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24 setembro 2018

Resenha | Destino - Ally Condie


Livro: Destino
Série: Matched # 1
Gênero: Distopia
Autora: Ally Condie
Editora: Suma
Páginas: 247
Ano: 2011

Resenha:
O mundo como o conhecemos virou um caos e a raça humana ficou a beira da extinção. Foi quando a Sociedade assumiu o controle, fazendo assim com que a humanidade perdesse um dos seus bens mais preciosos: o livre-arbítrio. A Sociedade controla tudo e as pessoas não podem escolher mais nada em suas vidas, desde as coisas mais simples até as mais complexas. A Sociedade escolhe o que você veste, o que você come, a hora e quanto tempo você dorme, sua profissão, o que você vai fazer nos momentos de lazer e até a pessoa que você vai se casar. Essa é uma das coisas mais importantes, porque as pessoas tem seus pares escolhidos baseados na genética de cada um, gerando assim seres humanos saudáveis. A cerimônia de escolha do seu futuro parceiro(a) é chamada de Banquete do Par e é onde começa nossa história. Cassia Maria Reyes está completando dezessete anos e por coincidência seu aniversário caiu no mesmo dia do Banquete do Par

Seu presente de aniversário será conhecer seu futuro marido, cujo Contrato Matrimonial acontecerá quando ela completar vinte e um anos, e aos vinte quatro ela terá seu primeiro filho. Seu melhor amigo Xander Thomas Carrow, também está indo para o Banquete conhecer sua futura esposa e mesmo negando, ele está tão nervoso quanto ela. Mas antes de ter os pares revelado eles vão aproveitar a comida que será servida, já que é rara as ocasiões onde eles podem comer apreciando o sabor da comida, porque a ração controlada que eles recebem da Sociedade não tem gosto, e sim os nutrientes e vitaminas que todos precisam para se manter saudável. Mas Cassia entende que isso é para o próprio bem de todos já que hoje em dia ninguém morre mais de doenças e até por isso existe o Banquete Final, que acontece aos oitenta anos e que é quando a pessoa deixa esse mundo. 

Quando o par de Cassia é revelado ela tem uma surpresa bem agradável, pois, seu par é Xander. Cada um deles recebe um microcartão com informações sobre o outro, o que nem seria necessário no caso deles já que eles se conhecem a vida toda. Mas alguma coisa está muito errada porque na hora que Cassia insere o microcartão no Terminal, não é o rosto de Xander que aparece e sim de um outro amigo de infância deles, Ky Markham, que se tornou uma aberração (se a pessoa ou um parente comete uma inflação muito grave ela se torna uma aberração) e a Sociedade não comete esse tipo de erro. E enquanto tenta descobrir o que causou o erro, Cassia vai ter que se despedir do seu avô que está com o Banquete Final marcado. Mas antes de morrer ele entrega um papel a Cassia e lhe diz que um dia ela vai compreender e também lhe dá um conselho: "você tem o direito de questionar!"

"O rosto dele fica aparecendo na minha mente, mas sei que não é mais um erro da Sociedade. É meu. Sou eu que não paro de pensar nele quando devia estar pensando em Xander."

Eu li esse livro já tem mais de seis anos, mas nunca consegui finalizar a trilogia, por isso resolvi reler e ler os outros dois na sequência. Eu até cheguei a resenhar ele aqui no primeiro mês de vida do blog. Mas quem tem blog faz tempo sabe como são as primeiras resenhas, por isso exclui ela e aqui estou eu novamente. Essa distopia foi uma das primeiras que eu conheci. Ainda não tinha os filmes de Jogos Vorazes e o gênero ainda não estava na moda. Quando vi essa capa e a sinopse, fiquei bem interessada no livro, e na época que li lembro que gostei muito e só não dei nota máxima porque triângulo amoroso já me irritava desde aquela época. Mas nessa releitura acabei não gostando do livro igual a antes e minha nota diminuiu.

Destino é narrado em primeira pessoa pela Cassia, por isso só sabemos o que ela sabe. E achei ela muito inteligente para algumas coisas e bem lerda para outras. Como ela mesmo disse, a Sociedade não erra, então porque aconteceu esse erro? Era só pensar um pouquinho que ela tinha matado a charada, assim como eu já desde o inicio vi o que estava acontecendo. Como disse, não gosto de triângulos amorosos, mas acho que aqui nem é muito isso que acontece, pelo menos não nesse primeiro livro. Até porque ela não ama nenhum dos garotos. o Xander é a escolha segura, escolha que não foi feita por ela, e o Ky é a novidade, é o desafio, o quebrar as regras. E eu não consegui acreditar no amor dela por ele. Se o rosto dele não tivesse aparecido, ela nunca teria olhado para ele com outros olhos.

Quando leio livros de distopia, fico imaginando na situação em que vivemos atualmente, o quanto falta para chegarmos naquilo que está sendo descrito no livro. Se formos olhar pelo lado da Sociedade, eles resolveram os maiores problemas do mundo. Não existe mais doenças, tem educação, moradia, segurança e trabalho para todos e todos vivem em harmonia e vivem muito mais do que a média de vida atual. Mas para ter isso, as pessoas perderam um dos seus maiores direitos, que é o de poder escolher. E não quero falar sobre politica aqui, mas será que não é exatamente isso que vem sendo oferecido para nós. "Ah, vou votar em fulano porque ele vai fazer isso e aquilo", mas já pensou no que você vai ter que abrir mão para conseguir isso? Pense bem antes de votar.

Mas enfim, é um bom livro que trás muitos questionamentos, mesmo que boa parte da história o foco é no romance. Aos poucos ela vai abrindo os olhos e percebendo que nem todos são felizes e nem tudo é perfeito. Como esse primeiro livro foi mais uma introdução, acredito que nos próximos teremos mais ação e espero que de um jeito ou de outro, eles consigam mudar esse cenário. Quanto a edição, eu amei essa capa, essa e a as outras da trilogia. Nesse primeiro livro a garota está presa dentro da esfera e nas outras ela vai se libertando. Por isso acredito num crescente da história também. Recomendo para quem gosta do gênero, ainda mais pelo cenário atual em que estamos vivendo.

"Vou ficar ao lado daquela fonte seca e esperar até que a Funcionária me encontre. E quando me encontrar e perguntar o que estou fazendo, vou dizer a ela e a todo mundo o que eu sei: estão nos dando pedaços da vida real em vez da coisa inteira. E vou dizer a ela que não quero minha vida em amostras e retalhos. Uma provinha de tudo, mas uma refeição de nada.
Aperfeiçoaram a arte de nos dar só a liberdade suficiente."

Nota:







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