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24 agosto 2022

Resenha | Três ratos cegos e outros contos - Agatha Christie

Livro
: Três ratos cegos e outros contos
Série: Não 
Gênero: Romance policial
Autora: Agatha Christie
Editora: HarperCollins Brasil
Páginas: 256
Ano: 2022

Resenha:
Eu não sou muito fã de livros de contos, mas não quando se trata de um livro da Agatha hehe. Esse aqui é o primeiro livro de contos da nova coleção da rainha do crime que está sendo publicado pela HarperCollins, aquela que forma um lindo arco-íris na estante, e como fã da autora é claro que estou adquirindo os meus exemplares, mesmo já tendo lido todos os livros. E nada como ler um livro na zona de conforto entre um gênero e outro, e como os livros da Agatha são a minha zona de conforto, sempre insiro um livro dela entre minhas leituras mais desgastantes. O escolhido da vez é esse livro que traz em suas histórias seus detetives mais famosos, Hercule Poirot, Miss Jane Marple e Mr. Harley Quin.

São nove contos no total e o conto que dá título ao livro Três ratos cegos deu origem a peça A Ratoeira que detêm o recorde da peça a mais tempo em cartaz da história, sua estreia foi em 1.952. No conto vamos conhecer um casal recém-casados que decidem abrir uma pousada. Mas a sorte não ajuda porque na inauguração eles ficam isolados na neve com um hospede assassinado e a certeza de quem um deles é o assassino. Esse conto é mistura de dois livros que mais amo da Agatha, Assassinato no Expresso do Oriente com E não sobrou nenhum. Mas o final não tem nada a ver com nenhum deles e mais uma vez fui surpreendida pela autora, pois nem passei perto de descobrir o assassino. 

Os contos seguintes todos já foram publicados em outros livros de contos da Agatha, então quem procura algo inédito não vai encontrar aqui. Mas como disse antes, eu comprei pela coleção porque já li tudo dela publicado. Mas como faz anos, pouco me lembro das histórias e assim é como se fossem lidos pela primeira vez. Ainda mais depois que peguei Covid e minha memória ficou uma m*rda. Os contos Estranha graça, O assassinato da fita métrica, O caso da empregada perfeita e O caso da zeladora foram protagonizados por Miss Marple e mesmo em histórias curtas podemos ver a genialidade dessa senhorinha que resolve os mistérios apenas com sua experiência de vida, ou melhor dizendo, com as fofocas presenciadas em seu vilarejo. Dos quatro, meu favorito foi O caso da empregada perfeita.

Já nos contos O apartamento do terceiro andar, A aventura de Johnnie Waverly e Vinte e quatro metros temos meu crush eterno Hercule Poirot dando o ar da graça e esperteza como só ele é capaz. E acho que meu amor todo por ele me faz gravar melhor as histórias porque lembrei do enredo das três. Do segundo até lembrei quem era o culpado, o motivo e a forma como o "crime" foi cometido. Dos três O apartamento do terceiro andar foi meu favorito porque é um caso que fiquei besta e nunca que ia imaginar aquela solução para o caso. E por fim o ultimo conto Os detetives do amor é protagonizado por pelo misterioso Sr. Quin, que não é um dos personagens mais queridos dos fãs da autora, o que não é o meu caso, porque adoro o ar de mistério que a autora deu ao personagem e a forma como se desenrola seus casos.

Tirando o primeiro conto, que quase chega em suas noventa páginas, os outros giram em torno de vinte páginas cada. Por isso não tem muito o que enrolar e ainda assim a autora mostra o porque do título de Rainha do Crime ao deixar o leitor sem palavras com os mistérios apresentados. Seja com poucas ou muitas palavras a Agatha sempre consegue prender o leitor, fazer ele seguir pelo caminho que ela quer e depois mostrar o que foi que deixamos passar, já que a solução para o mistério estava ali na nossa cara o tempo todo. Eu só não dei nota máxima para o livro por conta de um dos contos ter uma história muito parecida com a de um outro livro da autora que li bem recente. Mas não deixo de indicar a obra, tanto para quem quer conhecer a escrita da Agatha, como para quem já conhece e gosta dos livros dela. Quanto a cor escolhida pela editora, não é das minhas favoritas, fica bem apagadinho perto dos outros da coleção. 

Nota: 






20 agosto 2022

Resenha | Arsène Lupin e Agulha Oca - Maurice Leblanc

Livro: 
Arsène Lupin e a Agulha Oca
Série: Não
Gênero: Romance Policial
Autor: Maurice Leblanc
Editora: Editora Principis
Páginas: 224
Ano: 2021

Resenha:
Depois de ficar órfã, Raymonde de Saint-Véran passou a residir no Castelo de Ambrumésy com seu tio o Conde de Gesvres e sua prima Suzanne. E apesar de terem personalidades completamente opostas, as duas se dão muito bem. Enquanto Suzanne é uma pessoa frágil por assim dizer, Raymonde é esperta, ágil e não se intimida por pouca coisa. Por isso ela nem hesita quando ouve os barulhos no salão durante a noite e corre até lá para ver o que está acontecendo. Suzanne mesmo tremendo de medo acompanha a prima, pois teme pela vida do seu pai. E elas realmente o encontram desacordado, mas em pior situação se encontra Jean Daval, o secretário do Conde que jaz morto com uma facada.

Mas antes de encontrar os dois elas ainda conseguem ver dois homens fugindo carregando objetos pesados, e um deles ainda se encontra dentro do salão. Raymonde consegue pegar uma arma e acerta o bandido que mesmo ferido consegue se arrastar pelo jardim. Nesse momento os criados chegam alertados pelo barulho e dois deles e Raymonde cercam o bandido que consegue desaparecer debaixo de seus olhos. A polícia é chamada e junto com eles vem dois jornalistas. E por mais que eles vasculham o local, a única pista que encontram é um chapéu de cocheiro, que não dá em nada. E o mistério só aumenta porque apesar das garotas terem visto os bandidos carregando objetos, não está faltando nada. 

O que ninguém esperava era que um dos jornalistas na verdade não era um repórter e sim Isidore Beautrelet, um estudante de retórica que logo faz várias deduções certeiras sobre o crime, inclusive sobre o autor que ele afirma ser Arsène Lupin. E a luz dessas novas informações a prisão de Lupin já é dada como certa. Mas um novo acontecimento muda tudo, Raymonde é levada e há sinais de que ela pode estar morta em retaliação por supostamente a pessoa que ela atingiu ser Lupin, que também estaria morto. Os próximos a sofrerem atentados são Ganimard e Herlock Sholmes, dois inimigos declarados e Beautrelet, um possível adversário à altura de Lupin. E esses atentados acontecem logo após Beautrelet decifrar um papel interceptado que fala sobre uma agulha oca, que eles descobrem ser um enigma que remonta dos tempos antigos. 


Esse é o terceiro livro publicado com o personagem Lupin. E é o primeiro onde temos uma história só, os dois anteriores eram de contos. E acho que me acostumei coma dinâmica de ler histórias curtas e rápidas com os casos sendo solucionados sem precisar de muita enrolação, porque esse foi o que menos gostei dos três lidos até agora. Mas ainda assim dei um muito bom porque a genialidade dos personagens fala mais alto. Personagens, porque dessa vez temos um adversário à altura de Lupin. Não que Ganimard e Herlock Sholmes não sejam interessantes, mas Beautrelet proporciona momentos memoráveis ao se apresentar tão inteligente quanto Lupin e foi muito bom acompanhar os passos de cada um deles em busca de desvendar o mistério que dá título ao livro.

Apesar da pouca idade, Beautrelet possui qualidades que os outros dois detetives citados não tem. Ele tem paciência, só faz os movimentos depois de estudar bastante, enxerga um passo a frente e principalmente, ele não subestima Lupin. Pelo contrário, ele admira, e por vezes fica fascinado pelos movimentos de seu oponente. E a recíproca é verdadeira. Então já podem imaginar como é gostoso acompanhar esse jogo entre os dois, principalmente quando eles se encontram frente a frente. Você sabe que o livro é do Lupin, mas não sabe realmente como aquilo vai terminar, se Lupin será finalmente superado ou se mais uma vez ele tem tudo planejado e vai se safar novamente.

Por já ser o terceiro livro que leio com o personagem era de se esperar que já conhecesse um pouco o Lupin, mas estou longe de saber alguma coisa sobre ele. Quando menos espero lá vem ele disfarçado na pele de quem menos se espera e agindo de uma forma que eu não podia nem imaginar. E dessa vez ainda temos um romance no meio da história, sim Lupin se apaixona e acaba refazendo seus planos para viver esse amor. E confesso, torci para tudo dar certo no final. E também que fui surpreendida, não esperava de maneira nenhuma que o livro terminasse daquela forma. Quanto a edição, como já falei nas resenhas dos livros anteriores, é da Principis, os livros são de um material mais barato, não se compara aos da Zahar por exemplo, mas pelo preço acho super válido. E gosto bastante dessas capas com cores fortes. Recomendo para os fãs de livros com excelentes detetives.

Nota:






18 agosto 2022

Resenha | Trilogia erótica - Anne Rice

Livros
: Os Desejos da Bela Adormecida, A Punição da Bela e A Libertação da Bela
Série: Trilogia Erótica
Gênero: Erótico
Autora: Anne Rice
Editora: Rocco
Páginas: 352, 352 e 352
Ano: 2012

Resenha: 
Eu peguei essa trilogia emprestado de uma amiga. Ela meio que me intimou a ler e resenhar na verdade. Eu li alguns livros da Anne Rice, que nos deixou no final do ano passado, na minha adolescência. Já comentei aqui algumas vezes que eu e meu sobrinho liamos os livros juntos. Eu era fã de Agatha Christie e derivados do gênero, ele de Stephen King, Anne Rice, essa turma do medo. Como naquela época só líamos o que tinha nas bibliotecas, olha ai a turma que diz que precisa ler PDF porque não tem dinheiro para comprar livros, eu pegava um livro e ele outro, cada um o que gostava, e para render a caminhada, sim íamos a pé pegar os livros emprestados, depois a gente trocava os livros. Foi assim que acabei lendo os livros de vampiros da autora.

Mas não tinha nem ideia do que esperar dessa trilogia erótica, releitura de um conto de fadas. Por já estar acostumada a ler livros eróticos com BDSM achei que não ia me chocar tanto, mas aconteceu. Primeiro que a pratica antes de tudo tem que ser consensual, o que não é o caso aqui no livro. E segundo que mesmo com todas os fetiches, dores e tudo mais que envolve a pratica, o prazer é das duas partes, o que também não acontece aqui, que só aos senhores é permitido ter prazer. É uma leitura difícil, forte e que mexe com a gente, por isso entendo a revolta dos fãs da autora. E ela já sabia que isso ia acontecer já que escreveu sob o pseudônimo de A. N. Roquelaure. 

O primeiro livro começa com o Príncipe chegando ao castelo e quebrando a maldição da Bela, não com um beijo como nos clássicos de fadas da Disney, mas mais próximo do original quando Bela acorda quando é violada com um estupro. E essa é a parte mais "bonita" da história porque daí em diante é só ladeira abaixo. Bela é levada para o reino do Príncipe para ser uma escrava sexual e já no caminho ela percebe que só acordou de um pesadelo para entrar em outro bem pior com torturas psicológicas e físicas, castigos por qualquer vontade do Príncipe, estupros, abusos, espancamentos e humilhações. E não existe palavra de segurança, se ela demonstrar o mínimo que seja que não está gostando, é castigada.

No segundo Bela acaba se rebelando por um motivo que até agora não entendi qual foi. Ela olha para um dos príncipes que vai ser levado para uma vila para um punição mais séria e acaba dando um jeito de ir junto. Lá a coisa ainda desce um nível e além de tudo isso que já citei, eles vão servir como escravos trabalhando no que quer que seus donos queiram. E detalhe que esqueci de mencionar, eles precisam andar nus o tempo todo e pela maior parte do tempo de quatro como animais. Até arreios e ferraduras eles tem que usar. E nesse segundo livro a autora conseguiu me chocar porque tem uma cena onde temos Zooerastia. 

No terceiro Bela é sequestrada junto a outros príncipes e princesas e levada para outro reino onde as coisas são bem diferentes. Ainda existem os castigos, as degradações, eles são tratados literalmente como animais, os homens servem como cavalo, e são proibidos de falar e devem se portar como se fossem irracionais, mas a parte sexual achei mais intensa. Bela e os outros escravos já estão tão quebrados que um mínimo gesto de carinho já desperta uma onda de amor e gratidão por seus senhores. E no fim a gente já está um pouco como os personagens, achando tudo aquilo normal. Mas é tudo tão absurdo que nem sei o que deu na cabeça da autora para escrever esses livros.

Porque eu fiquei o tempo todo, não, ela tem algum propósito ao escrever isso, ela vai chegar em algum lugar, vai ter alguma lição disso tudo, mas terminei a trilogia e não consegui ver o objetivo da autora. Eu li algumas resenhas e algumas pessoas acham que ela escreveu como uma forma de protesto, já que os livros foram escritos quase quarenta anos atrás onde algumas feministas considerava que a pornografia violava o direito das mulheres, outros já acham que foi uma critica ao felizes para sempre dos contos de fadas. O certo é que eu terminei e fiquei sem entender. E ainda depois vi que na verdade não é somente uma trilogia, tem mais um livro que se passa vinte anos depois do final do terceiro livro.

Achei a leitura bem cansativa, apesar de ter lido os três livros em menos de uma semana. As cenas são bem descritivas e repetitivas, acho que para enfiar goela abaixo do leitor mesmo. Porque como disse, depois que terminei, nem estava mais incomodada com o que estava lendo apesar do absurdo todo das cenas. E tem um ponto que preciso frisar, li algumas resenhas falando que eles estavam gostando porque sentiam prazer com aquilo, mas infelizmente não temos controle sobre nosso corpo. A dor, o medo, leva a pessoa a ter reações fisiológicas como fazer xixi, tremedeiras, espasmos e com a parte sexual não é diferente, tanto que tem vitimas de estupro que se culpam por chegar ao orgasmo. 

E uma coisa que não me conformo de tudo isso é que a Bela só tem quinze anos e seus próprios pais entregam ela nas mãos do Príncipe sabendo tudo o que ela ia passar porque eles mesmos já tinham passado por aquilo. A justificativa é que eles se tornariam reis e rainhas melhores, mas eu não vejo como aquilo tudo tornaria a pessoa melhor. Mas enfim, é uma leitura que não recomendo, a não ser que queira ler por conta do sexo mesmo. Quanto a edição, a capa é totalmente relevante para o conteúdo, e só não gostei que as folhas são brancas.

Nota:






14 agosto 2022

Resenha | Uma Tocha na Escuridão - Sabaa Tahir

Livro
: Uma Tocha na Escuridão
Série: Uma Chama Entre as Cinzas #2
Gênero: Fantasia
Autora: Sabaa Tahir
Editora: Verus
Páginas: 434
Ano: 2020

Contêm spoilers do livro anterior.

Resenha:
Laia pertence ao povo Erudito, que há quinhentos anos teve seu território conquistado pelos Marciais e hoje eles vivem debaixo de seu jugo. Após ver seus avós serem mortos na sua frente e seu irmão Darin ser levado pelos Marciais, Laia só tem uma opção, pedir ajuda a Resistencia, da qual seus pais já foram os lideres. E eles concordam em ajudar Laia desde que ela se infiltre na Academia Militar Blackcliff como escrava da Comandante. Mesmo com todos os riscos Laia aceita, mas chega lá em um péssimo momento, pois está acontecendo as Eliminatórias, um torneio onde os quatro melhores soldados competem para ser o novo Imperador. Entre eles Elias, filho da Comandante.

Mas Laia encontra em Elias um aliado, que assim como ela quer a liberdade acima de tudo e após uma sanguinária disputa, que leva Helene, melhor amiga de Elias a se tornar a Águia de Sangue do Império e Marcus, seu maior inimigo, Imperador, Elias precisa fugir para não ser morto e aceita a ajuda de Laia em troca de seguir com ela até Kauf, a prisão mais segura e perigosa do Império, onde Darin está preso. Mas o caminho até lá não vai ser nada fácil. Além dos soldados em seu encalço, soldados esses que até horas atrás eram amigos de Elias, ainda existem várias criaturas, que até então eles acreditavam serem apenas lendas, a espreita e elas parecem estar especificamente atrás deles.

E a fuga vira um verdadeiro caos quando os rebeldes aproveitam o momento para atacar. Em meio a tudo isso Elias ainda tem que enfrentar alguém que o odeia acima de tudo, sua própria mãe. Enquanto isso Helene está sendo interrogada e torturada pela Guarda Negra depois de deixar Elias escapar, tendo que provar aquilo que sempre foi seu lema na vida: sua lealdade. Mas a quem ser leal, a seu novo Imperador ou ao seu coração que sempre pertenceu a Elias? Como ela vai obedecer a ordem de caçar, torturar e matar seu melhor amigo? E tanto Helene como Elias descobrem que existem outras forças por trás dos panos, se movendo furtivamente e manipulando as pessoas ao seu interesse. Mas com que objetivo?

Uma chama entre as cinzas não foi bem o que eu esperava pelo tanto de elogios que vi ao livro. Então se já não tinha muitas expectativas para a série, elas eram nulas nesse segundo livro. Que vai começar exatamente onde o primeiro livro terminou. E felizmente os pontos que levantei como negativo no primeiro livro, a autora conseguiu acertar quase todos nesse, um deles, o romance, ela ainda continua pecando. Por isso a minha nota foi um muito bom e agora com expectativas elevadas para o terceiro livro. Ainda mais que esse segundo termina de um jeito de tirar o fôlego e com muitas perguntas em aberto, e é nessas horas que agradeço por ter esperado lançar todos para começar a ler a história.

Diferente do que li em algumas resenhas, esse segundo livro traz um ritmo frenético quase em todas suas mais de quatrocentos páginas. Temos um momento ou outro em que os personagens, e o leitor que se aventura junto, consegue respirar, mas de resto é uma aventura atrás da outra, descobertas importantes e novos personagens muito relevantes sendo inseridos. Os momentos de menos tensão são aqueles onde a autora continua pecando, insistindo em romances descabidos que não colam nem para uma criança de cinco anos. Não existe amor entre nenhum dos casais que ela criou. Desejo e atração sim, raros na verdade, mas amor passou foi longe.

Mas em compensação temos um aprofundamento maior no mundo criado pela autora e na mitologia presente na história. Os novos personagens djinns são muito interessantes e espero que isso melhore ainda mais nos próximos livros. Outro personagem que gostei muito foi um membro da Guarda Negra que vai ser a sombra de Helene no livro. No final temos uma revelação surpreendente a respeito dele. Quanto a Helene ainda não consegui ver a personagem de tantos elogios que li nas resenhas, mas gostei de ter a visão dela nesse segundo livro. Até porque se não tivesse seu POV não saberíamos o que está acontecendo no império após a fuga de Laia e Elias.

E quanto aos dois protagonistas, que eu não tinha gostado nenhum pouco no livro anterior, nesse mudei minha opinião. Elias principalmente conseguiu me conquistar. Ele deixou de ser o cara indeciso para ser o cara da ação. Ele ainda tem um coração de ouro, mas faz o que precisa quando necessário. E fiquei muito triste com o que aconteceu com ele no final, aguardemos os próximos capítulos. Já Laia, uma coisa que gosto nela é que ela é feita de acertos, mas de muitos erros também. Tirando a parte do romance furado, Laia amadureceu muito nesse segundo livro. De uma garota covarde ela se transformou em alguém digna de ser admirada e também espero que ela brilhe ainda mais no decorrer da história. E poderia ficar aqui comentando ponto por ponto, mas a resenha vai ficar enorme e vou parar por aqui. Só antes vou elogiar as novas capas da editora que estão espetacular.

Nota:






07 agosto 2022

Resenha | Ponte do Medo - Taylor Adams

Livro
: Ponte do Medo
Série: Não
Gênero: Suspense
Autor: Taylor Adams
Editora: Faro Editorial
Páginas: 256
Ano: 2022

Resenha:
Há três meses Cambry Nguyen pulou da Ponte do Grampo para uma queda de sessenta metros. Quem encontrou o corpo dela foi o cabo Raymond R. Raycevic que estava no local verificando uma ocorrência comum por lá, já que para encurtar o caminho os motoristas ignoram que o local está fechado para o transito e cortam as telas de proteção que dão acesso a ponte. Em um primeiro momento Raymond só viu o carro de Cambry, mas uma intuição o levou a olhar pela grade de proteção e lá embaixo estava o corpo sem vida de Cambry sobre as pedras. A policia chegou a conclusão de que foi suicídio, já que a ponte também é conhecida como a Ponte do Suicídio por várias mortes assim já terem acontecido no local.

Mas Lena, irmã gêmea de Cambry não concorda com a policia, porque ela tem certeza de que Cambry nunca tiraria a própria vida e decide descobrir o que realmente aconteceu. Ela está decidida a descobrir a verdade e contá-la em um livro que foi uma promessa que ela fez a irmã ainda quando crianças, de que um dia ela iria escrever a história da vida de Cambry, ela só não esperava que a irmã morresse no final da história. Para isso Lena pega o carro de Cambry e vai até o local munida de um gravador e convence Raymond a lhe mostrar o local exato onde ele encontrou Cambry e todos os detalhes que ele lembre do dia em questão.

Raymond é muito simpático e narra com precisão todos seus passos, mas Lena percebe algumas coisas que ele não faz questão de mencionar, como ter parado a irmã no dia anterior da sua morte por excesso de velocidade, segundo consta no seu relatório. Nem que treze minutos antes disso Cambry havia ligado dezesseis vezes para o FBI, e que em sua ultima mensagem para Lena, Cambry citou o nome dele. Raymond diz que tudo se deve ao distúrbio de personalidade esquizoide de Cambry, mas Lena tem certeza de que Raymond sabe mais do que está contando e que sua irmã pode até mesmo ser uma vítima dele. Mas se for esse mesmo o caso, Lena também pode estar em perigo.


Quando li Sem Saída, eu fui sem expectativa nenhuma para a leitura e acabei encontrando um livro de tirar o fôlego e acabei ele exausta de tanta adrenalina que foi durante a leitura. Por isso agora nesse segundo livro do autor publicado pela Faro, é claro que já fui esperando um livraço e encontrei até mais do que esperava. O autor virou meu novo favorito de livros do gênero. A exemplo do primeiro livro, a história se passa em poucas horas, mas ela é tão intensa que parece ter durado dias. É ação, suspense, algumas vezes fiquei até com medo pela personagem, é coração acelerado, é uma história para nenhum amante do gênero colocar defeitos.

Nele vamos encontrar a história no presente quando temos Lena confrontando Ray, temos trechos do blog dela escrito um dia antes dela se encontrar com ele e também capítulos do livro que Lena escreve contando sua visão de como ocorreu a morte da irmã. E não sei dizer qual deles é mais intenso. As cenas do livro onde acompanhamos Cambry são repletas de ação do início ao fim, por vezes lembrei do filme Velozes e Furiosos nas cenas de perseguição. Já as cenas da Lena começam mais calmas, mas depois vira aquela tensão que sabe a expressão se cair um alfinete dá para ouvir? Se encaixa aqui. E depois também vira ação total quando finalmente a verdade se revela.

Eu fiquei boa parte do livro em dúvida se Ray era o assassino mesmo ou não. Ele é muito simpático e ganha o leitor, já Lena é aquela personagem durona e até mesmo grossa, por isso você fica naquela, mas será que foi isso mesmo que aconteceu? Ray parece ser tão sincero quando afirma que Cambry pulou da ponte. Até porque se Ray fosse culpado porque ele não matou ela de outro jeito se teve tantas oportunidades de fazer isso antes? Porque no decorrer da história vemos varias situações entre eles que se Ray fosse o assassino poderia ter resolvido tudo de outra maneira, até porque a história é bem mais profunda do que aparenta, mas não posso falar mais que isso para não soltar spoiler. E essa dúvida vai até uma metade da história mais ou menos, dai a coisa muda para ação total.


E tem uma hora que aparece um outro personagem nessa história só para bagunçar mais as coisas e criar novos embates. E foi em uma dessas horas que fiquei paralisada de medo. Meu coração acelerou e precisei fechar o livro para respirar. Assim como aconteceu em Sem Saída, o autor conseguiu me transportar para dentro da história e as sensações pareciam muito reais. É uma surpresa atrás da outra, mal dá tempo de processar o que aconteceu e lá vem outra bomba. Quando você pensa que não tem mais nada para descobrir, lá vem outra coisa de cair o queixo. E quando você acha, ufa, acabou, o autor vai lá e te surpreende de novo. É uma reviravolta atrás da outra, é tipo jogo de tênis que se você piscar não vê de que lado está a bola e quem está com a vantagem na situação.

Eu já tinha lido livros maravilhosos da Faro esse ano, principalmente desse gênero, mas esse sem dúvida foi o melhor deles disparado. Acho que vai ser dificil ele perder o posto de melhor livro do ano da editora. E fora a história incrível, ainda temos uma edição muito bem feita como já é de praxe da editora. As narrativas do livro são em fontes diferentes, então mesmo que seja tudo contado pela protagonista, a gente sabe diferenciar onde aquilo está acontecendo. E termino a resenha por aqui, indicando o livro para todo amante de thrillers. Esse com certeza vai entrar para sua lista de favoritos. E agora fico na torcida para que a editora traga mais livros do meu novo autor favorito do gênero.

Nota:






03 agosto 2022

Resenha | Turma da Mônica Jovem: A hora da verdade - Mauricio de Sousa

Livro: 
A hora da verdade
Série: Turma da Mônica Jovem #4
Gênero: Infantojuvenil
Autor: Mauricio de Sousa
Editora: Milk Shakespeare
Páginas: 96
Ano: 2022

Resenha:
Quando a Faro anunciou a publicação desses quatro volumes da Turma da Mônica Jovem já fiquei super empolgada, já que só conhecia a turminha criança. Mas não imaginei que os quatro volumes sairiam tão rápido, nem que eu amaria tanto eles jovens que ficaria até um vazio no coração ao terminar o quarto livro. Ainda mais da maneira que terminou. Fica agora a torcida de que mais volumes sejam publicados já que os livros são uma novelização da série exibida e coproduzida pelo Cartoon Network, que tem muito mais episódios do que apenas os doze dos quatro livros.


As edições estão de dar gosto. Lembrando que não são quadrinhos e sim livros mesmo. As capas com cores fortes e vibrantes e por dentro ilustrações que casam com o texto que vem em duas cores. No primeiro volume era preto e roxo, no segundo preto e verde, no terceiro preto e laranja e nesse quarto livro preto e azul, minha cor favorita da vida. E ainda nas orelhas dos livros temos os personagens da turminha. São livros ideais para dar de presente para qualquer pessoa de todas as idades.


Na primeira história, Nove de novembro, Monica compõe uma música romântica que faz o maior sucesso e quando todo mundo descobre que ela se inspirou em algo escrito em seu diário e que ele está perdido, todo mundo fica louco para encontrar e descobrir quem é o responsável pela inspiração e quais outros segredos o diário esconde.

Como nas outras histórias da turma, é impossível não bater aquela nostalgia. Quem nunca se aventurou em um diário quando mais jovem? O famoso caderno, tinha alguns que tinha até um cadeado, era nossas redes sociais da época. Ali a gente escrevia nossos sentimentos, aventuras, dilemas, paixonites e colava tanta recordação, tickets de cinema, embalagem de bombom. E volta e meia a gente relia e percebia o quanto nossa vida mudava em tão pouco tempo.


Na segunda história, Além de Jurerê, Jeremias descobre que gosta muito das aulas de teatro que 
Isadora está dando, mas acaba escondendo isso de Titi, que só quer saber de malhar. O problema é que a apresentação do grupo de teatro vai ser no mesmo dia da viagem para Jurerê, que ele combinou de fazer com Titi, e ele vai ter que escolher entre as duas coisas.

Aqui também temos algo que todo mundo vive no dia a dia. Quem nunca fingiu gostar de algo e deixou de fazer alguma coisa só para agradar um amigo? Quantas vezes a gente se anula por medo de perder o amigo ou até mesmo medo de seguir nossos sonhos e eles darem errado?


E na terceira história, Será que é date?, é a noite do jantar de namorados do Limoeiro. A turma está toda empolgada porque vai vir uma chef australiana e quem for de casal vai ganhar desconto. Como não tem namorado, Mônica pede que Cebola vá com ela para eles ganharem o desconto, mas Cebola dá pra trás e Mônica acaba convidando DC, que aceita. Na mesma hora Cebola percebe que fez burrada e fica angustiado pensando se o encontro dos dois amigos pode virar um date de verdade.

Aqui temos outra situação que é mais típica da adolescência, mas muitos adultos ainda passam por isso. O medo de mostrar e falar o que sentimos faz com que as vezes a gente perca o amor da nossa vida. Eu sempre fui da turma do não eu já tenho, mas essa situação é uma que nos prende não apenas na parte amorosa, mas em muitas coisas da nossa vida se não soubermos como lidar com isso.

E é assim, através de histórias engraçadas e leves que encontramos grandes lições para nossas vidas. Por isso eu mais do que recomendo a leitura não só desse, mas de todos os quatro volumes publicados pela Faro pelo selo Milk Shakespeare. E agora é começar a rezar para que eles assinem um novo contrato com o autor, dessa vez para muitos mais livros, que com certeza nos vamos amar.

Nota:








29 julho 2022

Resenha | Romance Real - Clara Alves

Livro
: Romance Real
Série: Não
Gênero: Jovem Adulto
Autora: Clara Alves
Editora: Seguinte
Páginas: 264
Ano: 2022

Resenha:
O sonho de Dayana sempre foi conhecer a Inglaterra. Desde criança ela é apaixonada por tudo em Londres. Sua banda favorita é a One Direction e até seu nome ela recebeu em homenagem a um dos membros da família real. Esse amor todo ela herdou da sua mãe e suas lembranças favoritas da sua infância era quando as duas se sentavam na frente da TV para assistir pela milésima vez o filme Um Lugar Chamado Notting Hill, que ela sabe até as falas de cor, ou quando assistiam as transmissões das noticias da família real. Por isso era para Dayana estar pulando de alegria ao desembarcar em Londres, para onde está se mudando, mas o contrário disso é verdadeiro. 

O momento não poderia ser pior. Dez anos antes seu pai resolveu tentar a vida em Londres e nunca mais voltou para o Brasil. Ele formou uma nova família, na qual Dayana agora terá que se encaixar. E isso porque a mãe de Dayana acabou de falecer. O amor que ela sentia pela cidade acabou virando uma espécie de ódio e esse sentimento é o que está ocupando todo o espaço no coração dela. A nova família do seu pai até que tenta ser simpática, mas toda aquela perfeição só faz com que Dayana se sinta uma intrusa e só veja falsidade em suas palavras e atos. Por isso mesmo não querendo conhecer a cidade sem sua mãe, como sempre foi o seu sonho, Dayana sai para espairecer e quando percebe já está olhando para o Palácio de Buckingham.

E enquanto se lamenta por tudo de ruim que está acontecendo em sua vida, uma garota ruiva muito bonita que está pulando o muro do palácio, acaba caindo literalmente em cima dela. E sem pensar duas vezes Dayana ajuda a garota a fugir e as duas acabam tendo uma conversa bem agradavel. A garota também se chama Diana e fala português, apesar de ser com uma certa dificuldade. E Dayana acaba usando isso para conseguir se encontrar com ela novamente, se oferecendo para ajudar Diana a treinar a língua. E esses encontros é o que mantém Dayana sã em meio ao luto e a mágoa do pai e sua nova família e quando percebe ela já está apaixonada e é correspondida. Mas Diana tem um segredo, que quando revelado pode colocar essa relação em risco. 


Eu já li dois contos da autora que gostei bastante. Somado a isso temos o livro Conectadas, que é um sucesso de vendas desde seu lançamento, e um romance que promete ser um verdadeiro conto de fadas moderno cheio de representatividade. Então já imaginem a minha expectativa para a leitura. Infelizmente o tombo foi grande. Pensei muito antes de escrever essa resenha porque é um livro que recebi de parceria e não gosto de escrever resenhas negativas, mas decidi escrever porque se tem uma coisa de bom nessa história é a edição maravilhosa da Seguinte. Com uma capa colorida e repleta de elementos da história, um marcador em cada orelha do livro e uma ótima diagramação, a Seguinte vem se destacando cada vez mais nos lançamentos voltados para o publico jovem adulto.

Agora vamos aos pontos que infelizmente me fizeram desgostar da história. Primeiro de tudo: a protagonista. A história é narrada pela Dayana, sei que ela é uma adolescente que acabou de perder a mãe e está sendo mandada para um país desconhecido e para morar com alguém que a abandonou quando criança, mas nada disso justifica a chatice dela. A garota é mimada, mal educada, não tem respeito por nada nem ninguém, se acha a dona da razão e em vez de falar o que sente e a incomoda, ela grita, esperneia, magoa, desrespeita e ainda se acha a certa da história. Ai que nervoso dessa menina. A vontade era entrar no livro e dar umas sacudidas nela para ver se acordava e percebia que ninguém era obrigado a aquentar aquilo.

Segundo ponto: o romance. Sabe aqueles instalove que a gente já está acostumado e até releva porque os autores só sabem escrever romance assim agora?, acontece aqui. Mas no meu ponto de vista o romance mesmo não aconteceu. Elas se encontram, se apaixonam a primeira vista, tem mais umas duas interações na história, conversam algumas vezes por mensagem e é só isso. Eu esperava aquele romance arrebatador que fizesse as duas lutarem para ficarem juntas mesmo com toda dificuldade envolvida, mas cadê ele? Química zero. Sem falar que nas poucas vezes que se encontram a Dayana faz questão de pisar na bola. Até se tivesse um POV da Diana até pode ser que a coisa fosse diferente, mas como só temos uma visão, não deu para ver nem sentir romance nenhum na história. Mas dai a autora teria que desenvolver a parte sobre o segredo da Diana e ela passa batido por isso. E até o final que era para ser puro romance ficou aquela sensação de coisa forçada.

Eu poderia colocar aqui um terceiro, quarto, quinto ponto que achei negativo na história, mas ficaria o dia todo aqui escrevendo então só vou citar por cima mais algumas coisas que me desagradaram. Em matéria de personagens não se salva nenhum. O pai é um banana que aceita a grosseira da filha por culpa, a justificativa dele por ter abandonado a família é tão medíocre que se fosse eu ria da cara dele. A mãe morta aparece nas lembranças da filha e fez um péssimo trabalho criando a mesma sem saber separar o marido do pai, e ainda incentivando a Dayana a odiar a nova família dele. E a cereja do bolo veio com uma doença na irmã adotiva que a meu ver foi jogada na história só para ter um motivo deles se entenderem. 

Dai você vai me falar, mas pelo menos teve representatividade na história. Teve sim, uma salada de representatividade, que na verdade na parte que me toca, não me representou. Não entendi porque tem que criar um personagem bissexual, gorda e negra, tudo junto e misturado que fiquei igual o meme da Nazaré. Mas enfim, infelizmente tirando a edição, não gostei de nada nesse livro, mas a nota dele é bem alta no skoob, então pode ser que o problema seja comigo que estou ficando velha para algumas histórias, então leia ele e tire suas próprias conclusões.

Nota:








24 julho 2022

Resenha | As garras do desejo - Elizabeth Hoyt

Livro: 
As Garras do Desejo
Série: A lenda dos quatro soldados #3
#1 - O Gosto da Tentação
#2 - O Sabor do Pecado
Gênero: Romance de época
Autora: Elizabeth Hoyt
Editora: Record
Páginas: 335
Ano: 2021

Resenha:
Que a guerra não é boa para ninguém, todo mundo já sabe. Mas para alguns ela é devastadora. Esse é o caso de Sir Alistair Munroe, um dos sobreviventes do massacre do vigésimo oitavo batalhão em Spinner’s Falls, que voltou da guerra cheio de cicatrizes. As visíveis, um olho e dois dedos faltando e as diversas cicatrizes vermelhas de um lado do rosto, já fez muita criança chorar de medo e diversas damas gritar e até mesmo desmaiar diante de sua visão. Somada as invisíveis que oprimem seu peito, fez com que que ele se tornasse um recluso em seu castelo na Escócia. E as pessoas não fazem muita questão de sua presença mesmo. Por isso ele leva um susto quando tarde da noite chega em sua casa a mulher mais linda que ele já viu, acompanhada de duas crianças, dizendo ser sua nova governanta. 

A última coisa que Alistair precisa é de pessoas que venham tirar sua paz e seu sossego, que são umas das poucas coisas que lhe restou nessa vida, por isso ele manda que a mulher, que claramente não sabe nem o que faz uma governanta, vá embora de sua casa o mais rápido possível. E numa coisa ele está certo, Helen Fitzwilliam, a mulher em questão, viveu os últimos anos cercada de luxo e com vários criados para realizar suas vontades, o que ele não faz nem ideia é que Helen não está ali porque quer, e sim porque precisa. Ela viveu sim em meio ao luxo, mas ainda assim as margens da sociedade, porque até duas semanas atrás Helen era a amante do duque de Lister e conseguiu fugir dele graças a ajuda de Lady Vale que foi quem encontrou o emprego de governanta e um lugar seguro para ela e seus filhos ficarem. 

E Helen só não segue a sugestão do homem mal educado e grosseiro que agora e seu patrão, porque ela sabe que se voltar Lister vai tomar seus filhos. Porquê o castelo está imundo, como se estivesse abandonado há anos e ela não tem nem ideia de por onde começar a limpar tudo. Mas já que ela não sabe o que fazer, Helen decide contratar pessoas que saibam e arranja meia dúzia de criados para trabalhar no castelo. E Alistair acaba ouvindo uma conversa entre as crianças e mesmo sem entender direito, descobre que eles não podem voltar para Londres e decide dar uma chance a Helen. E a convivência com ela e as crianças vai fazer Alistair acreditar que ainda pode sim amar e ser amado. Mas e quando o segredo de Helen vier a tona, será que eles conseguirão ter seu final feliz? 

“— É tão impossível mudar seu rosto quanto mudar o passado dela — continuou Sophia. — As histórias de vocês estão aí e sempre estarão. Mas você precisa aprender a viver com suas cicatrizes da mesma forma que Helen aprendeu a viver com o passado dela.”

Eu li os dois primeiros livros dessa série em 2019, depois a editora decidiu que só ia publicar os dois restantes em e-books o que me deixou muito frustrada e decidi não ler eles. Depois eles voltaram atrás e tem até um box da série, mas eu ainda estava emburrada com a editora hehe. Mas esses dias vi que o terceiro livro estava no KU e peguei ele para ler. O primeiro livro foi uma decepção, o segundo gostei bastante, já o terceiro... vamos a resenha. Eu confesso que estava esperando bastante dele porque os personagens já aparecem no livro anterior e deu para ver que seria um romance a lá Bela e a Fera, com o protagonista masculino voltando deformado da guerra, o que já é até um clichê nos romances de época, e felizmente ele correspondeu as minhas expectativas.

Se tem uma coisa que eu espero quando pego um romance de época para ler é encontrar uma história leve que faça eu me apaixonar pelos personagens e se possível rir muito das situações e claro, encontrar um felizes para sempre no final do livro. Pelo menos duas dessas coisas tem que ter para que eu dê uma nota boa para o livro. E nesse, apesar de eu não ter me apaixonado pelos protagonistas, me encantei com os personagens secundários e ri muito o livro inteiro das situações. Cheguei a rir alto de tão engraçadas que foram algumas cenas. Mas em contrapartida esse também foi o motivo de eu não ter dado nota máxima para o livro. Sabe quando a situação exige um pouco menos de comédia e mais de profundidade?

