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24 julho 2022

Resenha | As garras do desejo - Elizabeth Hoyt

Livro: 
As Garras do Desejo
Série: A lenda dos quatro soldados #3
#1 - O Gosto da Tentação
#2 - O Sabor do Pecado
Gênero: Romance de época
Autora: Elizabeth Hoyt
Editora: Record
Páginas: 335
Ano: 2021

Resenha:
Que a guerra não é boa para ninguém, todo mundo já sabe. Mas para alguns ela é devastadora. Esse é o caso de Sir Alistair Munroe, um dos sobreviventes do massacre do vigésimo oitavo batalhão em Spinner’s Falls, que voltou da guerra cheio de cicatrizes. As visíveis, um olho e dois dedos faltando e as diversas cicatrizes vermelhas de um lado do rosto, já fez muita criança chorar de medo e diversas damas gritar e até mesmo desmaiar diante de sua visão. Somada as invisíveis que oprimem seu peito, fez com que que ele se tornasse um recluso em seu castelo na Escócia. E as pessoas não fazem muita questão de sua presença mesmo. Por isso ele leva um susto quando tarde da noite chega em sua casa a mulher mais linda que ele já viu, acompanhada de duas crianças, dizendo ser sua nova governanta. 

A última coisa que Alistair precisa é de pessoas que venham tirar sua paz e seu sossego, que são umas das poucas coisas que lhe restou nessa vida, por isso ele manda que a mulher, que claramente não sabe nem o que faz uma governanta, vá embora de sua casa o mais rápido possível. E numa coisa ele está certo, Helen Fitzwilliam, a mulher em questão, viveu os últimos anos cercada de luxo e com vários criados para realizar suas vontades, o que ele não faz nem ideia é que Helen não está ali porque quer, e sim porque precisa. Ela viveu sim em meio ao luxo, mas ainda assim as margens da sociedade, porque até duas semanas atrás Helen era a amante do duque de Lister e conseguiu fugir dele graças a ajuda de Lady Vale que foi quem encontrou o emprego de governanta e um lugar seguro para ela e seus filhos ficarem. 

E Helen só não segue a sugestão do homem mal educado e grosseiro que agora e seu patrão, porque ela sabe que se voltar Lister vai tomar seus filhos. Porquê o castelo está imundo, como se estivesse abandonado há anos e ela não tem nem ideia de por onde começar a limpar tudo. Mas já que ela não sabe o que fazer, Helen decide contratar pessoas que saibam e arranja meia dúzia de criados para trabalhar no castelo. E Alistair acaba ouvindo uma conversa entre as crianças e mesmo sem entender direito, descobre que eles não podem voltar para Londres e decide dar uma chance a Helen. E a convivência com ela e as crianças vai fazer Alistair acreditar que ainda pode sim amar e ser amado. Mas e quando o segredo de Helen vier a tona, será que eles conseguirão ter seu final feliz? 

“— É tão impossível mudar seu rosto quanto mudar o passado dela — continuou Sophia. — As histórias de vocês estão aí e sempre estarão. Mas você precisa aprender a viver com suas cicatrizes da mesma forma que Helen aprendeu a viver com o passado dela.”

Eu li os dois primeiros livros dessa série em 2019, depois a editora decidiu que só ia publicar os dois restantes em e-books o que me deixou muito frustrada e decidi não ler eles. Depois eles voltaram atrás e tem até um box da série, mas eu ainda estava emburrada com a editora hehe. Mas esses dias vi que o terceiro livro estava no KU e peguei ele para ler. O primeiro livro foi uma decepção, o segundo gostei bastante, já o terceiro... vamos a resenha. Eu confesso que estava esperando bastante dele porque os personagens já aparecem no livro anterior e deu para ver que seria um romance a lá Bela e a Fera, com o protagonista masculino voltando deformado da guerra, o que já é até um clichê nos romances de época, e felizmente ele correspondeu as minhas expectativas.

Se tem uma coisa que eu espero quando pego um romance de época para ler é encontrar uma história leve que faça eu me apaixonar pelos personagens e se possível rir muito das situações e claro, encontrar um felizes para sempre no final do livro. Pelo menos duas dessas coisas tem que ter para que eu dê uma nota boa para o livro. E nesse, apesar de eu não ter me apaixonado pelos protagonistas, me encantei com os personagens secundários e ri muito o livro inteiro das situações. Cheguei a rir alto de tão engraçadas que foram algumas cenas. Mas em contrapartida esse também foi o motivo de eu não ter dado nota máxima para o livro. Sabe quando a situação exige um pouco menos de comédia e mais de profundidade?

Porque o livro vai falar sobre um pós guerra e a autora focou mais no tom da comedia do que nas marcas que o personagem trazia em si. Ela tratou tudo superficialmente e isso me incomodou. Ainda mais que sou fã da série Clube dos Sobreviventes da Mary Balogh e ficava comparando a abordagem das duas durante a história. Mas acredito que essa questão seja pessoal, então pode ser que não venha incomodar outras pessoas. Outra coisa que me incomodou também foi que a autora inseriu muitas cenas hots na história, não lembro se nos dois primeiros volumes estava assim, mas achei bem exagerado para um romance de época. Então levando isso em conta, acredito que esse livro fique no meio dentre os três da série que li até agora. 

Mas uma coisa que gostei bastante foi que nesse livro temos um terceiro ponto de vista na história. Além dos dois protagonistas, vamos ver um pouco da história acompanhando a Abigail, filha de Helen, o que deu uma visão completamente diferente da história, tanto por ela ser uma criança como por fugir do mesmo de sempre que geralmente é só o casal. E não posso esquecer de mencionar a história do soldado que dá título a série. Como disse nas outras resenhas, gostei mais dos contos dos soldados do que da história propriamente dita nos dois primeiros livros, mas nesse achei que elas se equipararam. Agora só resta ler o quarto livro para enfim descobrir quem é o traidor do batalhão que essa história já vem sendo arrastada desde o primeiro livro da série. Até por esse detalhe fica a dica para ler a série na ordem de publicação. 

Nota:






07 junho 2021

Resenha | O Príncipe Serpente - Elizabeth Hoyt

Livro: 
O Príncipe Serpente
Série: Trilogia dos Príncipes #3
#2 - O Príncipe Leopardo
Gênero: Romance de Época
Autora: Elizabeth Hoyt
Editora: Record
Páginas: 364
Ano: 2017

Resenha:
Maiden Hill, Inglaterra. 1760.
Lucinda Craddock-Hayes estava voltando para sua casa quando encontrou o homem caído na vala. Um homem nu cheio de hematomas pelo corpo e com sangue seco no ombro e na cabeça. Seu primeiro pensamento foi que era um desperdício um homem tão bonito estar morto. Mas quando seu criado a alcança na estrada, reclamando da vida como sempre, eles percebem que o homem está vivo e Lucy pede que o criado busque um médico urgente e leva o homem semimorto para sua casa. Seu pai, um capitão da Marinha aposentado, diz que ele não pode ficar lá, mas aceita a presença do doente depois que vê a gravidade da situação, certo de que o homem não vai viver até de manhã. Mas tanto o capitão, como os agressores do homem, estavam errados. Ele acorda dois dias depois certo de que está no céu e Lucy é um anjo.

O homem é o sexto visconde de Iddeleigh, Simon, e ele acorda com mais ódio do que antes de ser ferido. Somente a morte vai detê-lo em sua vingança. Antes era somente pela morte de seu irmão, agora é pelo que fizeram com ele também. E ele vai executar sua vingança assim que conseguir segurar uma espada, porque no momento seu braço dói até para segurar uma xícara de chá. E enquanto se recupera Simon descobre que Lucy desenha muito bem e pede que ela ilustre um livro de contos de fadas para sua sobrinha, com o conto do Príncipe Serpente. E cada dia que passa Simon se encanta um pouco mais por Lucy, mas sabe que eles são muito diferentes e nada entre eles é possível. O pai de Lucy também sabe disso e protege a filha com unhas e dentes e cada encontro entre os dois é um verdadeiro embate.

Enquanto Lucy é um anjo, Simon sabe que sua alma é a de um demônio, porque ela só quer saber de sangue. Ele passou os últimos meses caçando os assassinos do seu irmão e matando-os e assim que se recuperar, é o que vai continuar a fazer, até terminar o serviço. Mas os homens responsáveis por seu estado já sabe que Simon está vivo e vão garantir que ele não volte a Londres. E esse é mais um motivo para Simon ficar longe de Lucy, se os homens descobrem que ele tem qualquer tipo de afeição por ela, Lucy estará correndo um grande perigo. E ao observar Simon e seu mundo, Lucy percebe que quer mais da vida do que apenas ser esposa de um vigário que já a corteja a três anos, mas nunca se decide. Será que o amor entre Lucy e Simon será maior que a diferença entre ambos e eles vão conseguir ficar juntos?

“Eu me lembrarei da senhorita por todos os dias da minha vida – murmurou ele tão baixo que ela quase não ouviu. – E não sei ao certo se isso é uma benção ou uma maldição.”

Esse é o terceiro livro da trilogia dos Príncipes. E diferente das muitas séries que temos por ai que dizem que dá para serem lidos fora de ordem, essa realmente dá para ler fora de ordem porque apesar de cada um dos volumes contar a história de um amigo, eles mal aparecem no livro uns dos outros. Se a gente não prestar muita atenção, nem vai perceber a presença deles. Por isso essa é uma série que dá sim para ser lida fora de ordem. Eu li os dois primeiros livros no ano passado e só agora peguei esse para ler. E não sei se por ter lido ele bem depois, mas acabei não gostando o tanto que gostei dos dois primeiros. O que é engraçado porque pelas resenhas que li esse foi o favorito do povo.

Já li muitos romances de época, mas esse me surpreendeu em muitas coisas. Vi coisas aqui que não tinha visto em nenhum dos que li até então. Em primeiro lugar teve uma cena de masturbação feminina, geralmente as mocinhas são bem bobinhas nesse aspecto. E outra coisa que achei diferente foi que a garota sentiu dor na relação sexual, outra coisa que os autores omitem fazendo parecer que tudo são flores. Mas o que mais me surpreendeu foi o caráter do protagonista. Geralmente eles são chamados de canalhas, libertinos, mas são todos bonzinhos. Aqui não. O protagonista mata sem dó nem piedade. Achei legal isso porque o casal realmente tinha um motivo para não ficar junto, não foi aquelas besteiras de sempre (besteiras que amo hehe).

Lucy é um personagem que me agradou bastante, apesar de ter achado ela meio boba no final do livro. Simon como disse antes, ele é um assassino e suas atitudes o consomem. E eu que achei que ele fosse ser o mais simpático dos amigos acabei me enganando. Mas o que chama mesmo a atenção no livro são os personagem secundários que roubam a cena em vários momentos. O pai da Lucy foi um que me conquistou. Sempre com respostas sarcásticas na hora certa, O criado que resmungava como se os outros não ouvissem o que ele estava falando, foi hilário. E por fim a sobrinha do Simon que já de pequena é empoderada e exige brincar com o brinquedo que gosta e não com o que é considerado de menina.

Mas apesar de ter gostado dessas diferenças, acho que elas foram um dos motivos de eu não ter gostado tanto do livro. Sou dessas que não sei lidar com mudanças, por isso adoro um bom clichê e quando pego um livro de romance de época para ler espero ver aquele roteiro já conhecido ali. E quando isso muda, eu já meio que torço o nariz. Mas enfim, a trilogia valeu a pena. As histórias são boas e as edições estão maravilhosas. Essa capa está tão bonita quanto as outras e não me canso de ficar admirando os detalhes nela.

Nota:





02 maio 2021

Resenha | O Príncipe Leopardo - Elizabeth Hoyt

Livro: 
O Príncipe Leopardo
Série: Trilogia dos Príncipes #2
#1 - O Príncipe Corvo
Gênero: Romance de Época
Autora: Elizabeth Hoyt
Editora: Record
Páginas: 364
Ano: 2017

Resenha:
Lady Georgina Maitland nunca esteve dentro do padrão de beleza de sua época. Diferente das outras mulheres que tem os cabelos louros e lisos, ela tem os cabelos vermelhos alaranjados e frisados. Isso poderia ser um grande problema na hora de conseguir um bom marido. Isso e sua idade avançada de 28 anos, já uma solteirona. Mas agora ela já não tem que se preocupar com essas coisas. Sua tia lhe deixou uma bela herança. A propriedade de Woldsly e toda a renda gerada por ela para ser administrada por Georgiana. Por isso ela não precisa se preocupar mais em arranjar um bom marido, agora ela é dona de sua própria vida e não deve satisfação de seus atos a ninguém, mesmo sendo uma dama da sociedade, e filha de um conde. Tudo que ela precisa é de um bom administrador que cuide de seus interesses. É assim que ela conhece Harry Pye.

Nos seis meses que Harry tem cuidado da propriedade, ele tem feito um bom trabalho. Harry é uma pessoa eficiente e discreta e por vezes passa despercebido. Mas então surge alguns rumores envolvendo o nome de Harry e Georgina se vê obrigada a se envolver. Ela sai de Londres e vai para Yorkshire enfrentando alguns percalços no caminho, como uma forte chuva que derruba sua carruagem e ela tem que passar a noite em um chalé só na companhia de Harry. E quando chega a Woldsly ela fica sabendo que alguém está envenenando as ovelhas da propriedade de seu vizinho, Lorde Granville e que o principal suspeito do crime é seu administrador.

E as suspeitas só aumentam quando Lorde Granville vai até a mansão Woldsly exigir que Georgina tome alguma providencia e reconhece Harry de uma desavença entre eles e o pai de Harry que aconteceu há dezoito anos. Mas Georgina não acredita na culpa de Harry e não deixa que ele leve Harry preso. E para provar sua inocência Harry vai ter que descobrir quem é o verdadeiro criminoso e Georgina diz que vai investigar junto com Harry. Mas essa aproximação entre eles não é nada boa, porque começa a crescer uma atração incontrolável entre eles e uma relação entre os dois está fora de cogitação já que Georgina é uma dama e Harry seu criado.

"— Seja como for, um cavalheiro não continua a cortejar uma dama que não pode retribuir seus sentimentos.
— Então, na minha opinião, o senhor tem dois problemas, milorde — disse Harry.
Os olhos de Tony se estreitaram.
— Primeiro, a dama retribui, sim, meus sentimentos, e segundo — Harry se virou e encarou o conde —, eu não sou um cavalheiro."

Esse é o segundo livro da trilogia dos príncipes. E diferente das outras séries de época que sempre aconselho a ler os livros na ordem, neste a ordem não faz diferença porque apesar dos personagens principais, os protagonistas masculinos, aparecerem nos outros livros, a participação é tão pequena que não faz nenhuma diferença para as histórias. A autora seguiu a mesma linha do primeiro livro com protagonistas fugindo completamente dos clichês do gênero. A questão da beleza não é novamente relevante já que os dois não são descritos como bonitos. Georgina pelo contrário foge do que era considerado belo na época. E Harry foge de todos os padrões porque para começo de conversa ele é um empregado e não tem um título, nem um que seja falido para contar história.

A Georgina é uma sonhadora que ama contos de fadas, até a alusão ao Príncipe Leopardo na história é ela quem faz, já que é ela quem conta a história ao longo do livro para o Harry, mas que curiosamente não acredita em casamentos e finais felizes. E ela é uma solteirona, o que seria um clichê, mas aqui ela não precisa desesperadamente de um marido. Acabei me identificando muito com ela nessa parte já que apesar de amar contos de fadas e viveram felizes para sempre, nunca tive vontade de me casar. Harry chamou minha atenção como falei por não ser um cavalheiro, acho que ele é um dos poucos mocinhos de época que leio que não é um, ou que pelo menos não faça parte da sociedade. E dai fica essa questão das coisas nunca darem certo entre eles por causa dessa diferença social. Questão que ainda existe nos dias de hoje, mesmo que não exista mais essa questão da nobreza, mas é bem dificil uma pessoa rica casar com alguém que more em uma comunidade por exemplo.

Eu li várias resenhas falando que esse segundo livro era bem mais fraco que o primeiro. Eu não achei, gostei da mesma forma. A história é diferente e começa a ser contada de uma maneira que quem é acostumado com o gênero estranha um pouco, porque ela já começa com os personagens ficando presos debaixo de uma chuva e não tem aquela apresentação de cada um deles no começo da história, comum nos livros do gênero. A narração é em terceira pessoa e passa por vários personagens, mas em sua maioria acompanha a Georgina. Os irmãos da Georgina roubam a cena em várias partes, queria mais deles na história hehe. Quanto a edição, está tão linda quanto a do primeiro livro e essa capa é de arrasar. Tem tantos detalhes na capa que a gente fica perdida olhando ela. Enfim, é um livro que recomendo muito aos amantes do gênero.

Nota:










05 março 2021

Resenha | O Príncipe Corvo - Elizabeth Hoyt

Livro: 
O Príncipe Corvo
Série: Trilogia dos Príncipes #1
Gênero: Romance de Época
Autora: Elizabeth Hoyt
Editora: Record
Páginas: 350
Ano: 2017

Resenha:
Anna Wren está viúva há seis anos e nesse período as coisas só foram de mal a pior pela falta de dinheiro. Quando se casou com Peter, o pai dele tinha deixado uma enorme dívida e Peter estava conseguindo colocar elas em dia quando faleceu. Anna faz o que pode para sustentar a si e a sua sogra e mais a criada que pouco ajuda, mas que é órfã e elas não puderam deixar desamparada. E quando até a comida começa a ser um luxo, Anna resolve deixar as convenções de lado e arranjar um emprego, mesmo que isso não seja um papel para uma dama. Mas conseguir um emprego respeitável é que são elas e quando já estava quase desistindo, Anna esbarra em Felix Hopple, o administrador da Abadia de Ravenhill, propriedade de Edward de Raaf, conde de Swartingham, que após vinte anos, resolveu voltar para o vilarejo onde viveu sua infância.

Edward perdeu toda sua família de uma vez em um surto de varíola. Ele sobreviveu mas ficou marcado por várias cicatrizes, por isso ele é conhecido por sua feiura e por seu temperamento explosivo. E quando mais um secretário abandona o emprego e seu administrador contrata uma mulher, ele acaba reagindo de uma forma bem diferente do que todos esperavam e aceita Anna como sua secretária. Ainda mais que ele reconhece Anna de um incidente ocorrido alguns dias atrás onde ela mostrou mais coragem que muitos homens que ele conhece. Eles começam a trabalhar juntos e Edward começa a gostar muito da companhia e das conversas com Anna. Mas quanto mais tempo ele passa com Anna, mais difícil fica de esconder a atração que ele sente por ela. E Anna não lhe é indiferente.

Mas como não pode satisfazer suas necessidades masculinas com Anna que é uma dama, Edward decide visitar o Grotto de Aphrodite, um famoso bordel de luxo que fica em Londres. O que ele nem imagina é que Anna também tem suas necessidades e decide que já que Edward quer sexo ele vai ter, mas vai ser com ela e também parte para Londres na companhia de duas recentes amigas, Pearl e Coral, que não são exatamente duas damas mas que são gratas por Anna ter salvo a vida de Pearl quando ninguém mais faria nada por elas. Já no bordel Edward tem a melhor experiência da sua vida sem saber que a mulher é Anna, já que ela está de máscara. Mas nem assim ele consegue tirar Anna da cabeça. O problema é que ele precisa de um herdeiro e como Anna não conseguiu engravidar nos anos em que esteve casada, casar com ela não é uma opção.

"Raiva. Anna sentiu raiva. A sociedade poderia não esperar o celibato do conde, mas certamente esperava isso dela. Ele, por ser homem, poderia ir a casa de má reputação e aprontar por toda a noite com criaturas sedutoras e sofisticadas. Enquanto ela, por ser mulher, deveria ser casta sem nem ao menos pensar em olhos escuros e peitos cabeludos. Simplesmente não era justo. Nem um pouco justo."

Eu comprei esse livro na pré-venda, capa maravilhosa + romance de época, é claro que eu já queria tê-lo na minha estante. Mas só consegui ler anos depois. Eu li muitas resenhas desse livro e as opiniões variavam bastante. Enquanto uns amaram, outros acharam o livro bem fraco. Eu fiquei no time que amou. Eu nunca tinha lido nada da autora e gostei muito da escrita dela. Comecei a ler e quando percebi já tinha lido mais de 100 páginas sem nem perceber. Livro bom é livro assim, que as páginas viram sozinhas. Romance de época, com alguma ou outra variação é sempre os mesmos clichês, mas nesse livro encontrei muita coisa diferente das que eu estou acostumada a ler no gênero.

Para começar a protagonista é bem mais velha, mas não é uma solteirona, ela já foi casada e hoje é uma viúva. O mocinho também é viúvo, e por causa disso eles tem uma certa liberdade que os solteiros não tem, principalmente em relação a parte sexual já que era até costume algumas viúvas terem amantes. E uma coisa que gostei bastante foi que eles agem de acordo com a idade que tem, porque já cansei de ver personagens na faixa dos trinta agindo como se tivesse quinze anos ou menos. Outra coisa é que os protagonistas não são ícones de beleza, Edward inclusive tem marcas de varíola pelo corpo, e a Anna num primeiro momento é descrita como comum. Só depois de seu caráter revelado é que sua beleza é reconhecida. Achei isso bem importante já que se aproxima mais da realidade porque vamos combinar, não existem mocinhos e mocinhas ícones de beleza dando sopa por ai.

Anna foi uma personagem que me agradou muito. Ela é uma dama, mas isso não impede ela de fazer o que tem vontade e de por a mão na massa quando necessário. Quando ela vê que não tem mais de onde tirar dinheiro, ela procura um emprego, quando ela encontra uma prostituta caída na rua, ela leva a mulher para sua casa e quando o desejo fala mais alto, ela acaba em um bordel. Edward também me agradou muito. A principio ele parecia ser mais um lorde arrogante, mas depois vemos que ele tem um coração enorme que se importa com seus empregados, mesmo que eles não façam o trabalho muito bem feito e também não pensa em sua posição na hora de fazer o trabalho duro, que na época era feito pelos menos favorecidos. E os dois juntos são perfeitos. Edward trata Anna como igual e não como "mulher", ou seja, ele ouve o que ela diz e pede sua opinião em tudo e até elogia sua inteligencia e capacidade.

Como disse antes, eu amei essa capa. Ouvi muitas pessoas falando que parece capa de romance de banca, mas eu não achei isso, achei ela linda demais. E a edição está toda incrível. A narrativa é em terceira pessoa, minha favorita e no inicio de cada capitulo temos a história do Príncipe Corvo, que nada mais é que uma versão da história de Eros e Psiquê da mitologia grega. Por tudo o que disse, eu indico a leitura para quem é fã do gênero. Pode ser que você fique no time das pessoas que se decepcionaram, mas torço para que goste assim como eu gostei.

Nota:











24 agosto 2019

Resenha | O Sabor do Pecado - Elizabeth Hoyt


Livro: O Sabor do Pecado
Série: A Lenda dos Quatro Soldados #2
#1 - O Gosto da Tentação
Gênero: Romance de época
Autora: Elizabeth Hoyt
Editora: Record
Páginas: 364
Ano: 2019

Resenha:
Provavelmente Jasper Renshaw, o visconde de Vale quebrou algum recorde. E nem é por ter sido abandonado no altar por duas vezes em menos de um ano. Mas por ter perdido uma noiva e encontrado outra em menos de três horas. Jasper estava noivo de Lady Emeline Gordon até ela conhecer Samuel Hartley e se apaixonar por ele. Hartley, assim como Jasper, é um dos sobreviventes do massacre do vigésimo oitavo batalhão em Spinner’s Falls. Hartley descobriu que o massacre aconteceu porque eles foram traídos e veio para Londres investigar os sobreviventes e Jasper era um dos suspeitos. Mas Jasper aceitou o término do noivado com Emeline muito bem, até porque via ela mais como uma irmã do que como esposa.

Mas então ele começou a procurar novamente por uma noiva e a Srta. Mary Templeton se encaixava em tudo o que ele espera de uma esposa. Foram seis meses perdidos, porque no dia do casamento já na igreja, Mary pediu que Jasper a liberasse do compromisso, já que está apaixonada por um pároco. Mas Jasper nem teve tempo de se lamentar, porque a amiga de Emeline que ele nunca lembra o nome, entrou na sacristia onde Jasper esperava os convidados do casamento ir embora e pediu ele em casamento. Num primeiro momento Jasper ficou surpreso, mas como ele precisa de uma esposa e de um herdeiro, ele aceitou. A mulher em questão é Melisande Fleming, que ama Jasper em segredo há seis anos desde que o conheceu em uma festa, onde foi obrigada por Emeline após um ano sem sair de casa, por ter sido rejeitado por seu então noivo.

Melisande já tinha perdido a esperança de que Jasper um dia a enxergasse com outros olhos, mas quando viu o que estava acontecendo na igreja, ela não hesitou e como não tinha nada a perder mesmo, fez a proposta de casamento ao visconde. Jasper quer um casamento tradicional, que a seu ver é ter relações com a esposa até ela gerar um herdeiro e depois continuar com sua vida de libertino. Mas Melisande não é nada do que ele imaginava e Jasper descobre que encontrou uma esposa inteligente e agradavel, e muito sedutora. Então Jasper quer desvendar todos os segredos de sua esposa. O problema é que enquanto isso, ele pode estar revelando seus próprios segredos.

Eu li o primeiro livro dessa série O Gosto da Tentação e achei ele muito ruim. Foi um sacrifico conseguir terminar o livro porque a leitura não andava. Os personagens eram intragáveis e só não dei nota mínima porque achei a leitura da fábula que a autora inseriu nos começos dos capítulos muito boa. Por isso confesso que não estava esperando muito desse segundo livro, mas fui surpreendida e acabei achando ele muito bom. Só teve uma coisa que me incomodou e por isso eu acabei não dando nossa máxima para ele. É o mesmo problema que sempre cito por aqui nas resenhas dos livros de romance: as pessoas não falam o que sentem. Até entendo que isso é o que prolonga a história, mas eu como a sincerona que sou, e falo tudo o que me incomoda e o que estou sentindo, não consigo gostar de pessoas que ficam sofrendo caladas.

Mas como disse, esse segundo livro é muito melhor que o primeiro. Os personagens são mais agradáveis e interessantes e a leitura fluiu que foi uma maravilha. A história até pode ser boa, mas se o leitor não consegue gostar dos protagonistas, não vai, e diferente do que aconteceu no primeiro livro, gostei de Melisande e Jasper logo de cara, na primeira interação dos dois. A Melisande, eu já tinha percebido que ela era um personagem muito bom no primeiro livro da série, onde mesmo ela só aparecendo como a amiga da protagonista, ela roubou a cena. Já o Jasper também apareceu no livro anterior, mas não deu para saber muito sobre ele. O que foi uma pena porque se ele tivesse aparecido mais, talvez a minha nota para o primeiro livro tivesse sido diferente. 

Melisande é apresentada como uma solteirona, mas a verdade é que ela não é tão inocente assim. E por isso a noite de núpcias deles foi muito engraçado no sentido trágico. E gostei bastante da autora ter sido realista na descrição do que acontece na primeira vez de um casal, sem aqueles orgasmos infinitos que a gente sabe, só acontece na ficção mesmo. Achei bem bacana ela ter mostrado a decepção da garota. Dos inúmeros romances de época que li, esse é o segundo que isso acontece porque no resto a coisa toda é magica. E outra coisa que achei legal ela mostrar foi sobre as cólicas menstruais. Porque apesar da época, de não ter praticamente nenhum medicamento, nem nada de higiene que temos hoje a disposição para esse período específico, nunca vi nenhuma autora sequer citar algum tipo de desconforto nas protagonistas. 

E agora quero falar do Jasper. Ele é o típico protagonista de romance de época. Aparentemente um libertino sem coração, mas que na verdade é um homem espetacular que ainda não encontrou o amor. E quero deixar claro que ninguém muda ele, não tem nada romantizado aqui não. Jasper já era um amor de pessoa, até por isso Melisande já o amava em segredo, pelo o que ele já demonstrava antes. Ele só ainda não tinha encontrado alguém para ser fiel. E uma coisa que amei nele foi seu bom humor. E ainda mais depois de saber por tudo o que ele passou na guerra. Queria colocar ele no colo e nunca mais largar. E esse foi outro ponto que gostei muito mais nesse livro do que no primeiro, nesse a autora teve muito mais sensibilidade para falar sobre o que aconteceu durante o massacre na guerra. 

Enfim, os protagonistas são ótimos, o desenvolvimento da história foi muito bom, os personagens secundários também me conquistaram e estou morrendo de curiosidade pelos próximos livros. A fábula dos quatro soldados que abre os capítulos é linda, e eu amei assim como aconteceu com a do primeiro livro, que já citei foi a única coisa que gostei nele. E antes de terminar, indicando o livro é claro para quem é fã de romances de época, tenho que falar dessa capa que está maravilhosa. As capas dessa série são de arrasar. Gosto de tudo nelas, principalmente das cores. Agora só me resta esperar pelo terceiro livro, que já tem o primeiro capítulo dele no fim desse segundo e já vi que vou gostar.

Nota:








22 agosto 2019

Resenha | O Gosto Da Tentação - Elizabeth Hoyt


Livro: O Gosto Da Tentação
Série: A Lenda dos Quatro Soldados # 1
Gênero: Romance de Época
Autora: Elizabeth Hoyt
Editora: Record
Páginas: 378
Ano: 2018

Resenha:
O Gosto da Tentação é o primeiro livro da série A Lenda dos Quatro Soldados, a nova série da Elizabeth Hoyt publicada aqui no Brasil. Cada livro vai contar a história de um soldado, e nesse primeiro livro nosso protagonista é Samuel Hartley, ex soldado do exército britânico nas colônias, que lutou no massacrado vigésimo oitavo batalhão em Spinner’s Falls. Sam é um bem-sucedido homem de negócios de Boston, mas como ele não foi criado na cidade, seus modos são um tanto rudes se comparado aos dos aristocratas. Mas ele veio para Londres a negócios e quer frequentar a sociedade e para isso precisa de alguém que acompanhe sua irmã Rebecca e a pessoa mais indicada para isso é Lady Emeline Gordon, cuja reputação é impecável e ela é exemplo de elegância e sofisticação.

Emeline não está muito convencida em aceitar ser tutora de Rebecca, porque se ela for parecida com o irmão, será praticamente impossível tornar Rebecca uma lady. Mas quando Samuel diz que serviu junto com Reynaud, irmão de Emeline, seu coração amolece e ela acaba aceitando. Mas Emeline não é boba e percebe que Samuel está escondendo alguma coisa e que seus motivos para ser aceito na sociedade não são exatamente os que ele apresentou. E Emeline está certa. Samuel veio para Londres com um objetivo em mente, ele tem certeza de que o massacre do vigésimo oitavo batalhão, que também levou Reynaud, aconteceu porque alguém de dentro traiu todos eles. E ele já tem um suspeito, Lorde Vale.

Mas o que Samuel não imaginava é que seu propósito fosse ser ofuscado por uma mulher completamente diferente de todas que ele já conheceu. Toda vez que chega perto de Emeline, ele não consegue pensar com clareza já que seus pensamentos são todos nela. Emeline é uma viúva com um filho pequeno para criar, que por enquanto vem fazendo um bom trabalho em cuidar das coisas sozinha. Mas ela não pretende ficar assim por muito tempo, já que está noiva. E para surpresa de Samuel, Emeline está noiva justamente do seu suspeito. E apesar de saber que um homem como ele nunca vai poder ter alguém como Emeline, ele não consegue deixar de desejá-la. Ainda mais que Emeline parece sentir o mesmo que ele, mesmo que negue até a morte.

Eu já tinha lido a Trilogia dos Príncipes da autora e gostei bastante dos três livros (preciso publicar a resenha deles hehe). Mas infelizmente acabei me decepcionando bastante com o primeiro livro dessa série. Foi uma leitura muito arrastada. Geralmente romances de época eu leio em no máximo dois dias e esse eu demorei uma semana e isso porque me obriguei a ler, porque se não, acho que teria demorado mais de mês. Sabe aquele livro que você lê, lê e olha só passou duas páginas? Eu achei que nunca ia chegar na página cinquenta porque eu lia um monte e olhava ainda estava na mesma página. A história não prende, os protagonistas não são carismáticos e infelizmente não gostei de quase nada na história.

E na verdade eu dei duas estrelas porque em cada abertura de capítulo, temos um pedaço da história de um dos soldados da Lenda que dá nome a série. Nesse primeiro livro temos a história do primeiro soldado o Coração de Ferro. Eu amei a história dele e diferente do que aconteceu com a história da Emeline e do Samuel, eu queria saber o que ia acontecer com o Coração de Ferro e confesso, fui virando as páginas para os começos dos capítulos para ler logo a história dele. E esse, além da capa que achei linda e de muito bom gosto, foi o motivo de eu não ter dado a menor nota para o livro. Eu não gosto de fazer isso, amo dar uma nota máxima e um favorito, mas esse livro me decepcionou muito.

Romances do gênero geralmente são previsíveis e a gente já sabe como vai terminar, e na minha opinião uma das coisas que destacam na história e fazem com que ela se torne diferente das outras, são os diálogos bem escritos, o que aqui também deixou a desejar. Era tudo muito mecânico e chato. Igualzinho aos protagonistas, chatos e esquecíveis. Eu não gostei do motivo para ela não querer ficar com ele, que foi eles serem de classes sociais diferentes. Eu sinceramente torci para que o Samuel desse um chega para lá na Emeline. O Coração de Ferro aqui no caso não era o soldado e sim a garota. Mas enfim, não foi porque o livro não funcionou comigo que você não vai gostar, por isso leia, quem sabe nossos gostos são completamente diferentes e você aprecie bem mais do que eu.

Nota:











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