso hoje a resenha não vai trazer aqueles parágrafos iniciais onde falo sobre o que se trata a história. E quem ainda não conhece, acho que a sinopse já diz o suficiente.

Eu já tinha vontade de ler esse livro desde que lançou, mas fui deixando para depois e acabei conhecendo a escrita da autora pelo livro Na Hora Da Virada, que foi um tapa na cara. Mas todos que leram os dois livros disseram que O ódio que você semeia era muito melhor que Na Hora Da virada, então minha vontade de ler ele só aumentou e enfim consegui encaixar o livro em um dos desafios que estou participando o #DesafioMulheresDaLiteratura que nesse mês de julho era ler um livro YA contemporâneo escrito por uma autora não branca.

E estou sem palavras para expressar tudo o que senti lendo esse livro. Revolta, indignação, raiva, impotência, vergonha. E ainda li o livro com a história real de George Floyd pairando na minha cabeça. Eu não conseguia desassociar a história real da fictícia. Porque foi essa a intenção da autora ao escrever o livro, mostrar quantos Khalil e George morrem o tempo todo pelo simples fato de serem negros. Não precisa de outro motivo. A cada manifestação no livro me vinha a mente o que assisti nos telejornais. Mas infelizmente ainda resta muito a se fazer para mudar esse tipo de situação.

Não basta pintar minha tela do Instagram de preto e no outro dia achar que é injusto existir cotas raciais na faculdade. Não adianta compartilhar postagens de apoio em uma rede social e no outro dia achar que vai ser assaltada só porque um cara negro chegou perto de você. Ou continuar fazendo todo tipo de "piadas" ou simplesmente rir de uma que algum amigo seu faça. Vamos admitir que somos sim racistas e preconceituosos porque já nascemos em uma sociedade onde acreditar que brancos valem mais é considerado normal. Enquanto continuarmos negando a existência do racismo para continuarmos confortáveis, ele nunca vai acabar.

E achei O ódio que você semeia um pouquinho melhor que Na hora da virada, e acredito que isso se deve a protagonista. Brianna de Na hora da virada é um pouco estourada e meio irritante em algumas situações, mas não de forma negativa. Já Starr é uma garota doce e gentil que vive lutando dentro de si por viver durante o dia duas realidades bem diferentes. Ela é a garota negra que mora no gueto mas que estuda em um colégio de brancos de classe alta e tem um namorado branco. Então ela mostra duas versões de si e chega em um momento que ela vai ter que escolher quem ela realmente é.

E uma coisa que chama muito a atenção nesse livro é que apesar de termos uma protagonista, a sensação que dá é que esse protagonismo não se restringe a uma pessoa e sim a uma família. Toda a família de Starr é fundamental para a história e qualquer um deles poderia estar narrando a mesma. E o mais interessante ainda é que eu poderia dizer que a família dela é perfeita, mas estaria usando a palavra erroneamente porque tudo ali é cheio de defeitos. É aquele nada está certo, mas tudo vai bem.

Outro personagem que gostei muito foi o Chris, namorado de Starr. Gostei de como ele foi muito importante para o crescimento da personagem e de como ele foi fundamental para ela entender essas duas Starr que viviam dentro dela. Agora um personagem que odiei foi a Hailey, que personificou o que citei acima, fez o papel do branco que "imagine eu não sou racista". Odiei mas sei que ela era necessária ali para fazer com que nós brancos enxerguemos as atitudes e palavras dela e possamos fazer diferente.

Enfim, o livro todo é um crescente de todos os sentimentos que citei antes. Vai dando um nervoso conforme o julgamento vai se aproximando e mesmo sabendo que não vai acontecer nada com o policial porque ele é branco, ainda fica aquela esperança de que a justiça não olhe para a cor da pele e seja feita. E gostei da forma como a autora escolheu finalizar a história. Mas enfim, se você ainda não leu esse livro não perca mais tempo e vá logo ler. Esse é mais um livro da autora que é necessário e que deveria ser obrigatório nas escolas.

"Esse é o problema. Nós deixamos as pessoas dizerem coisas, e elas dizem tanto que se torna uma coisa natural para elas e normal para nós. Qual é o sentido de ter voz se você vai ficar em silêncio nos momentos que não deveria?"

"Ás vezes, você pode fazer tudo certo, e mesmo assim as coisas dão errado. O importando é nunca parar de fazer o certo."

"Ter coragem não quer dizer que você não esteja com medo. Quer dizer que você segue em frente apesar de estar com medo."

Nota:








19 novembro 2019

Resenha | Na Hora da Virada - Angie Thomas


Livro: Na Hora da Virada
Série: Não
Gênero: Jovem Adulto
Autora: Angie Thomas
Editora: Galera Record
Páginas: 378
Ano: 2019

Resenha:
Brianna é uma jovem de dezesseis anos que sofre preconceitos diariamente por causa da cor da sua pele. Ela estuda em um colégio considerado rico para seus padrões e se esforça para tirar notas boas e entrar em uma ótima faculdade, como aconteceu com seu irmão Trey. Mas está cada dia mais dificil ficar longe da diretoria porque tudo o que ela diz e questiona é motivo dos professores a suspenderem. Em casa também não está nada fácil, já que recentemente o gás foi cortado por falta de pagamento. A unica coisa boa na vida de Bri é sua música.

