Livro: O Ceifador
Série: Scythe #1
Gênero: Ficção científica
Autor: Neal Shusterman
Editora: Seguinte
Páginas: 448
Ano: 2017
Resenha:
O ano foi 2042. O marco. O momento em que a humanidade alcançou seu ápice, a perfeição. O ano em que a capacidade computacional se tornou infinita e a nuvem evoluiu para a Nimbo-Cúmulo, que agora detêm todo o conhecimento que está acessível para quem quiser acessá-lo. Mas em um mundo onde tudo é perfeito, não existe mais a necessidade do conhecimento pois nada pode ser melhorado e muitas coisas só continuam sendo feitas para passar o tempo. Tempo esse que aliás existe de sobra já que agora todos são imortais. Não existem mais doenças, desigualdade, e a velhice é uma escolha. Se por um acaso acontecer de alguém morrer acidentalmente, é só ir até o centro de revivificação mais próximo. Mais essa imortalidade acabou gerando um grande problema: superpopulação.
Então para manter o equilíbrio formou-se um grupo de pessoas que teriam a dificil missão de coletar vidas aleatoriamente, a Ceifa, que é a unica coisa no mundo que a Nimbo-Cúmulo não pode intervir. Quem morre pelas mãos de um ceifador não pode ser revivificado. Os ceifadores são vistos com medo por alguns e até como deuses por outros. Mas uma coisa é certa, ninguém se opõe a nenhum deles. Por isso que o ceifador Michael Faraday fica admirado quando encontra, não um, mas dois adolescentes, em ocasiões distintas, que não apenas não demonstram medo, mas sim, tem até mesmo a coragem de questionar suas decisões. Por isso que ele convida Citra Terranova e Rowan Damisch para serem aprendizes e lutar por uma vaga de ceifador.
A principio nenhum dos dois quer aceitar, mas o vencedor vai garantir imunidade para toda sua família. Citra e Rowan tem sorte porque Faraday é um dos melhores ceifadores em exercício. Ele é integro e tem compaixão pelos seus escolhidos. Mas mesmo que não seja proibido ter dois aprendizes, isso não é comum e no primeiro Conclave que Citra e Rowan comparecem, ao fazerem o primeiro teste Citra é reprovada e Rowan se auto sabota em solidariedade a ela, gerando um desconforto nos outros ceifadores que propõem uma disputa mais real entre eles: que o primeiro ato do vencedor seja coletar quem perder. E ao tentar reverter a situação com uma atitude extrema, Faraday só consegue transferir seus aprendizes para outros ceifadores, e a sentença continua.
Por isso preciso tirar o meu chapéu para o autor porque em momento algum senti que ele estava seguindo qualquer tipo de roteiro preposto pelo gênero. Comecei a história pensando uma coisa, no meio dela já tinha mudado de ideia e no final, sinceramente não esperava nada daquilo. E olha que que já estava meio que preparada para ler algo extraordinário, porque de cada 10 resenhas que li do livro, 11 elogiaram. Mas nada tinha me preparado para o que eu ia encontrar nessa história. E ainda tem o detalhe de que eu já tinha lido dois outros livros do autor (Fragmentados e Desintegrados), que mesmo sendo considerados fracos por muitos, eu gostei bastante.
Tudo no livro é genial. A ideia, o desenvolvimento, os personagens, o crescimento e o papel de cada um deles na história e o final de tirar o folego, tudo isso fazem até o momento O Ceifador ser o melhor livro lido do ano. Mas já estou pensando no segundo livro, A Nuvem, que segundo todas as resenhas que li consegue ser ainda melhor que o primeiro. Sei que não existe história perfeita, mas sinceramente eu não estou conseguindo pensar no momento em nenhum ponto negativo para falar sobre o livro. Como romântica que sou até poderia citar a falta de um romance, porém como diz o ditado para bom entendedor, ele existe e as ações dos personagens são baseadas nele. E se fosse algo meio ponto a mais do que foi, teria estragado a história.
Assim como o que aconteceu na série Fragmentados, o autor brincou um pouco com a vida e com até onde vai a crueldade do ser humano e passando pelo momento em que estamos passando com vidas sendo ceifadas e alguns seres humanos enxergando isso apenas como números, até dá para entender o que o autor quis passar com sua história. Tudo é regido por uma inteligencia artificial que é perfeita, somente uma coisa fica a cargo das mãos humanas e é claro que o homem consegue estragar até isso. Infelizmente a gente sabe que não importa onde, sempre vai ter alguém que vai se corromper, que vai pensar em tirar proveito da situação e na unica coisa que fica a cargo do homem e a Nimbo-Cúmulo não pode intervir, o homem se corrompe.
Outra coisa que amei no livro e preciso citar é que temos explicações para tudo o que está acontecendo e o que levou até aquilo. Como disse a Tamires em sua resenha, o livro é uma utopia, em vez de uma distopia como muitos o tem classificado. E aqui tenho que fazer um adendo agradecendo a Tamires por sua indicação, não somente desse livro, mas de vários que ela me fez ler quase que obrigada. Tamires vou ler tudo o que me indicar agora viu hehe. Temos um mundo perfeito e que poderia ser considerado um sonho a ser seguido. E o autor vai explicando aos poucos como a humanidade chegou naquele patamar. Tenho um nervoso de livros que somos jogados na história como se a gente pudesse ler a mente do autor e saber todas as explicações que ele deixou de dar.
E quanto aos personagens, eu até nem quero falar muito sobre eles porque espero que você que esteja lendo essa resenha vá ler o livro e quero que você se apaixone por eles assim como aconteceu comigo e não influenciado por minhas palavras. Mas só adianto que a Citra e o Rowan me lembrou muito dos personagens June e Day da trilogia Legend. Amo todos eles de igual forma. Também tenho que citar a ceifadora Curie e o ceifador Faraday que roubam a cena em vários momentos e a Nimbo-Cúmulo que promete muito. A edição está muito bem feita e com uma capa que fala sobre a história. E termino essa resenha que já está enorme indicando o livro, mesmo para quem não está habituado a ler o gênero. Leia, acredito que pelo menos um pouquinho você vai gostar.
Nota:


