Livro: O Rei Perverso
Série: O Povo do Ar #2
#1 - O Príncipe Cruel
Gênero: Fantasia
Autora: Holly Black
Editora: Galera Record
Páginas: 308
Ano: 2020
Contêm spoilers do livro anterior nos três primeiros parágrafos.
Resenha:
Desde que foi trazida para o Reino das fadas aos sete anos, Jude Duarte sempre desejou ser um deles. Mesmo sabendo que nunca seria. E por dez anos ela sofreu nas mãos de um grupo de feéricos liderados pelo Príncipe Cardan, que fazem questão de deixar claro o quanto desprezam os humanos. Até o dia em que decidiu que não ia mais se sujeitar aquilo e resolveu participar do jogo. Para proteger seu irmão Oak, Jude fez uma jogada audaciosa e agora Cardan é o Rei contra a vontade dele e ele está em sua mãos. Pelo menos durante um ano e um dia, nem mais um minuto depois disso como disse Cardan em seu juramento, o que no reino imortal é um piscar de olhos.
E isso Jude está aprendendo na prática já que cinco meses se passaram desde que Cardan foi coroado Rei e Jude sua senescal, a conselheira de maior posição do reino e ela ainda não tem nem ideia de como vai resolver toda a confusão que criou. Porque apesar de dizer que tudo o que fez foi para ganhar tempo para Oak, Jude sabe que no fundo ela gostou de ter o poder em suas mãos. Mesmo que ninguém saiba que agora é ela quem dá as ordens, Jude sente um prazer especial ao ver que todos aqueles feéricos que um dia a humilharam, agora estão debaixo de suas mãos. Mas como Mardoc fez questão de lhe ensinar o poder é bem mais fácil de adquirir do que de manter. E Jude está sofrendo para dar conta de tudo e ainda manter Cardan sob controle.
Porque mesmo ele tendo que obedecer qualquer ordem dela, Cardan ainda faz o que pode para contornar o juramento, pois o desprezo que ele sentia por Jude cresceu de uma maneira que agora não passa de ódio puro. Mas como dizem, existe uma linha muito tênue entre o ódio e o amor e Cardan parece odiá-la e desejá-la com a mesma intensidade. E enquanto tenta ignorar o que sente por Cardan, Jude ainda tem que lidar com a ameaça que vem do Mundo Submarino, especificamente da Rainha Orlagh, que acha Cardan fraco para estar no trono. E como se isso tudo já não fosse fardo o suficiente para carregar, Jude recebe um aviso de que alguém em que ela confia, já a traiu.
"— Você pode pegar uma coisa quando não tem ninguém olhando. Mas defendê-la, mesmo com toda vantagem do seu lado, não é uma tarefa fácil — disse Madoc com uma risada. Ela olhou para ele e o viu oferecendo a mão. — O poder é bem mais fácil de adquirir do que de manter."
Eu sabia que ia ficar desesperada no final desse livro porque já tinha lido várias resenhas dele, mas não consegui esperar lançar o terceiro para ler ele. E se arrependimento matasse... Mas pelo menos segundo a editora o terceiro e ultimo livro da trilogia sai ainda esse ano. Oremos com muita fé. E não sei nem o que dizer aqui nessa resenha para expressar tudo o que senti lendo esse livro. É engraçado falar isso em um livro de fantasia, porque se espera algo do tipo de um livro de drama por exemplo. Mas tem algumas histórias onde os autores parecem que gostam de brincar com o leitor e fazer a gente sofrer horrores.
O Príncipe Cruel foi simplesmente maravilhoso, começou ganhando a gente devagarzinho e quando pensa que não lá vem aquele final que fiquei como? quando? onde? E estava com as expectativas lá nas alturas para essa continuação e elas foram alcançadas e superadas com folga. Não vou negar que me frustei algumas vezes e outras quis dar uns socos na Jude por não enxergar o que estava na cara dela, mas é isso que nos faz amar um livro não, esse envolvimento todo com a história e com os personagens. Mas não posso deixar de falar que encontrei uma garota tão inteligente no primeiro livro que nesse segundo parece ter sido vencida pelo cansaço, ou em uma última esperança pela fraqueza chamada amor, quem sabe.
Porque se não for o estresse todo que ela estava passando não sei dizer qual foi o motivo de ela dar trela para aquela sonsa da Taryn novamente. Se é comigo tinha pagado muito caro o que ela fez no primeiro livro e a Jude perdoa como se não fosse nada. E também podemos culpar o cansaço aliado ao sentimentos que ela tenta esconder até dela mesma, ela não ter visto como Cardan foi mudando ao longo do livro. E aqui tenho que dizer como faltou um POV do Cardan, um capitulo pelo menos eu já tinha ficado feliz. Como eu queria ver o que ele sentiu no final do primeiro livro e o porque da mudança nesse segundo. E principalmente o motivo de sua atitude no final.
E Jude fracassou não somente nisso, mas em manter um olho aberto o tempo todo principalmente em seus inimigos declarados. Como assim depois de tudo o que ela fez com Madoc, Jude não manteve alguém nos calcanhares dele o tempo todo? Ela sabe de tudo o que seu padrasto é capaz de fazer para conseguir o que quer e deixa ele agir como se não houvesse um passado todo que o condenasse. Com Taryn ela até tem alguma desculpa, mas com Madoc não. E tem outros personagens que ela deveria ter mantido em rédeas curtas também e não fez nada porque confiou que seu acordo com Cardan fosse protegê-la.
E falando em Cardan nesse livro meu ódio por ele diminuiu um pouco porque enfim, mesmo não gostando do que ele fez, ainda que acredito isso sera explicado no próximo livro, pela primeira vez ele agiu como um homem e não como o moleque mimado que ele foi no primeiro livro. Mas ainda não consigo ver o que ele sente por Jude como amor. E da parte dela também não. Ate acredito que role uma atração sim, mas amor não. E que nervoso que me dava quando os dois interagiam. Eu como romântica que sou não podia deixar de torcer para que enfim eles ficassem juntos.
E o melhor da história no primeiro livro continua nesse segundo. Essa Guerra dos Tronos dos feéricos está cada vez melhor e mesmo a gente torcendo por Jude não dá para não admirar cada um dos jogadores que estão nessa partida. A briga pela coroa está cada vez melhor. E só para quem gosta de crossover, nesse livro a autora faz referência a um personagem de um outro livro dela, O Canto Mais Escuro Da Floresta, que já foi resenhado aqui no blog. Quanto a edição está muito bem feita, com um mapa na contra guarda do livro e amei que fizeram a capa no mesmo padrão da original. E termino indicando o livro para quem gosta do gênero, ainda não li o ultimo, mas pelo que li até agora vale muito a pena.
Nota:

