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14 maio 2018

Resenha | Um Vento à Porta - Madeleine L'Engle


Livro: Um Vento à Porta
Série: Uma Dobra No Tempo #2
#1 - Uma Dobra no Tempo
Gênero: Fantasia, Ficção Cinetífica
Autora: Madeleine L'Engle
Editora: HarperCollins Brasil
Páginas: 224
Ano: 2018

Resenha:
Estamos de volta à casa da família Murry. Já se passou um ano desde os acontecimentos de Uma Dobra No Tempo e agora Charles Wallace tem seis anos e acabou de entrar na escola. Já no livro anterior sua família, principalmente sua irmã Meg, previa as dificuldades que seria quando Charles começasse a frequentar a escola e tivesse mais contato com crianças da sua idade. Charles tem uma inteligencia bem acima da média, mas por outro lado ele tem algumas dificuldades, como falar com pessoas fora de seu circulo familiar por exemplo. Não que ele não consiga falar, é exatamente o contrário, ele fala sobre assuntos que ninguém mais de sua idade tem interesse. Charles começou a falar com quase quatro anos, e quando falou, diferente dos bebês, já começou com frases inteiras.

E não é só no QI que Charles é diferente dos outros, ele é muito perceptivo e sabe ler as pessoas como se estivesse ouvindo seus pensamentos. E por esse jeito diferente dele, as crianças começam a pegar no seu pé. Cada dia ele chega em casa mais machucado e Meg resolve conversar com o diretor da escola que diz que quem tem que se preocupar com isso são seus pais e não ela. Mas seu pai está viajando a trabalho e sua mãe está envolvida com um novo projeto que depois Meg descobre estar relacionado a saúde de Charles. E Meg só percebe que Charles está doente quando ele diz que viu dragões na horta dos gêmeos. Quando Charles leva Meg até o local, que não tem nenhum dragão por sinal, Charles chega lá sem folego. E Meg repara que ele está muito pálido e Charles diz que o problema são suas mitocôndrias.

Meg fica muito preocupada, mas sua mãe diz que esta pesquisando e por enquanto não há o que fazer. Mas Meg não consegue ficar parada e assim que anoitece vai até o local onde Charles diz ter visto os dragões e acaba encontrando Calvin que veio pedir desculpas pois seu irmão foi um dos que agrediu Charles. E eles encontram os dragões que na verdade é Proginoskes, um querubim feito de asas, vento e chamas. E junto do querubim um estranho que se apresenta como o Professor, que diz estar ali porque precisa da ajuda deles. Eles vão passar por três testes, e os testes tem a ver com o trabalho do seu pai, por causa das estrelas que estão desaparecendo, e também com a doença de Charles. Mais uma vez os três vão embarcar em uma aventura, dessa vez para salvar a vida de Charles e de quebra salvar novamente o universo. 

— Talvez estejamos mesmo sonhando — disse Calvin pensativo.
— O que é real? — perguntou de novo o Professor.

Mais uma vez mergulhei na mistura do mundo científico e fantástico criado pela autora há mais de cinquenta anos, mas que contêm críticas sociais que ainda vale para os dias de hoje. Apesar de ter os mesmo personagens nos cinco livros, segundo a própria autora, não é uma série, porque, apesar dos personagens irem envelhecendo de um livro para o outro, eles não são continuações. As histórias tem começo, meio e fim e podem serem lidas fora de ordem porque não vai pegar nenhum spoiler de um livro para o outro. E mais uma vez temos que usar bastante a imaginação para conseguir visualizar os ambientes e tudo o mais que a autora inseriu na história, porque são coisas e palavras que a gente nunca ouviu e expressões que nunca vi em lugar nenhum.

Nesse segundo livro achei que a história foi bem mais para o lado da ficção científica do que da fantasia, mesmo nesse tendo a figura de um querubim e de anjos caídos, que aqui são chamados de Ectroi. Porque fora isso os termos usados foram bem científicos e, para quem gosta do gênero é um prato cheio. Por outro lado quem não gosta vai ficar um pouco perdido na história e pode acabar achando ela um pouco chata. Eu particularmente gostei mais do primeiro livro, mas esse me agradou também. Só que me irritei em algumas horas com a personagem principal, a Meg. Achei ela muito teimosa e birrenta em algumas situações. Mas isso pode ser por causa de uma outra coisa que quero ressaltar aqui, o descaso dos pais com as crianças. 

Elas são criadas praticamente sozinhas já que o pai só vive viajando a trabalho e a mãe fica dia e noite enfiada no seu laboratório e nenhum dos dois estão nem aí para o que acontece com os filhos. Como que uma criança de seis anos chega todo dia da escola machucada e quem tem que resolver o assunto é a irmã mais velha? Espero que nos próximos livros eles mudem essa atitude. Quanto aos personagens, a Meg foi a que mais apareceu e senti falta principalmente do Calvin. Quanto a edição está tão linda quanto a do primeiro livro. É capa dura, com o título em alto relevo. E por dentro esta impecável. Mais uma vez recomendo para quem gosta do gênero, e espero ansiosa pelos outros livros.

Nota:






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