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16 outubro 2018

Resenha | Conquista - Ally Condie


Livro: Conquista
Série: Matched # 3
#1- Destino
#2- Travessia
Gênero: Distopia
Autora: Ally Condie
Editora: Suma
Páginas: 360
Ano: 2013

Contêm spoilers dos livros anteriores.

Resenha:
Cassia Reyes vive em uma Sociedade onde não existem desigualdades. Todos tem o mesmo direito a moradia, educação e empregos. Não existem mais crimes e nem doenças. Só que tudo tem seu preço, e nesse caso o preço é a pessoa desistir do seu livre-arbítrio. A Sociedade escolhe tudo por você, desde suas roupas, o que você come, o que você vai fazer nos seus momentos de lazer e principalmente com quem você vai se casar, garantindo assim gerações de seres humanos saudáveis. Cassia estava feliz em viver assim até que um "erro" no dia do seu Banquete do par, abriu seus olhos para o que realmente estava acontecendo. Seu melhor amigo Xander foi o escolhido para seu par, mas o rosto que apareceu em seu microcartão foi o de Ky, que não poderia participar da seleção por ser uma Aberração.

Cassia acabou se apaixonando por Ky e só então descobriu que o "erro" não passou de uma experiencia da Sociedade. Ky foi levado para morrer nas Províncias Exteriores, mas Cassia deu um jeito de chegar até ele. E durante a sua busca por Ky, Cassia acabou se deparando com um grupo rebelde chamado de Insurreição e se juntou a eles. A Insurreição decidiu que Cassia serviria melhor estando infiltrada na Sociedade e foi quando ela descobriu que Xander, seu par que ela abandonou para ir atrás de Ky, pertence a Insurreição. Xander agora é um Oficial da área médica e vê em primeira mão o começo da Insurreição. Uma Praga criada pela própria Sociedade para acabar com seus inimigos começa a se espalhar pela cidade, e a ironia disso tudo é que eles não tem a cura para a doença.

Mas a Insurreição tem a cura e só está esperando a hora certa de agir. E a oportunidade aparece no dia do Banquete do Par. Cassia trabalha como classificadora e é chamada as pressas para tentar salvar o dia mais importante da Sociedade. Só que em vez de ajudar, Cassia e os outros infiltrados só deixam as coisas ainda piores. O fracasso do Banquete aliado aos montes de doentes faz com que as pessoas percam a pouca fé que ainda tinham na Sociedade. E quando os aviões chegam com a cura, um deles pilotado por Ky e Indie, a Insurreição consegue o que queria. Mas diferente de Ky, Indie e Xander, Cassia e sua família não são imunes, nem ao comprimido vermelho, nem a Praga. E quando a Praga sofre uma mutação eles vão precisar correr contra o tempo se quiserem permanecer vivos.

"Você não pode mudar sua jornada, se não estiver disposto a se mexer de alguma forma."

Se tem uma palavra para descrever o que senti ao terminar esse livro foi decepção. A trilogia toda na verdade. Sinto que gastei meu dinheiro em uma história que tinha tanto potencial mas que a autora perdeu o rumo no meio dela e não soube nem dar continuidade, nem terminar uma história que prometia tanto. Ela não soube escrever a parte distópica, que ficou sem sentido nesse ultimo livro e nem soube escrever o romance/triangulo amoroso que poderia ser uma outra forma de ver o livro. Deixou a desejar em tudo e só dei uma estrela por mérito do personagem Xander, que foi muito mal aproveitado durante os dois primeiro livros e que estava na cara que tinha um grande potencial.

Nesse livro temos a narração em terceira pessoa dividida entre a Cassia, o Ky e o Xander. E apesar de ter amado conhecer mais do Xander e ver uma boa participação dele no livro, não entendi o porque dele ter narrado já que o triângulo amoroso criado pela autora lá no primeiro livro não se sustentou ao longo da trilogia, no segundo livro já está claro que a Cassia escolheu o Ky, péssima escolha por sinal, e nesse livro o triângulo muda de lado já que temos uma relação entre o Ky e a Indie, e o Xander encontra outra pessoa para amar. E apesar de torcer pelo Xander, eu não queria que ele ficasse com a Cassia porque em nenhum momento ela mereceu ele, o Xander sempre foi a segunda escolha dela, tudo e todos estavam na frente dele nas suas prioridades.

Por isso nem gostei nem desgostei da forma como a autora terminou as partes amorosas da história. Agora quanto a distopia, sabe aquela história que anda, anda e quando você percebe não moveu nenhum passo? Tudo o que era esperado não aconteceu. A Insurreição tomou o poder e a Sociedade levantou e deu o lugar, assim de graça, ninguém tentou nada, não houve nenhuma resistência. De tudo o que foi falado no primeiro livro, esperava que eles pelo menos tentassem manter o poder. Mas não. E dai você derruba um governo para que mesmo? Para nada, porque nada mudou e as pessoas continuaram do mesmo jeito como se tudo aquilo fosse normal. Então me diga o porque de eu ler três livros que juntos somam quase mil páginas para tudo continuar do mesmo jeito?

Que raiva de ter perdido meu dinheiro e meu tempo lendo essa trilogia. Queria desler eles na verdade porque não gosto de não gostar de um livro. Eu evito o máximo falar coisas ruins, sempre procuro ver as coisas boas da história. Mas não tem nada bom para falar aqui. Eu só pegaria o Xander, que é um personagem incrível e escreveria uma história completamente diferente. Não sei no que a autora pensou ao escrever essa história, se você leu e gostou, me conte nos comentários o porque de eu estar tão equivocada, porque a trilogia foi uma das piores leituras que já fiz. As capas, como disse nas outras resenhas, eu gostei bastante, tanto da escolha das cores, que tem tudo a ver com a história, como da garota estar saindo da bolha. É uma pena que ela saiu dessa bolha e entrou em outra. Não recomendo a leitura.

Nota:







04 outubro 2018

Resenha | Travessia - Ally Condie


Livro: Travessia
Série: Matched # 2
#1 - Destino
Gênero: Distopia
Autora: Ally Condie
Editora: Suma
Páginas: 280
Ano: 2012

Resenha:

Contêm spoilers do livro anterior.

Cassia Reyes vive em uma Sociedade onde não existem doenças, crimes, e todos tem direitos e acesso igual a moradia, empregos e educação. Mas tudo tem seu preço e para ter tudo isso as pessoas precisaram abrir mão de seu direito de escolha. Tudo é controlado pela Sociedade. O que você veste, o que você come, seu trabalho, com quem você vai se casar, quando e quantos filhos cada família terá e até seus momentos de lazer são escolhidos por eles. Cassia estava satisfeita com sua vida até o dia do seu Banquete do Par, onde seu futuro marido foi escolhido. Para sua surpresa seu par é Xander, seu melhor amigo. Mas então um erro em seu microcartão acaba servindo como um gatilho, por alguns instantes aparece outra pessoa como seu par no lugar de Xander, e Cassia começa a se questionar.

O outro rosto que aparece é o de Ky, um garoto que ela conhece desde criança. Mas Ky nem poderia participar da seleção de pares já que é uma Aberração por causa de uma Inflação que seu pai cometeu. A curiosidade leva Cassia a se aproximar e se apaixonar por Ky. É então que ela descobre que tudo não passou de uma experiência feita pela Sociedade. Mas Cassia não aceita que foi manipulada e decide que vai encontrar Ky, que foi levado pelos Funcionários para as Províncias Exteriores. Meses se passam e Cassia ainda não encontrou uma maneira de chegar até Ky. Mas ela lembra de uma dica que o próprio Ky lhe deu, e apesar de ainda não saber como chegar até ele, Cassia descobre que eles não estão sozinhos, em algum lugar existe um líder e uma rebelião sendo formada.

E num golpe de sorte Cassia consegue se infiltrar em uma nave que vai levar algumas meninas, Aberrações, para as Províncias Exteriores. E por pouco Cassia não encontra Ky. Um dos garotos que está no acampamento onde elas chegam, conta que Ky acabou de fugir para A Escultura junto com mais dois meninos,Vick e Eli. Cassia não perde tempo e junto com Indie, que está a procura do grupo rebelde conhecido como Insurreição, partem para os cânions que formam a Escultura. Lugar que dizem, ninguém nunca voltou vivo. E na busca por Ky, Cassia vai descobrir que ela mudou, sua visão sobre a Sociedade não é mais a mesma e o que ela puder fazer para derrubar esses sistema "perfeito", ela vai fazer. Até mesmo ir contra a vontade de quem ela mais ama nesse mundo.

"Não entre docemente naquela boa noite,
A velhice deve arder e delirar ao fim do seu dia;
Revolte-se, revolte-se contra o apagar da luz.
Embora os sábios, ao morrer, saibam que a escuridão é o certo,
Porque suas palavras não provocaram centelhas, eles
Não entram docemente naquela boa noite. (...)"
DYLAN THOMAS

Eu já tinha lido esse e o primeiro livro da trilogia quando lançou, mas decide reler para finalmente ler o terceiro e ultimo livro da trilogia e então terminar essa história que tanto se parece com o que está acontecendo em nosso cenário atual. Diferente do que aconteceu com o primeiro livro, que baixei a nota que tinha dado na época, a nota desse aumentou. Talvez por minhas expectativas não estarem tão altas como estavam na primeira vez que li ele. E talvez também por hoje eu ver o mundo de uma outra forma. E o engraçado é que o livro foi bem diferente do que eu tinha esperado. Esperava bastante ação e encontrei mais reflexão. Na primeira vez que li, vi toda a história como um nadar nadar e morrer na praia, nessa segunda vez consegui ver que toda a Travessia foi um amadurecimento da personagem principal.

Antes de mais nada vamos falar do triângulo amoroso, coisa que odeio. Cassia amava Xander como um amigo, mas quando ele foi escolhido para ser seu par ela ficou feliz e atraída fisicamente por ele. Mas então Ky apareceu e Ky era uma Aberração, ele era o quebrar as regras, o desafiar a Sociedade e isso foi o que atraiu Cassia. No primeiro livro eu não me convenci do amor entre eles, mas depois de tudo o que ela fez nesse segundo livro, acredito que é amor sim e que Xander ficou fora da jogada. Mas então teve um acontecimento no final desse livro que acredito que vai trazer ele de volta para esse triângulo. Eu particularmente, olhando pelas personalidades dos dois, escolheria o Xander, mas como sempre escolho o lado errado dos triângulos, acredito que ela vá ficar com o Ky.

Agora falando sobre a Travessia. É visível como a Cassia amadurece nesse livro. A garota mimada que nos é apresentada no primeiro livro não existe mais. Cassia agora sabe o que existe por trás da perfeição que a Sociedade mostra e o que ela não sabe ela vai descobrir. Ela entende as atitudes de seu avô e do seu pai. Ela sabe o que significa perder. E acredito que ela terminou esse livro com um potencial enorme para arrasar no próximo. Nesse segundo livro temos a narração intercalada em primeira pessoa entre Cassia e Ky e assim podemos conhecer mais esse personagem que é considerado uma Aberração porque seu pai questionou a Sociedade. Até que gostei dele, mas como já tinha escolhido o Xander, não me apaixonei.

E o Xander, ou precisamente a falta dele, foi o que me fez não dar nota máxima para esse livro. Mas mesmo não aparecendo fisicamente, ele esteve presente o tempo todo entre o casal. Indie é um personagem que me intriga e vamos ver o que a autora fará com ela no próximo livro. E por fim quero falar dessa capas, que como já disse na outra resenha, eu amei e tem tudo a ver com a história. Até as cores deles, porque remetem aos comprimidos que todos carregam, um verde para acalmar, um azul para sobrevivência e um vermelho para apagar a memória. E as cores ditam também o tom das histórias. E para finalizar, é claro que recomendo para quem gosta do gênero. Mesmo não trazendo nada de novo para quem lê bastante distopias, acho que ainda é válido a leitura. Quem sabe se quanto mais lermos sobre o assunto, mais vamos acordar para a realidade que nos cerca.

Nota:







24 setembro 2018

Resenha | Destino - Ally Condie


Livro: Destino
Série: Matched # 1
Gênero: Distopia
Autora: Ally Condie
Editora: Suma
Páginas: 247
Ano: 2011

Resenha:
O mundo como o conhecemos virou um caos e a raça humana ficou a beira da extinção. Foi quando a Sociedade assumiu o controle, fazendo assim com que a humanidade perdesse um dos seus bens mais preciosos: o livre-arbítrio. A Sociedade controla tudo e as pessoas não podem escolher mais nada em suas vidas, desde as coisas mais simples até as mais complexas. A Sociedade escolhe o que você veste, o que você come, a hora e quanto tempo você dorme, sua profissão, o que você vai fazer nos momentos de lazer e até a pessoa que você vai se casar. Essa é uma das coisas mais importantes, porque as pessoas tem seus pares escolhidos baseados na genética de cada um, gerando assim seres humanos saudáveis. A cerimônia de escolha do seu futuro parceiro(a) é chamada de Banquete do Par e é onde começa nossa história. Cassia Maria Reyes está completando dezessete anos e por coincidência seu aniversário caiu no mesmo dia do Banquete do Par

Seu presente de aniversário será conhecer seu futuro marido, cujo Contrato Matrimonial acontecerá quando ela completar vinte e um anos, e aos vinte quatro ela terá seu primeiro filho. Seu melhor amigo Xander Thomas Carrow, também está indo para o Banquete conhecer sua futura esposa e mesmo negando, ele está tão nervoso quanto ela. Mas antes de ter os pares revelado eles vão aproveitar a comida que será servida, já que é rara as ocasiões onde eles podem comer apreciando o sabor da comida, porque a ração controlada que eles recebem da Sociedade não tem gosto, e sim os nutrientes e vitaminas que todos precisam para se manter saudável. Mas Cassia entende que isso é para o próprio bem de todos já que hoje em dia ninguém morre mais de doenças e até por isso existe o Banquete Final, que acontece aos oitenta anos e que é quando a pessoa deixa esse mundo. 

