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30 junho 2020

Resenha | Uma mulher no escuro - Raphael Montes


Livro: Uma mulher no escuro
Série: Não
Gênero: Suspense
Autor: Raphael Montes
Editora: Companhia da Letras
Páginas: 256
Ano: 2019

Resenha:
Foi o dia mais feliz da vida de Victoria Bravo. Ela estava muito cansada, mas se divertiu tanto que valeu a pena. Sua festa de quatro anos foi um sucesso. Veio todas as suas amiguinhas da escola e todos os vizinhos. Tinha um bolo enorme, doces, cachorro quente, pipoca, muita brincadeira e Victoria usou um vestido de princesa. No fim ela estava tão exausta que foi só deitar na cama para o sono vir. Mas ela acordou no meio da noite com os cachorros latindo e o dia mais feliz da sua vida acabou se tornando na noite mais horrível de todas. Um garoto entrou em sua casa e matou toda a sua família a facadas e pichou seus rostos com tinta preta. Não se sabe bem o porquê, mas Victoria sobreviveu.

Vinte anos se passou e a vida de Vic é apenas uma sombra mal formada do que poderia ter sido se nada daquilo tivesse acontecido. De noite ela sofre com pesadelos terríveis e durante o dia ela tenta ficar longe da bebida de quem se tornou dependente. E foge de todo e qualquer relacionamento. Ela simplesmente não consegue falar de sua vida com ninguém, por isso não tem amigos, e muito menos ser tocada por outra pessoa, então nada de namorados. As únicas pessoas que ela tem algum contato são seu psiquiatra Max, que inclusive foi quem incentivou Vic a conhecer Arroz, um cara que ela conheceu pela internet, sua tia Emília que está em uma casa de repouso e recentemente Georges, um escritor que passa as tardes na lanchonete que Vic trabalha.

O assassino, um garoto de dezessete anos chamado Santiago, foi preso na mesma noite em que tudo aconteceu, mas ao completar dezoito anos foi solto e ninguém sabe o que aconteceu com ele depois. Mas agora vinte anos depois ele parece estar de volta para "terminar" o serviço. Ao voltar para casa depois de um dia de trabalho Vic encontra a parede do quarto pichada de preto com a seguinte inscrição: Vamos Brincar? e seu urso de pelúcia, a unica lembrança da Victoria de quatro anos, pintado de preto. Até agora Vic fingiu que seu passado não existiu, mas diante dessa nova ameaça ela vai ter que tomar uma atitude. E ao revirar o passado, Vic vai descobrir que ele é bem pior do que ela pensava.

“O excesso de amor é tão perigoso quanto a falta.”

Esse é o terceiro livro que leio do autor. Em O Vilarejo ele conseguiu me deixar com o estômago revirado e em Jantar Secreto foi que descobri o tanto que ele podia ser ousado em suas histórias. Por isso estava com as expectativas bem altas para esse livro que é voltado mais para o lado investigativo, meus favoritos, e também por termos sua primeira protagonista mulher. E apesar de ter gostado bastante do que encontrei, não pude dar nota máxima por alguns pontos que irei expor na resenha. Mas ainda assim é um livro policial que eu não tenho como não deixar de indicar, até porque cada um é cada um e cada leitor vive a história de maneira diferente.

Mesmo não tendo lido todos os seus livros, um dos pontos fortes que eu sempre vejo sendo elogiado no autor, é sobre sua originalidade. E infelizmente nesse livro livro ele foi muito clichê. Desde o título, que apesar de não ser A Garota é a A Mulher, até a premissa da história, a personagem principal e o desenvolvimento eu já vi em vários outros livros do gênero. A vida da protagonista não poderia ter sido mais clichê, porque ela se tornou o que já estamos cansados de ver em pessoas que passam por traumas parecidos. Isso é ruim? Não, mas além do clichê, ainda temos uma protagonista que não desperta empatia no leitor.

É de se esperar que por tudo o que Victoria passou, a gente comece a ler o livro com pena dela e consequentemente torça por ela durante a leitura. Mas em nenhum momento isso aconteceu. Eu não consegui gostar dela. Fiquei sim morrendo de curiosidade para saber o porque daquilo tudo ter acontecido com sua família e porque ela foi poupada. E também não me aguentava de vontade de ir até o final do livro e descobrir logo quem dentre os três homens que a rodeavam era o assassino, mas foi só isso, curiosidade de uma ávida leitora de suspense, não porque queria ver a protagonista bem e livre daquilo tudo.

E até esse suspense todo não foi bem amarrado pelo autor, porque logo criei uma teoria e no fim descobri que estava certa. Não descobri todos os detalhes, mas o principal ficou evidente logo de cara. E assim como aconteceu em O Jantar Secreto, não gostei da motivação. Achei tudo tão fraco para algo daquele tamanho. Mas enfim. Ele é um ótimo livro de suspense, para quem não leu muitos do gênero como eu, ou até mesmo para quem não conhece a escrita do autor e não esteja esperando algo de nível extraordinário por todos os elogios que ele recebe. Quanto a capa gostei bastante e a edição está muito bem feita.

Nota: 












16 abril 2020

Resenha | Jantar Secreto - Raphael Montes


Livro: Jantar Secreto
Série: Não
Gênero: Suspense
Autor: Raphael Montes
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 360
Ano: 2016

Resenha:
Em Jantar Secreto vamos conhecer a história de quatro amigos, Dante, Miguel, Victor Hugo e Leitão. Até então os quatro viviam em Pingo d'Água, uma cidadezinha no interior do Paraná, mas estão de mudança para o Rio de Janeiro onde os quatro vão fazer faculdade. Encontrar um apartamento para alugar não foi nada fácil já que os preços eram bem mais altos do que eles imaginavam. Mas quando já estavam quase desistindo eles encontraram um apartamento até que bem grande e com um preço razoável, já que está localizado entre as facções das favelas dos postos um e seis. Dante vai cursar administração, Miguel medicina, Hugo Gastronomia, e Leitão Ciência da Computação. Quatro jovens com muitos planos e esperança de que a vida será boa com eles. Mas cinco anos depois com quase todos eles formados, Leitão não terminou o curso já que só quer ficar jogado na cama jogando videogame e comendo, as coisas não estão exatamente como eles tinham planejado. 

A vida não é fácil e pagar as contas é mais difícil ainda se você não tem um ótimo emprego. E não tem nada ruim que não possa piorar. No aniversário de Leitão eles têm a ideia de dar de presente de aniversário uma noite com uma garota de programa, já que Leitão ainda é virgem e pesando quase duzentos quilos é provável que continue assim. O problema é que Leitão se apaixona pela garota, Cora, e usa o dinheiro do aluguel (ele é o responsável pelo pagamento) para dar presentes para ela. E quando os outros descobrem já estão devendo seis meses de aluguel, a dívida está em quase vinte e seis mil reais e se não pagarem em duas semanas vão ser despejados. Sem ter de onde tirar o dinheiro Hugo acaba sugerindo que eles façam jantares exclusivos no apartamento mesmo, o que está na moda ultimamente. Como chef de cozinha ele monta o cardápio, carne de cordeiro, e Leitão coloca a proposta na internet. 

"Depois do que contei, é claro que você está me julgando. Deve estar aliviado, pensando: Eu jamais faria o que ele fez, esse cara é um psicopata. Sou seu termômetro de criminalidade, seu espelho de morbidez, sua bússola de loucura. Mas a verdade é que, se estivessem em meu lugar, você teria feito o mesmo. "

Mas no lugar da carne de cordeiro Leitão resolve zoar e coloca carne humana e coloca o convite para o jantar a três mil reais. Para surpresa deles em algumas horas eles têm trinta mil na conta, o suficiente para quitar a dívida e ainda sobra. E a aversão inicial a ideia de servir carne humana se torna cada vez mais atraente conforme eles vão pensando nos prós e contras. E afinal vai ser apenas uma vez. Mas onde conseguir a carne? O jantar acaba acontecendo com algumas dificuldades e é um sucesso. Só que um dos convidados do jantar, Umberto, gosta muito da ideia e quer a todo custo entrar para o negócio. Seduzidos pela ideia do dinheiro fácil, eles aceitam a proposta de Umberto que se encarrega da matéria prima para os jantares. E tudo vai bem até Dante descobrir a verdadeira origem dos corpos e ele seus amigos começarem a correr risco de vida.

"Por que você come carne de vaca, por exemplo? Ou melhor, por que raspou o prato de rosbife? É uma realidade cotidiana! A carne satisfaz, tem sabor e aparência agradáveis, Logo, comemos! O que tem de errado nisso? Absolutamente nada. Com um pouquinho de esforço, em duas gerações comer carne humana vai ser como devorar ovos e bacon pela manhã."

Esse é um livro que desde que lançou estava na minha lista de leituras. Mas quando pensava no enredo dele já me dava um nó no estomago e deixava para ler depois. Ainda mais que já tinha lido um livro do autor O Vilarejo e justamente um dos contos que traz o mesmo assunto desse livro, me fez revirar o estomago. Mas enfim resolvi ler e acreditam que não achei tudo isso não. Peraeee, não me entendam mal. Eu amei o livro, a escrita do autor é jovem e trata do assunto de forma bem simples, os capítulos passam voando e quando a gente percebe já terminou o livro, mesmo ele tendo um assunto tão pesado e sendo um livro de quase 440 páginas.


O que não achei tudo isso foram as cenas que eu ia passar mal e sentir um nojo profundo, ia pular páginas e até sentir medo como li em algumas resenhas. Teve sim uma hora que fiquei bem chocada, mas foi só. Acho que por já ter lido essa mesma temática antes em Os Sobreviventes do Andes e no livro citado pelo próprio autor O Caso dos Exploradores de Caverna, já sabia o que esperar e não senti muita coisa. Depois fiquei até pensando se eu não tinha algum problema por não ter sentido o que o povo sentiu hehe. Mas acho que foi por eu ter visto aquilo tudo como ficção mesmo. E não sei o que é pior comer a carne ou conseguir ela.

“Já pararam pra pensar que o canibalismo pode ser a solução mais imediata pra fome no mundo? Quero dizer, não comemos nossos próprios mortos por uma questão cultural. Não fomos criados assim. Acontece que enterrar os mortos é um grande desperdício de carne saborosa que poderia ser usada como alimento. Mesmo na vila mais pobre da África, onde pessoas passam fome, há carne sendo desperdiçada nos enterros. Por que não comer? O que mata essas pessoas de fome é esse impedimento moral de comer os semelhantes..."

Eu sou uma pessoa que gosta de comer carne, quando tive pedra na vesícula fiquei dois anos sem comer esperando a cirurgia e não foi fácil não, por isso uma coisa que me incomodou foi o autor ficar o tempo todo comparando quem come carne humana com quem come carne de animais. Será mesmo tudo a mesma coisa? Eu tenho uma amiga que é vegetariana e ela sempre me pergunta se eu comeria minhas gatas. Porque a vida humana tem mais valor do que a de uma animal irracional? Essa questão é levantada o tempo todo pelos personagens para justificar seus atos. E você o que pensa sobre isso?

Mas voltando ao livro. Achei o motivo deles muito fraco. Nos livros citados as pessoas comeram para não morrer de fome, mas o caso aqui foi só orgulho mesmo porque a mãe do Dante tinha aquele dinheiro e ele quis ir em frente mesmo assim, sabendo que era um caminho sem volta. Logo no começo do livro a gente já sabe que deu tudo errado para o personagem, por isso fica esperando o momento em que a coisa desandou. Gostei muito do final e quebrei a cabeça, mas acertei quem estava por trás de tudo. É raro isso acontecer porque geralmente sou meio tapada hehe. Só não dei nota máxima porque ficou bastante pontas soltas. Mas ainda assim indico o livro para quem quer ler algo diferente. Quanto a edição achei bem feita, com uma capa simples, mas bonita.