Desde pequena ela sonha em se tornar uma das maiores rappers de todos os tempos. Talento ela tem, já que é filha de Lawless, que estourou e virou uma lenda do hip-hop underground, até ser assassinado quando Bri tinha cinco anos de idade. Mas Bri não quer privilégios e pretende começar de baixo como todo mundo. Por isso ela está ansiosa para sua primeira batalha no Ringue. E ela mostra a que veio ao arrasar na batalha. Mas sua mãe quer que ela coloque o estudo em primeiro lugar e não a musica. Mas Bri sabe que mesmo se formando em uma boa faculdade, encontrar emprego não vai ser nada fácil e acredita que a musica é o caminho para mudar sua situação.

E ao sofrer um abuso de autoridade por parte dos seguranças da escola, Bri resolve colocar toda a humilhação, somado as dificuldades que sua família está passando para pagar as contas, porque para ajudar sua mãe perdeu o emprego, em uma letra de música. Com muita raiva Bri acaba escrevendo uma letra de algo que não condiz com a realidade que ela vive, mas sim a versão que esperam dela. Seu tia que também é sua agente, e um de seus amigos, avisam que as pessoas não vão entender seu ponto de vista, mas quando até a comida da sua casa acaba, ela coloca a musica na internet. E a musica viraliza, e Bri vai ter que enfrentar o sucesso que isso trás, e grande parte dele não é positivo.

"Tantas pessoas que não conheço se tornaram deuses da minha vida. Agora, preciso tomar meu poder de volta."

Eu já conhecia a autora de nome pelo sucesso de O ódio que você semeia, que também virou filme. Eu não li o livro, mas li as resenhas e não encontrei nenhuma negativa. Por isso estava até com medo de ler Na Hora Da Virada e acabar me decepcionando. Mas nem precisava ter me preocupado porque com certeza está ai mais um sucesso da autora. E ah que bom seria se tivéssemos mais livros como esse. Porque apesar de muita gente dizer que não existe, o preconceito está mais forte do que nunca. Esse livro e o anterior da autora são leituras necessárias e seria muito interessante se fossem adicionados nos catálogos escolares.

Eu não vou dizer que sei o que a protagonista e milhares de negros passam porque nasci branca e tive sim muitos privilégios. Apesar de ter passado algumas necessidades quando eu era criança, nem de longe dá para comparar com o que os negros passam todo dia. E é lendo livros como esse que vamos abrir cada vez mais nossos olhos para uma realidade que infelizmente fingimos não existir. E vou me incluir nesse grupo porque se for parar para pensar com certeza eu e você já tivemos algum tipo de atitude e pensamentos racistas. Quantas vezes já ouvi pessoas brancas falando sobre a cota racial, que é injusto. É injusto sim as pessoas precisarem de cotas porque não tiveram as mesmas chances durante toda sua vida.


Eu nunca fui revistada na minha vida, nunca tive nenhum segurança me seguindo dentro de uma loja, nunca recebi nenhum olhar torto ou de pena e nem nunca fui xingada por causa da minha cor ou excluída por causa do meu cabelo ou do lugar onde moro. E essa é a situação de todos os brancos no nosso pais. Por mais pobres que sejam nunca vão sentir o que os negros sentem a todo momento. Não é mimimi não, é a realidade. Quem ler o livro vai achar a protagonista irritante e exagerada, mas se alguém não fizer esse papel, os negros sempre serão tratados dessa maneira. Não é exagero, é na verdade uma vergonha para nós brancos ainda existir esse tipo de preconceito. Eu já ouvi pessoas dizerem, não fui eu que escravizei, mas e suas atitudes agora?

A leitura do livro não é fácil porque ver como as pessoas, principalmente as autoridades são indiferentes as situações doí na gente. A autora não usa de palavras bonitas para contar a história da Bri, que poderia ser a de muitas garotas que nascem com um sonho, mas que é quase impossível de realizá-lo. Mas ao mesmo tempo é impossível não torcer para que ela consiga. E quando a coisa acontece, mas não da forma como era o esperado, com quem não entende sua musica porque não vive aquilo, julgando suas palavras. E aqui levei um tapa na cara também porque eu já julguei algumas letras de musica sem saber o que a pessoa que escreveu quis passar com aquela letra.

E além de Bri, uma personagem que vai ficar marcada na minha memória, ainda temos outros personagens que tem muito a nos ensinar como sua mãe Jay, uma ex-viciada que precisou lutar pela guarda dos filhos e sua tia Pooh, que seguiu o caminho errado ao perder o cunhado assassinado, a irmã para as drogas e os sobrinhos para os avós. Enfim, essa é uma história marcante que como já disse deveria ser lida por todos. É uma ficção, mas poderia ser a história de milhares de negros que só querem ser tratados como iguais. Quanto a edição está muito bem feita e a capa segue o padrão da americana.

Nota:









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