Quando o par de Cassia é revelado ela tem uma surpresa bem agradável, pois, seu par é Xander. Cada um deles recebe um microcartão com informações sobre o outro, o que nem seria necessário no caso deles já que eles se conhecem a vida toda. Mas alguma coisa está muito errada porque na hora que Cassia insere o microcartão no Terminal, não é o rosto de Xander que aparece e sim de um outro amigo de infância deles, Ky Markham, que se tornou uma aberração (se a pessoa ou um parente comete uma inflação muito grave ela se torna uma aberração) e a Sociedade não comete esse tipo de erro. E enquanto tenta descobrir o que causou o erro, Cassia vai ter que se despedir do seu avô que está com o Banquete Final marcado. Mas antes de morrer ele entrega um papel a Cassia e lhe diz que um dia ela vai compreender e também lhe dá um conselho: "você tem o direito de questionar!"

"O rosto dele fica aparecendo na minha mente, mas sei que não é mais um erro da Sociedade. É meu. Sou eu que não paro de pensar nele quando devia estar pensando em Xander."

Eu li esse livro já tem mais de seis anos, mas nunca consegui finalizar a trilogia, por isso resolvi reler e ler os outros dois na sequência. Eu até cheguei a resenhar ele aqui no primeiro mês de vida do blog. Mas quem tem blog faz tempo sabe como são as primeiras resenhas, por isso exclui ela e aqui estou eu novamente. Essa distopia foi uma das primeiras que eu conheci. Ainda não tinha os filmes de Jogos Vorazes e o gênero ainda não estava na moda. Quando vi essa capa e a sinopse, fiquei bem interessada no livro, e na época que li lembro que gostei muito e só não dei nota máxima porque triângulo amoroso já me irritava desde aquela época. Mas nessa releitura acabei não gostando do livro igual a antes e minha nota diminuiu.

Destino é narrado em primeira pessoa pela Cassia, por isso só sabemos o que ela sabe. E achei ela muito inteligente para algumas coisas e bem lerda para outras. Como ela mesmo disse, a Sociedade não erra, então porque aconteceu esse erro? Era só pensar um pouquinho que ela tinha matado a charada, assim como eu já desde o inicio vi o que estava acontecendo. Como disse, não gosto de triângulos amorosos, mas acho que aqui nem é muito isso que acontece, pelo menos não nesse primeiro livro. Até porque ela não ama nenhum dos garotos. o Xander é a escolha segura, escolha que não foi feita por ela, e o Ky é a novidade, é o desafio, o quebrar as regras. E eu não consegui acreditar no amor dela por ele. Se o rosto dele não tivesse aparecido, ela nunca teria olhado para ele com outros olhos.

Quando leio livros de distopia, fico imaginando na situação em que vivemos atualmente, o quanto falta para chegarmos naquilo que está sendo descrito no livro. Se formos olhar pelo lado da Sociedade, eles resolveram os maiores problemas do mundo. Não existe mais doenças, tem educação, moradia, segurança e trabalho para todos e todos vivem em harmonia e vivem muito mais do que a média de vida atual. Mas para ter isso, as pessoas perderam um dos seus maiores direitos, que é o de poder escolher. E não quero falar sobre politica aqui, mas será que não é exatamente isso que vem sendo oferecido para nós. "Ah, vou votar em fulano porque ele vai fazer isso e aquilo", mas já pensou no que você vai ter que abrir mão para conseguir isso? Pense bem antes de votar.

Mas enfim, é um bom livro que trás muitos questionamentos, mesmo que boa parte da história o foco é no romance. Aos poucos ela vai abrindo os olhos e percebendo que nem todos são felizes e nem tudo é perfeito. Como esse primeiro livro foi mais uma introdução, acredito que nos próximos teremos mais ação e espero que de um jeito ou de outro, eles consigam mudar esse cenário. Quanto a edição, eu amei essa capa, essa e a as outras da trilogia. Nesse primeiro livro a garota está presa dentro da esfera e nas outras ela vai se libertando. Por isso acredito num crescente da história também. Recomendo para quem gosta do gênero, ainda mais pelo cenário atual em que estamos vivendo.

"Vou ficar ao lado daquela fonte seca e esperar até que a Funcionária me encontre. E quando me encontrar e perguntar o que estou fazendo, vou dizer a ela e a todo mundo o que eu sei: estão nos dando pedaços da vida real em vez da coisa inteira. E vou dizer a ela que não quero minha vida em amostras e retalhos. Uma provinha de tudo, mas uma refeição de nada.
Aperfeiçoaram a arte de nos dar só a liberdade suficiente."

Nota:







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