Páginas: 504
Ano: 2021
Desespero. Foi o que fez Adeline LaRue nem perceber que o Sol estava se pondo ao adentrar a floresta em busca de ajuda. Estele, a senhora que acredita nos deuses antigos, lhe ensinou que eles são grandiosos, mas nunca bondosos ou compassivos e que se um dia Addie precisasse invocá-los, que tomasse cuidado com o que ia pedir e que estivesse disposta a pagar o preço pedido. Mas que nunca, em hipótese nenhuma, mesmo que sua vida estivesse em perigo, Addie deveria fazer uma prece aos deuses que atendem depois do anoitecer. E Addie só percebe que fez exatamente isso quando a escuridão lhe responde perguntando se ela está disposta a pagar seu preço.
Num primeiro momento ele se apresenta como sombras a sua volta, mas depois ele tem um rosto, o rosto que Addie idealizou e desenhou em seus cadernos ao imaginar o homem perfeito, Luc. E Addie não vai recuar. Ela não pode. Enquanto as garotas da sua idade só pensavam em ser uma boa esposa, Addie queria conhecer o mundo. Ela quer ser livre, pertencer a si mesma e ter tempo para fazer o que quiser. E é isso que ela diz ao Ser com quem faz um pacto. E em troca Addie vai lhe dar sua alma quando ela se cansar e não a quiser mais. O pacto é selado com um beijo, mas o que Addie não sabia, era o preço que teria que pagar por sua liberdade e imortalidade.
Ao tentar voltar para casa Addie descobre que seus pais não se lembram dela. E isso acontece com todos que a conheciam. Mas o pior é que assim que sai das vistas da pessoa com quem está falando, ela é completamente esquecida. Não importa quantas vezes eles a vejam e conversem com ela. Nem seu nome Addie consegue pronunciar, muito menos deixar qualquer marca de sua existência por onde passa. É assim por trezentos anos. Até que um dia Addie ouve as palavras que pensou que nunca mais ouviria: "Eu me lembro de você". Elas vêm de Henry, que aparentemente não tem nada de especial. Mas porque depois de tantos anos ele foi o primeiro a se lembrar dela?
E lá no escuro ele pergunta se valeu mesmo a pena. Os instantes de alegria valeram os períodos de tristeza? Os momentos de alegria valeram os anos de dor? E ela vira a cabeça, e olha para ele, e diz "sempre".
Assim como no ano passado, comecei o ano com um livro da Victoria. Esse é o sétimo livro que leio da autora e ainda me surpreendo com seus enredos tão originais. Victoria pensa fora da casinha e escreve lindamente sobre coisas que a gente nunca imaginou e nem sabia que precisava ler até começar e não conseguir mais parar de tão bom que é. Sem exceção, todos os livros que li dela até agora são perfeitos. Por mais que eu não concorde com um ou outro final, o caminho até eles são maravilhosos e por isso tenho que elogiar sempre essa mulher e indicar para todos, mesmo quem não é fã do gênero. Se você ainda não leu nada dela, você precisa ler.
Esse livro foi lançado no ano passado por aqui e só vi comentários positivos sobre ele. Por isso as expectativas estavam lá nas alturas. E elas foram alcançadas e superadas. Logo nas primeiras páginas já me vi envolvida com a história e encantada com Addie e já prevendo que ia sofrer com sua jornada. É impossível não se colocar no lugar dela e imaginar viver por anos daquele jeito. Ela não tem um lugar para morar, praticamente não tem o que vestir e nem o que comer porque ela não consegue um emprego e nem pode produzir nada, o pouco que consegue é roubando aqui ou ali. E por vezes me questionei se valeu a pena o pacto que ela fez, se a liberdade de não pertencer a ninguém, e a imortalidade compensava se era para viver nessas condições.
E essa é a mesma pergunta que Luc faz para Addie toda vez que eles se encontram. Mas quando ela descreve as belezas de simples momentos em que ela viveu ao longo dos anos você entende o porquê dela ainda resistir e querer permanecer viva. E isso me fez pensar muito em quantas pequenas coisas que a gente não dá nenhum valor, mas que estão ali e podem fazer valer a pena uma vida inteira de luta e dificuldades para quem consegue enxergá-las. Addie estava andando por esse mundo a tantos anos e ainda encontrava coisas que a faziam querer viver. Foi meio que um tapa na cara, ainda mais nesse momento que estamos vivendo que a vida está valendo menos que um sopro.
Vamos acompanhar a história da Addie em dois tempos, no passado, um pouco antes e ao longo dos anos depois do pacto e no presente onde ela finalmente encontra alguém que se lembra dela. É muito interessante acompanhar Addie pela História da humanidade, coisas que lemos nos livros e que ela viveu. E como ela foi aprendendo a deixar sua marca, mesmo que ninguém fora ela mesmo saiba que é ela ali, nas composições musicais ou em quadros de artistas com quem Addie se relacionou pelos momentos que eles se lembraram dela. E também no passado temos a presença constante de Luc, a personificação do deus que ela fez o pacto. E confesso que não sabia se odiava ele pelo que ele fez ou me apegava igual a Addie porque ele era o único que se lembrava dela.
Já no presente conhecemos Henry e fica aquele suspense para saber porque ele consegue se lembrar de Addie. E quando a verdade vem a tona você fica, só podia ser isso mesmo, porque não pensei nisso antes hehe. Mas não vou falar nem sobre ele, nem sobre Luc aqui na resenha porque o interessante é que o leitor descubra por si mesmo qual a importância desses personagens na vida de Addie. E mais uma vez a autora finalizou a história de uma maneira que não foi exatamente do meu gosto, mas nem por isso vou deixar de elogiar e achar o final genial. Por tudo que foi apresentado e pela jornada de Addie, não poderia ter terminado de outro jeito mesmo. Então só me resta te incentivar a ler o livro, aproveita que é único e não vai precisar esperar lançar as continuações hehe.
Nota:













