Livro: Darkdawn - As Cinzas da República
Série: Crônicas da Quasinoite #3
#1 - Nevernight: A Sombra do Corvo
#2 - Godsgrave: O Espetáculo Sangrento
Gênero: Fantasia
Autor: Jay Kristoff
Editora: Plataforma21
Páginas: 704
Ano: 2020
Contêm spoilers dos livros anteriores.
Resenha:
Mia Corvere cresceu sedenta por vingança. Aos dez anos ela assistiu o pai ser enforcado por traição e sua mãe e seu irmão ainda bebê, serem levados para a prisão e jurou matar os responsáveis pela destruição da sua família. Mia só não ficou sozinha no mundo porque ela tem um dom, ela é uma sombria e tem um passageiro em suas sombras que se alimenta do seu medo, o Sr. Simpático. Com um único objetivo em mente, Mia passou a adolescência treinando para conseguir se tornar uma serva da Igreja Vermelha, um bando de assassinos com permissão para matar em nome de Niah, a deusa da noite. E ela conseguiu chegar à Igreja e se tornar uma Lâmina. Mas Mia descobriu que seu maior inimigo é um protegido da Igreja e eles nunca deixarão ela cumprir sua promessa.
Então Mia come o pão que o diabo amassou se tornando uma escrava gladiatti para conseguir lutar no Torneio de Glodsgave e se sagrar campeã para ter a chance de matar seus inimigos de uma vez só. E ela pensa que conseguiu, mas um deles, o cônsul Scaeva sobrevive e ela ainda descobre que o filho do cônsul é na verdade seu irmão Jonnen, que ela pensava estar morto. E mais, ele é um sombrio como ela. Mas Jonnen ainda era um bebê quando foi levado pelo pai e não aceita o que Mia lhe conta. Para ele Mia é a mulher que matou seu pai na sua frente, e a história se repete. E alem de ter que lidar com Jonnen, Mia ainda tem que descobrir o que aconteceu com Ash e Mercurio que não aparecem no local combinado.
Mercurio foi capturado pela Igreja Vermelha e Mia vai fazer de tudo para libertar seu antigo mentor e o mais próximo de um pai que ela já teve, mesmo sabendo que a Igreja vai usá-lo como isca. E Ash só conseguiu escapar da Igreja porque recebeu ajuda do que ninguém menos do que Tric, o ex-amante de Mia que ela assassinou e que agora é um espectro, um sem-lume. Enquanto é caçada pela Igreja e pelos soldados luminatii de Scaeva, além de tentar ganhar a confiança do irmão e ainda lidar com a presença da atual e do ex-amante, Mia ainda vai ter que enfrentar outro desafio para o qual está destinada. A veratreva se aproxima e as sombras em Mia estão cada vez mais agitadas. O ultimo capitulo da história de Mia se apresenta e sua morte está cada vez mais próxima.
"Os muitos eram um. E serão um de novo; um sob os três, para erguer as quatro, libertar o primeiro, cegar o segundo e o terceiro."
O ultimo livro de uma história é sempre dificil de ler e mais dificil ainda de resenhar. Confesso que li ele com um pé atrás porque como disse na resenha do segundo livro, li a resenha da Luiza e ela se decepcionou com esse terceiro. Mas ainda bem que minha opinião foi um pouco diferente da dela. Ainda achei que o livro deixou a desejar, mas gostei de grande parte do que encontrei nele. Mas pensei muito antes de dar minha nota final, e acabei fechando com um 4/5 e vou explicar o porque dela nos próximos parágrafos. Mas já deixo claro que não foi uma leitura fácil e em um certo momento precisei parar, ler outro livro e só então voltar para terminar esse.
Desde o começo da história de Mia já sabemos que ela está morta. O cronista vai contar a história de um mito, de uma heroína para alguns, de uma assassina para outros, mas ele deixa claro que ela está morta. Então nem esperem uma história com aqueles finais felizes que estamos acostumados a ver em romances de época por exemplo. Mas a esperança é a ultima que morre e fui até o final com aquele fiozinho aceso de que ia dar tudo certo no final, porque quem disse que ela não poderia ter morrido de velhice? Não vou contar como foi é claro. Mas vou falar, dos últimos livros de fantasia que tenho lido, esse foi o que o autor mais pesou a mão na hora de matar os personagens. Achei que não ia sobrar ninguém no final.
E isso me incomodou muito porque parece que os dois primeiros livros foram escritos em vão. Tudo o que ela passou até então foi reduzido a nada porque a história verdadeira era outra e não passava nem perto do que ela viveu até então. Me senti enganada. Se ele tivesse contado a história de uma outra maneira, dando a entender que aquilo ali seria uma espécie de amadurecimento para ela enfrentar o que estava a sua esperava, a minha visão teria sido outra. Mas ele simplesmente omitiu a "verdadeira" história escondendo ela atrás de uma vingança, que perdeu completamente o sentido nesse terceiro livro.
Outra coisa que me fez não dar nota máxima foi o tanto que o autor enrolou para chegar em algum lugar. Praticamente metade do livro Mia e seus companheiros ficam dando voltas e não acontece nada. Foi nesse ponto que citei ali acima que parei de ler e fui ler outro livro para só então voltar e terminar a história, porque se tivesse continuado a minha nota teria sido bem menor. E por fim a terceira coisa que me degradou nesse terceiro livro foi que do nada o autor me inventa um triangulo amoroso com Mia, Ash e Tric, sendo que a sua atual amante matou o seu ex. Tanta coisa acontecendo e temos que ler páginas e páginas de discussões bobas entre Ash e Tric, com Ash a todo instante jogando na cara de Tric que é ela que está com a Mia. Revelando uma insegurança que até então não existia na garota que planejou acabar com a Igreja Vermelha.
Aliás a quasinoite e toda cenário criado pelo autor, a mitologia dos deuses que regem a história foi uma das coisas que mais gostei. Pena que ficou em segundo plano no foco do autor e parece que ele só lembrou deles nesse terceiro livro. Poderia ter aproveitado melhor os deuses como personagens da história em si. Mas personagens maravilhosos foi o que não faltou nessa história, ainda que Mia seja o grande destaque dela. Mia é simplesmente sensacional, ainda gosto mais da Aelin, mas ela com certeza garantiu um lugarzinho no meu coração. E isso porque ela é uma anti-heroína, Mia é o oposto de tudo o que uma heroína deveria ser, mas ainda assim ela ganha a simpatia do leitor e faz com que a gente torça que nem loucos para ela conseguir sua vingança e seu final feliz.
Uma coisa que gostei muito nos livros, foi que no começo do segundo e do terceiro temos uma apresentação dos personagens e assim a gente não fica perdido na história como acontece com várias séries que os autores demoram horrores para escrever. E outra coisa que amei foi a revelação de quem é nosso narrador misterioso, que é o grande diferencial dos livros, já que temos notas de rodapé com ele dando seus pitacos sobre o que está acontecendo. Confesso que nem me passou pela cabeça a identidade do dito cujo. E para finalizar que essa resenha já está enorme, só deixo minha insatisfação com as páginas brancas, porque de resto os livros estão lindos. Indico a trilogia para quem gosta do gênero.
Nota:












