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15 janeiro 2021

Resenha | A Irmã de Becky Bloom - Sophie Kinsella

Livro: A Irmã de Becky Bloom
Série: Becky Bloom #4Gênero: Chick-Lit
Autora: Sophie Kinsella
Editora: Record
Páginas: 480
Ano: 2006

Contêm spoilers do enredo do livro anterior no primeiro parágrafo.

Resenha:

Em um golpe de sorte Becky conseguiu conciliar seus dois casamentos que estavam marcados para o mesmo dia e mesma hora só que em continentes diferentes e de quebra ainda convenceu Luke a tirar um ano sabático e partir para uma viagem de lua de mel conhecendo o mundo. Mas dez meses depois Becky não vê a hora de voltar para casa, ainda mais que ela não está presente em momentos importantes da vida de seus amigos e familiares. Por isso quando chega o convite para o batizado dos gêmeos da sua melhor amiga Suze, Becky decide que está na hora de voltar, para alivio de Luke que não aguentava mais ficar longe de sua empresa. Tanto que no momento que Becky diz que quer voltar ele já marca duas reuniões de trabalho em Milão.

Luke pensa em ir sozinho, mas Becky não vai perder a oportunidade de conhecer a capital da moda, mesmo que agora ela seja uma pessoa diferente e não compre tudo o que vê pela frente. E Becky até que permanece firme em seu propósito e só compra um cinto para Luke, pelo menos até o momento em que coloca os olhos naquela bolsa Angel. A mesma que está esgotada e existe até uma lista de espera, ali na sua frente disponível para compra. Becky só precisa pensar em uma maneira de contar para Luke que gastou uma fortuna em uma bolsa. Isso e as "coisinhas" que comprou na viagem e mandou entregar em casa escondido dele. Mas não é apenas Luke que vai ter uma surpresa quando chegar em casa, Becky vai descobrir que as coisas mudaram e muito durante sua ausência. 

Ao chegar no batizado, Becky descobre que Suze agora tem uma outra melhor amiga, Lulu, que Becky detesta à primeira vista. E isso não é nem o pior. Becky descobre que seu pai teve uma filha antes de casar com sua mãe e Becky tem uma irmã mais velha, Jessica. Passado o choque, Becky quer tirar proveito da situação e já que Suze trocou ela pela Lulu, Becky vai fazer de Jess sua nova melhor amiga. O problema é que Jess é o oposto de Becky. Ela detesta fazer compras e só gasta o necessário. E além disso tudo Becky ainda tem que se preocupar com seu casamento que está por um fio depois que suas compras da viagem chegaram. Luke ficou furioso depois que viu os dois caminhões enormes lotados das bugigangas que Becky comprou. Isso sem falar que ela resolve "ajudar" Luke na empresa e acaba colocando ele em uma enrascada.

Esse é o quarto livro da série Becky Bloom, que já está com nove livros publicados. E infelizmente vou ter que me conformar que os livros serão mais do mesmo, com o mesmo enredo em todos eles e que nada vai mudar na protagonista, que tem uma doença e nem ela nem ninguém à sua volta consegue ver. E o pior nem é isso, o que não me conformo mesmo é que em todos os livros temos um milagre e Becky resolve todos os problemas em um piscar de olhos, o que infelizmente está bem longe da realidade. Ai você que sempre lê minhas resenhas vai dizer, mas você não gosta de livros que fujam da realidade e que tenham final feliz? Sim, são meus favoritos. Mas desde que não abordem uma doença de forma tão superficial. 

Nos quatro livros que li até agora acontece a mesma coisa. A Becky vai gastando sem controle, comprando tudo o que vê pela frente, independente de se ela precisa ou não, fica devendo até as calças, e para ninguém descobrir, já que ela acredita que consegue resolver a situação por conta própria, ela mente sem controle e no fim quando parece que enfim ela vai aprender alguma coisa vem alguém e "salva" a situação. Quatro livros depois e Becky continua a mesma garota mimada do primeiro livro que acha que pode mentir e gastar o que não tem que está tudo certo. A coisa sai tanto de controle que tem momentos que fico "Meu Deus como pode isso e ninguém faz nada".

Mas então eis que surge enfim um personagem que aparentemente vai dar um banho de realidade na protagonista. Sua irmã Jessica é controlada, compra somente o que precisa e ainda pechincha na hora de pagar. E até uma grande parte do livro achei que isso fosse realmente acontecer. Mas então lá vem a autora e estraga tudo no final, inventando um vício para a Jess que coloca ela no mesmo patamar que a Becky, e justifica o parentesco. Então mais uma vez Becky acredita que ela está certa agindo como uma louca comprando tudo o que vê pela frente. Infelizmente estou bem chateada com a forma como a autora escolheu abordar esse vício que é uma doença e que a pessoa não consegue parar sem ajuda profissional.

Dai você vai me perguntar mas então porque você continua lendo os livros. Primeiro porque eu comprei os livros em uma época que gostava e muito desse gênero e paguei bem caro para não ler eles agora. E segundo porque a escrita da autora é viciante eu li o livro em menos de cinco horas. Se não fosse esse descaso da autora com o problema da Becky, os livros seriam engraçados e uma série ótima de se acompanhar. E até por isso dei uma nota na média. Mas como sempre digo, cada um tem um gosto e você pode estar em outra fase da vida e ler o livro e amar. Por isso não posso deixar de indicar ele para quem curte chick-lits. Quanto a capa é tão sem graça quanto as outras da série. E minha edição comprei em um sebo e está bem maltratada, principalmente no miolo do livro que está sujo. 

Nota:





08 dezembro 2020

Resenha | As Listas de Casamento de Becky Bloom - Sophie Kinsella

Livro: As Listas de Casamento de Becky Bloom
Série: Becky Bloom #3
2 - Delirios de Consumo na 5ª Avenida
Gênero: Chick-Lit
Autora: Sophie Kinsella
Editora: Record
Páginas: 446
Ano: 2004

Contêm spoilers dos livros anteriores.

Resenha:

Depois de ser desmoralizada ao ter sua situação financeira exposta nos jornais e perder seu emprego e seu namorado, Becky Bloom aparentemente resolveu dar um novo rumo na sua vida. Ela desistiu de vez da área financeira e agora trabalha com o que realmente gosta: moda. Ela é uma consultora de compras e pode comprar o que quiser já que a conta vai para seus clientes. E sua vida amorosa também parece que entrou nos rumos já que Luke se declarou e disse que não consegue viver sem ela e agora os dois dividem um apartamento em Manhattan. Sabendo dos problemas de Becky, Luke tem a ideia deles abrirem uma conta conjunta, assim ele consegue monitorar os gastos de Becky e ajudar ela a se controlar. 

Mas conhecendo Becky já sabemos que essa ideia não funciona muito bem. Na verdade em vez de ajudar Becky a controlar o que compra, a conta conjunta só serve para criar atrito entre eles e incentivar a criatividade de Becky, que precisa inventar novos jeitos de gastar sem Luke descobrir. Mas por enquanto o relacionamento está dando certo e já faz um ano que eles estão morando juntos. E com a aproximação do casamento de sua melhor amiga Suze, Becky começa a pensar que ela e Luke também podiam levar o relacionamento para outro patamar, mesmo que casamento seja o último item na lista de prioridades de Luke. Pelo menos era nisso que Becky acreditava. 

Por isso ela tem a maior surpresa de sua vida quando pega o buquê de Suze e dentro dele tem um envelope com um anel de diamante junto com um pedido de casamento de Luke. Becky fica nas nuvens e antes mesmo de Suze ir para a lua de mel, ela já começa a planejar o casamento. O problema é que a mãe dela quer fazer a cerimônia na Inglaterra e a mãe de Luke quer uma festa estrondosa em Nova York. Então Becky se vê entre a cruz e a espada porque se ela escolher o casamento no quintal da casa da sua mãe, Luke vai ficar magoado, e se ela escolher o Plaza Hotel, serão seus pais os ofendidos. Mas ela pode decidir isso depois já que no momento o mais importante é fazer a lista de casamento. 

Terminei o terceiro livro da série e já estou pensando seriamente em como vou aguentar a Becky por mais seis livros. Porque a construção da história é idêntica nesses três primeiros livros, e pelo andar da carruagem acredito que o mesmo vai acontecer nos próximos. Temos a Becky se enrolando cada vez mais ao longo da história e no final acontece um milagre e salva tudo. E acredito que não tem mais jeito, nem adianta ter esperança de ela mudar suas atitudes, reconhecer que tem uma doença e que precisa de ajuda de um profissional, Becky vai continuar mentindo, omitindo, criando histórias mirabolantes para ninguém descobrir as coisas de errado que ela faz e quando nada mais funciona, fugindo dos problemas em vez de enfrentá-los.

Como agora a conta deles é conjunta pensei que pelo menos ela ia pensar duas vezes antes de gastar, e ela pensa duas vezes sim, até quatro, mas é em como vai esconder a fatura de Luke. E a criatividade vai longe. E ela ainda tem "sorte" porque Luke está passando por um momento difícil e não está prestando muito atenção no que ela faz. Desde o primeiro livro vemos que Luke trabalha em excesso e nesse livro temos o motivo. Ele foi abandonado pela mãe ainda muito pequeno e na cabeça dele, ele precisa vencer na vida, principalmente em Nova York onde a mãe mora para se mostrar merecedor do amor dela. Mas por mais que ele faça, ela não lhe dá nenhuma atenção. E como deu raiva dos desmandos dela e a Becky ali aceitando tudo calada por falta de coragem de se impor.

Mas raiva mesmo foi o que passei com a Becky com dois casamentos sendo organizados em dois continentes diferentes e ela enganando os dois lados. Enquanto ela estava prejudicando somente ela com seu vício em compras ainda ia, mas agora era muita gente e muito dinheiro envolvido. E o que mais me irritou foi que novamente a autora não mostrou o lado ruim de ser assim. De novo ela se safa com um " milagre " e fica tudo bem no final. Sou da opinião que os livros tem sim que serem leves e divertidos, e até prefiro esses tipos, mas a partir do momento que a autora escolhe abordar uma doença tão prejudicial como essa e que não tem muitos livros que falam sobre esse assunto, ela tem a obrigação de mostrar que vai ter consequências sim e não que vai acontecer um milagre e ficar tudo bem. 

Ainda mais sendo uma série de livros com o é o caso. A minha esperança é de que em algum momento ela mostre a realidade da coisa e não que fique todos os livros seguindo essa mesma fórmula que até para os olhos de alguns pode ser engraçada, mas que aos meus só me deixa desesperada por saber que existem pessoas nessa mesma situação se endividado cada vez mais por não reconhecerem que tem uma doença. Mas novamente vou dar uma nota na média porque a escrita da autora é viciante e li o livro de mais de quatrocentas páginas em poucas horas. E também sei que um público mais jovem vai apreciar a história mais do que eu. Quanto a edição já disse que acho essas capas sem graça e as folhas são brancas o que dificulta a leitura. 

Nota:







14 setembro 2020

Resenha | Becky Bloom - Delirios de Consumo na 5ª Avenida - Sophie Kinsella

Livro: Becky Bloom - Delirios de Consumo na 5ª Avenida
Série: Becky Bloom #2
1- Os Delírios de Consumo de Becky Bloom
Gênero: Chick-Lit
Autora: Sophie Kinsella
Editora: Record
Páginas: 466
Ano: 2002
Resenha:

Contêm spoilers do livro anterior.

Rebeca Bloom é uma Shopaholic, uma compradora compulsiva que compensa suas tristezas e frustrações com o ato da compra. E como fatalmente não consegue pagar tudo o que compra, ela mente e engana todos à sua volta, inclusive ela mesma chega a acreditar nas mentiras que conta. E a ironia disso tudo é que ela trabalha na área de finanças. E a situação chegou em um ponto insustentável, mas por um golpe de sorte Becky conseguiu um novo emprego como consultora financeira em um programa de tv, com um salário infinitamente maior do que seu anterior e conseguiu quitar todas as suas dívidas e de quebra ainda conseguiu um namorado, Luke Brandon.

Mas agora ela aparece na televisão e precisa de roupas melhores, por isso seu novo guarda roupa conta como um investimento. E é isso que ela usa para justificar seus novos surtos de compras, tanto para sua melhor amiga Suze, como para o gerente do seu banco que vem alertar sobre o valor que ela já está devendo no cheque especial. Ele também avisa Becky que está aposentando e que seu substituto tem a fama de ser muito rigoroso com os devedores. Mas Becky nem presta muita atenção já que está pensando na sandália que ela precisa comprar para sua viagem romântica com Luke. Que na verdade acaba virando uma viagem de negócios e ela ainda descobre que Luke vai se mudar para Nova York.

Becky fica desesperada achando que vai levar um fora de Luke, mas para sua surpresa ele pede que Becky vá morar com ele. Luke diz que ela não precisa decidir já, primeiro eles podem tentar um período de adaptação e Becky concorda. Assim ela parte para Nova York para ficar quinze dias deixando para trás o emprego e todas as milhares de cartas de cobrança que tem chegado nos últimos dias. E se Becky já é um perigo em Londres, imagine na meca mundial do consumo. Assim que chega à 5ª Avenida Becky sabe que encontrou seu lugar no mundo. São tantas promoções e descontos que Becky imagina estar no céu. Mas então à realidade bate a sua porta e Becky está prestes a perder o emprego, a credibilidade e Luke, tudo de uma vez.

"Olho em volta no salão luminoso, ruidoso, as mulheres se juntando aqui e ali, pegando a mercadoria, experimentando echarpes, enchendo os braços com coisas novas e brilhantes. E sinto um calor súbito: uma realização avassaladora. Este é o meu povo. É este o lugar que eu pertenço. Encontrei minha pátria."

Eu li o primeiro livro dessa série em 2016, em uma época que chick-lit era meu gênero literário favorito. E desde então meu gosto e minhas opiniões sobre vários assuntos mudaram muito. E pude perceber que o gênero já não me agrada tanto quanto antes. Recentemente eu reli a trilogia A Rainha da Fofoca e me irritei muito com as atitudes da protagonista. E com a Becky não foi diferente. Eu estou procurando ler livros mais leves e achei que a série da Becky Bloom, que tenho inteira na estante e só tinha lido o primeiro livro até então, iam ser leituras leves e divertidas. Mas o que antes eu achava engraçado e ria muito, hoje só me irrita.

Quando li o primeiro livro já percebi que a autora criou a Becky como um alerta. Mas o que me frustou na leitura foi ver que em vez de mostrar um caminho para quem sofre com o problema, a personagem foi "recompensada" por tudo de errado que fez. E mesmo com um final meio aberto dá para entender que ela não mudou nada, pelo contrario, continuou fazendo tudo igualzinho. E porque mudar se daquele jeito deu certo? O negócio é que a conta só chega nesse segundo livro, então quem só leu o primeiro livro vai ficar com um final diferente na cabeça, achando que na verdade a autora apenas brincou com o vício, que infelizmente muita gente sofre sem nem perceber. 

E como sabemos esse é um problema muito sério, que a pessoa não consegue resolver sozinha e se Becky não procurar uma ajuda profissional ela nunca vai melhorar. E pelo menos nesses dois primeiros livros foi isso que vemos, a personagem tapando o Sol com a peneira, mas o vício está lá. Até porque nem ela nem ninguém ao seu redor consegue enxergar que ela sofre de uma doença e tudo o que acontece de errado é sempre culpa de outra pessoa ou de alguma circunstancia infeliz, nunca é culpa do vício. Por isso fiquei chateada pela forma como a autora abordou o assunto, já que a gente sabe que na vida real a realidade é bem diferente. Não vai acontecer um milagre, igual acontece nesses dois livros, para livrar a cara da personagem.

E meu Deus que nervoso que passei com a Becky. Vai dando um desespero ao ver como ela compra, compra e vai inventando justificativas para comprar e vai se enfiando em dívidas cada vez maiores e ainda por cima acreditar que se ela não abrir e ler as cartas de cobrança, não vai ser real. E ela acaba se tornando uma mentirosa compulsiva porque uma mentira vai levando a outra e quando percebe ela não consegue mais voltar atrás e até acaba acreditando em suas próprias mentiras. E acho que a coisa fica tão "fácil" que ela acaba inventando histórias em outras situações também, não somente quando envolve o dinheiro. 

Quanto ao romance do livro, achei que não evoluiu nada do primeiro livro para esse. No primeiro Luke mal aparece, e nem sei quando foi que a Becky teve tempo para se "apaixonar" por ele. Já nesse Luke trabalha que nem um louco e eles mal se falam. É zero conversas entre eles. Tem uma situação onde eles vão ir em um casamento de um vizinho da Becky e de quebra Luke vai conhecer seus pais, e Luke não aparece, não avisa nada e Becky não liga para ele para perguntar o que aconteceu. Será que já tinham inventado o telefone nessa história? 

Mas enfim, eu avaliei o livro pela escrita da autora, que é ótima e eu li as quase 500 páginas em um dia de tanto que ela prende a gente. E também procurei olhar pelo lado do publico alvo do livro, porque se eu tivesse lido esse livro alguns anos atrás, minha visão teria sido diferente. Agora só me resta rezar para que por um milagre a série inteira, que até o momento tem nove livros, não seja desse mesmo jeito porque se não já prevejo muita irritação. Quanto a edição, é antiga, só encontrei os primeiros livros da série em um sebo e os livros são com folhas brancas. E as capas acho bem sem graça. 

Nota: 








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