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26 dezembro 2019

Resenha | Ecos - Pam Muñoz Ryan


Livro: Ecos
Série: Não
Gênero: Fantasia
Autora: Pam Muñoz Ryan
Editora: Darkside Books
Páginas: 368
Ano: 2017


Resenha: 
Cinquenta anos antes da Primeira Guerra. 
Otto estava brincando de esconde-esconde com os amigos, e se escondeu na Floresta Negra. Enquanto espera todos serem encontrados, ele começa a ler o livro que comprou mais cedo de uma cigana. O livro conta a história de três irmãs que foram abandonadas pelo pai, o rei, e foram criadas por uma bruxa que acabou amaldiçoando as mesmas quando viu que ia perdê-las. Quando Otto percebe já se passou muito tempo e ele está perdido. É quando como num passe de mágica as três irmãs da história aparecem e ajudam Otto a encontrar o caminho para casa. Em troca Otto promete libertá-las, levando o espírito das três dentro de uma gaita de boca, que foi vendida a Otto junto com o livro.

"Chegaram aqui por uma mensageira.
Devem partir da mesma maneira.
De forma humana não sairão.
Seus espíritos como o vento soprarão.
Salvem uma alma à beira da morte
ou aqui definharão à própria sorte."


1933 - Trossingen, Alemanha.
Hitler acaba de se tornar Chanceler da Alemanha e as coisas começam a mudar de forma repentina. Para Friedrich e sua família as coisam avançam mais rápido ainda, já que ele tem uma marca de nascença que aos olhos do Partido Nazista o torna impuro. E também ele próprio, seu pai e seu tio trabalham em uma fábrica de gaitas, instrumento considerado improprio por Hitler. Com tudo de ruim que está acontecendo, Friedrich só encontra consolo em sua música. Ele tem um dom de ouvi-la até quando ninguém mais a ouve. E sua companheira é uma gaita que ele encontrou em um galpão na fabrica onde ficam as coisas que não servem mais.


1935 - Filadélfia, Pensilvânia.
Mike e Frankie são dois irmãos que já estão a cinco meses em um orfanato após a morte da avó. Mas o pior é que a diretora do lugar insiste em querer separar os dois, já que por Frankie ser menorzinho é mais fácil a adoção. E quando Mike já estava ficando desesperado porque dentro de três meses os menores que não fossem adotados seriam levados para um lugar ainda pior e ele teria que começar a trabalhar, aparece uma alma caridosa e adota os dois. Como não tinham roupas, os garotos são levados para fazer compras e eles acabam entrando em uma loja de musica onde Mike se depara com uma gaita que faz com que seu talento para a musica se torne ainda mais incrível.


1942 - Califórnia, Estados Unidos.
Ivy é uma garota de família mexicana que ganha uma gaita na escola e descobre que tem um dom para a musica. Quando ela toca as pessoas ao redor dela se sentem muito melhor. Mas sua vida não é nada fácil já que seu irmão foi para a Guerra e sua família precisou se mudar novamente, dessa vez para cuidar das terras de uns japoneses que foram para o campo de concentração após o ataque a Pearl Harbor. E Ivy vai descobrir que mesmo tendo nascido nos EUA, por ser descendente de mexicanos, ela é considerada inferior as outras crianças.

"Música não tem raça nem qualquer inclinação. Todos os instrumentos tem uma voz para contribuir. Música é uma linguagem universal. Uma espécie de religião universal. Com certeza é a minha religião. A música supera todas as distinções entre as pessoas."

Eu confesso que comprei esse livro por causa dessa edição maravilhosa. Acho que de todos os livros da editora, esse está entre o top 5 dos livros mais bem feitos. A combinação de cores, o capricho em cada detalhe, tudo me faz amar essa edição. E a gente sempre espera encontrar uma história boa, mesmo que nem sempre aconteça. Mas não esperava encontrar uma tão linda quanto essa que encontrei. A autora começou como quem não quer nada contando uma fábula e de repente somos jogados no meio da guerra e nosso coração fica apertadinho. E quando vi estava me acabando em lágrimas. Terminei as ultimas 25 páginas muito emocionada e no fim não podia deixar de favoritar o livro.


A história, que na verdade são cinco em uma, todas ligadas pela personagem principal, a música, começa com Otto em uma brincadeira e lendo um livro de contos de fadas. Nele vamos conhecer as três irmãs Eins, Zwei e Drei que recebem uma maldição que só será quebrada muitos anos depois. E essa quebra de maldição foi minha esperança durante todo o livro. Porque a autora faz o leitor sofrer. Todas as histórias, a de Otto, a das irmãs, a de Friedrich, a de Mike e Frankie e a de Ivy, terminam de uma forma súbita na parte mais triste e deixa o leitor apreensivo por um final feliz, mesmo sendo no meio de uma guerra que a gente sabe acabou com muitas vidas. E eu me apeguei a essa quebra de maldição como um fio de esperança, porque eu sabia que uma hora ela ia ser quebrada e mudar a situação.


E nem sei dizer qual das histórias eu gostei mais. Até as menores como a de Otto e das três irmãs acabaram me tirando lágrimas no final. Mas é claro que as outras três mexem mais com a gente por termos mais informações e também por se passar durante a guerra. A história de Friedrich é a mais triste. E mostra o sofrimento dos alemães que não eram "puros" segundo Hitler. E o mais triste aqui é que a própria irmã de Friedrich acredita que seu irmão é uma aberração. Fica bastante evidente na história como Hitler seduziu as pessoas e fez com que elas mudassem completamente seus ideais por algo completamente sem noção se analisada do lado de fora. E o pior é que vemos tantos iguais a ele hoje em dia e ninguém se dá conta disso.


Já as histórias dos irmãos foi a que mais me comoveu por todo o amor e amizade que havia entre eles. Como minha família não é muito unida, sempre que vejo histórias assim eu fico comovida com a união e lealdade entre irmãos. Mike toma uma atitude tão linda e tão pura por amor ao irmão, mesmo que seja uma atitude por causa de sua idade, que me fez ficar com o coração apertado só de ver tamanho sentimento. E a história de Ivy foi a mais leve se comparada as outras. Mas também ela é a personagem mais marcante por toda a sua bondade e sua forma de ver a vida. Mesmo depois de ser rejeitada por causa da sua descendência, ela ainda se tornou uma pessoa melhor.


E o que dizer da música. Como já disse ela é a personagem principal porque é o que move toda a engrenagem da história. Entre os capítulos e durante toda a leitura, temos citações de peças famosas e minha vontade era parar a leitura e ir conferir. E eu nem sou muito ligada a música. Imagino quem é como deve se sentir ao ler essa história. Enfim, essa resenha já está enorme e sei que muita gente nem vai ler. Mas quero indicar o livro para quem gosta de histórias que emocionam e nos faz pensar e repensar nossas atitudes. E tudo isso em uma edição impecável, que dá gosto de ter na estante.


Nota: 










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