09 fevereiro 2022

Resenha | Pecados Mortais - Maria Grund

Livro: 
Pecados Mortais
Série: Não
Gênero: Crime Thriller
Autora: Maria Grund
Editora: Trama
Páginas: 334
Ano: 2021

Resenha:

Logo agora que Bernard Hellkvist, o parceiro de Sanna Berling está há duas semanas de se aposentar, e está no modo devagar quase parando, eles encontram duas mulheres mortas, coisa rara na pequena ilha sueca. E sua nova parceira, Eir Pedersen, é uma mulher bem esquisita, Sanna quase a confunde com uma mendiga, e ela claramente está ali contra sua vontade. O primeiro corpo é de Mia Askar, uma adolescente de quatorze anos que aparentemente cometeu suicido cortando os pulsos e se jogando nas águas geladas do lago de uma pedreira. A única coisa estranha é que foi encontrado um cordão de algodão enrolado em seus cabelos e em sua cintura escrito com uma caneta permanente de cor azul, está o numero 26.

Já o segundo corpo não resta nenhuma dúvida de que foi um assassinato. Marie-Louise Roos, uma aposentada de setenta anos que possui um antiquário e comercializava livros antigos pelo mundo todo, é encontrada morta dentro de sua casa, banhada em sangue, com sinais claros de espancamento e com cortes por todo o corpo e na garganta, uma ferida profunda em formato de cruz. E seu marido Frank, um cadeirante, está desaparecido. Não há sinais de arrombamento e a coleção de livros raros está intacta. E o que chama a atenção de Sanna no local, é uma pintura no corredor que mostra um grupo de crianças com o rosto coberto por máscaras de animais, mas ela não tem nem ideia do que a pintura significa e se tem alguma ligação com o assassinato.

Isso até eles assistirem o vídeo da câmera de segurança perto da clareira e verem Mia usando uma máscara de uma raposa, idêntica a máscara da pintura. Ao voltarem na casa de Marie-Louise para examinar o quadro, eles acabam encontrando outra pista que os leva ao terceiro corpo. A vítima dessa vez é Rebecca Abrahamssom, uma enfermeira que foi assassinada da mesma forma que Marie-Louise. Mas dessa vez o assassino deixou uma testemunha: Jack, o filho de treze anos de Rebecca. O problema é que Jack está em choque e tem mutismo. Ele não consegue falar, mas desenha muito bem, e quando Sanna pergunta o que ele viu, Jack desenha um lobo muito parecido com o da pintura. Agora Sanna tem que correr contra o tempo para descobrir se existe mesmo uma ligação entre as mortes e a pintura, antes que mais alguém morra.

Esse é o terceiro livro da Trama Box e não foi tão maravilhoso quanto os dois primeiros, mas ainda assim é uma leitura válida para quem gosta do gênero. Para quem não está tão acostumado a ler o gênero, vai até gostar mais dele do que eu. Eu gostei bastante e até dei uma nota na média, mas tive alguns problemas com o livro, como logo no começo já descobri o assassino. Talvez por ler muito o gênero a gente já fica esperta com algumas coisas e peguei a pista logo no começo. Mas não é nada muito obvio não, e precisei ler até o final mesmo para confirmar se estava certa. É mais como disse, formada na escola da Agatha que sou, já estou acostumada a prestar atenção em algumas coisas que possa passar despercebida para outras pessoas.

Esse não é meu primeiro contato com a literatura policial sueca, mas foi o primeiro que vi onde as mulheres não sofrem machismo e sexismo de seus colega policiais. Em todos os outros que tinha lido até então as mulheres eram sempre vistas como incompetentes e suas opiniões nunca eram levadas em conta, mesmo elas estando certas, porque afinal são mulheres né. Mas ainda assim as duas protagonistas deixam um pouco a desejar. E não estou falando apenas do desenvolvimento de seus personagens, que acredito que a autora pretende levar elas para outras histórias e deixar para trabalhar mais nelas nos futuros livros, o problema é que falta carisma nas duas. Ainda mais se como eu penso, for ser uma série com elas mesmo.

Eu já li várias obras policiais com detetives mulheres como protagonistas, e praticamente metade das histórias se baseiam nelas, mesmo com os casos a serem solucionados em cada livro. O legal dessas séries e despertar o interesse no leitor pela vida da protagonista, para que ele fique ansioso em saber mais e compre os próximos livros. Mas nem a Sanna, nem a Eir me conquistaram. Não sei dizer qual das duas é mais sem sal. Elas até tem uns dramas familiares em suas vidas, Sanna tem um passado trágico e doloroso que ainda não superou e Eir tem uma irmã problemática e ela mesma é bem da esquisita, mas sabe quando não bate aquela vontade de saber mais? Terminei o livro com a sensação de tanto faz e se não vier outros livros da série na caixa, por exemplo, eu não irei comprar.

Agora sobre os crimes, mesmo tendo descoberto o assassino antes, é interessante acompanhar conforme o caso vai avançando e as pistas vão surgindo. Eu não comentei no pequeno resumo da história, mas existe uma ligação religiosa e até temos uma referencia a isso no titulo do livro. Os animais são uma espécie de representação dos pecados capitais e sempre que temos de uma forma ou outra a Igreja envolvida, as histórias ficam mais intrigantes. E teve horas que fiquei um pouco chocada e com muita raiva de como existem pessoas como essas no mundo e que infelizmente acabam não pagando pelos seus crimes. Fica aquela sensação de impotência porque ali no livro é ficção, mas quantas crianças não passam por isso na vida real.

E confesso que me vi torcendo pelo assassino, já que ele age onde a justiça não faz nada. Sei que estou errada ao pensar assim, mas quantas vezes ao ver algum desses monstros saindo impune, você já não pensou que se pudesse teria feito alguma coisa. Será que existe diferença entre somente pensar e de fato agir? Mas enfim, é uma boa história, só que é mais do mesmo para quem lê muito o gênero. Quanto a edição está tão bem feita quanto as outras duas que já vieram na caixa, só o brinde desse mês que achei bem ruinzinho. Veio um calendário, mas o material é bem do mais ou menos. Vamos torcer para a próxima caixa ser mais do meu agrado. 

Nota:






10 comentários:

  1. Menina, eu vi a capa e deu até um frio na espinha, rsrs....
    Gosto muito desse estilo, mas tem tempo que não leio nada parecido. Não conhecia nem o livro, nem a autora. Dica anotada!

    =)

    Suelen Mattos
    ______________
    Romantic Girl

    ResponderExcluir
  2. Que pena que as protagonistas não tiveram carisma o suficiente para te fazer ansiar para os próximos livros (se tiver uma série).
    Não costumo ler livros assim porque sou medrosa demais, só de olhar a capa e fiquei com medo hahahahaha
    Tomara que os próximos livros da caixa e brindes sejam mais do seu agrado.

    beijos

    https://duquesaazarada.blogspot.com

    ResponderExcluir
  3. Oie, as tramas boxes estão lindíssimas. Esse livro não me instigou tanto porque ele já é bem mais intenso e iamgino que gostaria de algo mais leve do gênero.

    Bjs

    Imersão Literária

    ResponderExcluir
  4. Só de não sofrer sexismo e machismo merece as estrelinhas kkkkk eu não sou muito fã de thrillers em geral, são poucos os que me pegam mesmo e esse aqui não foi um deles.
    Beijos
    Balaio de Babados

    ResponderExcluir
  5. Oi Sil,
    Por ler muitos suspenses, eu provavelmente teria o mesmo sentimento que você sobre esse livro, mas fiquei curiosa em lê-lo por causa da investigação em si. Além disso, acho que o livro traz questionamentos sociais bem interessantes.
    Beijo, Blog Apenas Leite e Pimenta ♥

    ResponderExcluir
  6. Oi
    que bom que curtiu, pena que a experiência acabou não sendo 100% por ter descoberto o assino logo no inicio, mas eu fiquei curiosa para saber a relação do quadro com os crimes, parece ser uma leitura interessante.

    https://momentocrivelli.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  7. Oie Sil!!
    Nunca li literatura policial sueca! Acho que vale super a dica, mas eu que sou meio mole para algumas coisas, sabe?
    Nossa, a gente fica muito revoltada com o quão pouco é feita justiça, né, e muitasvezes saem impunes de grandes delitos :( é revoltante mesmo!

    Beijos!
    Pâm
    Blog Interrupted Dreamer

    ResponderExcluir
  8. Oi Sil, tudo bom?
    Entendo quando você diz que torce para o vilão. É uma coisa diferente e pouco 'explicável', mas te entendo. Eu tenho dessas também de torcer para a pessoa errada, principalmente em séries de tv, rs.
    E que pena que a experiência não foi tão boa, porque eu gosto bastante dessa capa e estou vendo que muita gente está gostando das publicações da Trama!
    beeeijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  9. Oi Sil! Essa capa é bem assustadora! Que pena a trama ser tão fraca, até mesmo uma pena as policiais terem personalidade tão ruim ao ponto de o criminoso parecer ser mais interessante. Eu não tinha visto a obra ainda, mas sinceramente, não fiquei com vontade de ler. Bjos!! Cida
    Moonlight Books

    ResponderExcluir
  10. Oi, Silvana! Parece interessante essa obra, desde que o foco não seja apenas o quem matou, pois, assim como você, li livros da Agatha na adolescência e, mesmo agora precisando rele-los, uma coisa que aprendi foi ter uma visão diferente a ponto de já pegar algumas coisas que seriam surpreendentes durante a condução do mistério. Acho isso uma desvantagem para a gente, então aprendi a me concentrar no desenvolvimento em si, no desenrolar das coisas e em como os personagens são trabalhados ao longo da trama. Parece uma boa leitura, sim. Um abraço, boa semana.

    ResponderExcluir

© Blog Prefácio ♥ 2016 - Todos os direitos reservados ♥ Criado por: Taty Salazar || Tecnologia do Blogger. imagem-logo