Nota:











22 outubro 2015

Resenha | O Vilarejo - Raphael Montes


Livro: O Vilarejo
Série: Não
Autor: Raphael Montes
Editora: Suma
Gênero: Terror
Páginas: 96
Ano: 2015

Resenha:
No prefácio do livro, Raphael nos conta como tomou conhecimento de O Vilarejo. Segundo o autor, ele recebeu uma ligação de um sebo dizendo ter em seu poder uma coleção de livros de uma senhora que havia falecido. Entre esses livros, ele encontrou três cadernos de capa de couro, escrito a mão com varias ilustrações, mas em uma língua desconhecida. Ele aceitou analisar o material. Logo ele viu se tratar de uma narrativa dividida em sete capítulos. Na capa interior dos cadernos ele encontrou um nome: Peter Binsfeld. Pesquisando na internet, ele descobriu que Peter era um padre demonologista, que vivia na Alemanha no século XVI.


O legado mais famoso do padre é a classificação dos demônios. De acordo com ele, os sete reis do inferno é responsável por invocar um pecado capital nos humanos. Asmodeus, luxúria. Belzebu, gula. Mammon, ganância. Belphegor, preguiça. Satan, irá. Leviathan, inveja. Lúcifer, soberba. E depois de muito procurar, ele descobriu a língua que estava escrito, cimério, uma língua morta e a única pessoa que ele encontrou no mundo todo que conhecia a língua, se recusou a traduzir os textos logo que colocou os olhos nele. Mas ele deixou um dicionário com o autor, que traduziu os cadernos. Essa tradução é o que encontramos em O Vilarejo.

São ao todo, sete contos, e em cada conto temos a forte ação de um dos sete pecados capitais. Em comum nos contos, o lugar, O Vilarejo, que hoje não existe mais, Depois de ler todos os contos, você irá entender o porque disso. Os contos não estão na ordem cronológica, então podem ser lidos fora de ordem. Eu li na ordem em que o autor escolheu organizá-los. E apesar de ser histórias independentes, os personagens se cruzam um na história do outro. isso foi uma coisa que gostei demais. Eu que não sou muito a favor de ler contos, não estranhei a leitura, me pareceu ser uma história única por ter os mesmos personagens em quase todos eles.


Li em algumas resenhas, os blogueiros falando que não sabem se o prefácio é verdadeiro ou não. Eu acredito que isso foi uma jogada do autor. Assim como fez Pittacus Lore em Os Legados de Lorien. Mas não deixou de ser uma excelente jogada, o autor apresentar a obra como se fosse algo que veio até ele de uma forma bem inusitada. Tanto o prefácio, como o posfácio, nos deixam aquela sensação de arrepio subindo pelo corpo. Mas não considero o livro de terror não. Se você está com o pé atras para ler esse livro por causa disso, leia, ele é mais de horror do que de terror. Já no primeiro conto, tive meu estomago revirado com uma coisa que acontece lá. Me deu até vontade de vomitar. Mas medo, não senti não.

Os contos, apesar de serem representados pelos demônios, que dizem ser os responsáveis pelos pecados capitais, podemos ver que eles agem sim, influenciam, mostram os caminhos mais fáceis, mas quem escolhe o que fazer, é o ser humano. O autor mostra bem em cada história, o quanto o ser humano pode ser baixo, frio e mau em sua natureza. Enfim tudo se resume ao livre arbítrio, que foi dado ao homem lá no começo do mundo. Cada um escolhe o que caminho que quer seguir. E por fim quero falar sobre a edição do livro, que está impecável. As ilustrações são lindas e a diagramação perfeita. Eu estava com receio de ler algo do autor, mas gostei do que li e assim que der, eu vou ler outros livros dele.


Nota:




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