Porque o livro vai falar sobre um pós guerra e a autora focou mais no tom da comedia do que nas marcas que o personagem trazia em si. Ela tratou tudo superficialmente e isso me incomodou. Ainda mais que sou fã da série Clube dos Sobreviventes da Mary Balogh e ficava comparando a abordagem das duas durante a história. Mas acredito que essa questão seja pessoal, então pode ser que não venha incomodar outras pessoas. Outra coisa que me incomodou também foi que a autora inseriu muitas cenas hots na história, não lembro se nos dois primeiros volumes estava assim, mas achei bem exagerado para um romance de época. Então levando isso em conta, acredito que esse livro fique no meio dentre os três da série que li até agora. 

Mas uma coisa que gostei bastante foi que nesse livro temos um terceiro ponto de vista na história. Além dos dois protagonistas, vamos ver um pouco da história acompanhando a Abigail, filha de Helen, o que deu uma visão completamente diferente da história, tanto por ela ser uma criança como por fugir do mesmo de sempre que geralmente é só o casal. E não posso esquecer de mencionar a história do soldado que dá título a série. Como disse nas outras resenhas, gostei mais dos contos dos soldados do que da história propriamente dita nos dois primeiros livros, mas nesse achei que elas se equipararam. Agora só resta ler o quarto livro para enfim descobrir quem é o traidor do batalhão que essa história já vem sendo arrastada desde o primeiro livro da série. Até por esse detalhe fica a dica para ler a série na ordem de publicação. 

Nota:






19 julho 2022

Resenha | Alerta de tempestade - Maria Adolfsson

Livro
: Alerta de tempestade
Série: Doggerland #2
Gênero: Romance Policial
Autora: Maria Adolfsson
Editora: Faro Editorial
Páginas: 256
Ano: 2022

Resenha:
Faz apenas quatro semanas que a detetive Karen Eiken Hornby saiu do hospital e pouco mais de dois meses desde o ferimento em sua perna em seu ultimo caso, mas ela já não aguenta mais ficar afastada do serviço. Ainda restam doze dias sem fazer nada e em pleno Natal ela está cogitando fugir de sua própria casa porque não aguenta mais bancar a anfitriã feliz, já que mal consegue esconder a dor que sente cada vez que mexe a perna, sem falar nas baboseiras que tem que ouvir de seus convidados. Por isso ela quase chora agradecida quando a oportunidade de sair daquele lugar se apresenta. 

Karen recebe uma ligação de Jounas Smeed, chefe do Departamento de Investigação Criminal da Polícia Nacional de Doggerland, e seu desafeto declarado depois de uma situação constrangedora no passado. Como está prestes a viajar e o departamento está com pouca gente devido ao feriado, ele recorre a Karen e pede que ela assuma uma investigação de um corpo encontrado próximo a antiga pedreira da ilha Noorö, uma das ilhas ao norte do arquipélago. A primeira vista parecia se tratar de um acidente, mas ao examinar a vítima, um professor aposentado, o médico distrital encontrou sinais de que ele foi arrastado e acionou a polícia local.

Karen começa a investigar junto com a polícia local, mas fora a casa da vítima ter sido revirada de uma forma que parece ser uma cena montada, eles não conseguem muitas pistas do que realmente aconteceu. Até que na véspera do ano novo um novo crime acontece. O único até então suspeito de ter cometido o outro crime é encontrado com a garganta cortada. E para conseguir chegar ao assassino Karen terá que revisitar seu passado, já que viveu por muitos anos naquela ilha, e por conseguinte, investigar seus próprios parentes que podem estar envolvidos nos crimes.  

Esse livro é o segundo de uma série, Doggerland, e apesar das histórias tecnicamente terem um começo meio e fim em cada livro, a vida da detetive em questão é parte das histórias, então se os livros forem lidos fora de ordem, tanto vai ter spoilers, como vai ser perdido várias referencias que vão prejudicar o bom andamento da história. Nos dois livros até então a vida de Karen está relacionada aos crimes investigados. Isso sem falar que nesse temos uma história paralela, que no caso prendeu mais minha atenção do que a história principal, que está diretamente ligada a vida pessoal da detetive. 

Com capítulos curtos, a autora consegue prender o leitor e nos levar aquele famoso só mais um capitulo e quando percebemos já estamos completamente envolvidos na história e precisando saber como ela vai terminar. Ainda mais nas ultimas cinquenta páginas, que foi impossível respirar antes de ver o final do livro. A Karen não é daqueles detetives que dá as ordens e espera tudo acontecer, ela vai lá e coloca a mão na massa e no caso, sua vida em risco o tempo todo. A exemplo do que aconteceu no primeiro livro, Pistas Submersas, eu fiquei com o coração na mão por ela e torcendo para que tudo terminasse bem. Porque eu já tenho um histórico com séries de detetives femininas e a coisa é só ladeira abaixo para elas, então não dá para ter certeza de nada.

Mas fico na torcida para que com a Karen seja diferente e ela consiga se recuperar de seus traumas passados e siga em frente. Porque ela é uma personagem que gosto bastante, mesmo ela não sendo excepcional na hora de resolver os crimes, apesar de ser muito inteligente e rápida em suas deduções. Acho que me doí pela forma como ela é tratada no livro anterior por seus colegas de trabalho, por isso torço muito por ela. Felizmente nesse livro ela tem o respeito que merece e não é simplesmente julgada por ser mulher. E como sou a louca dos romances, uma luzinha se ascendeu aqui no final do livro e fico esperando um romance nos próximos capítulos dessa história.

Eu achei esse segundo livro um pouco mais fraco que o primeiro, a história principal é boa e não consegui descobrir o assassino antes de ele se revelado. Mas como amante do gênero, eu sempre fico esperando mais e fica aquela frustraçãozinha quando isso não acontece. E como já citei, temos uma história paralela, entre os amigos da protagonista que foi o que me moveu e eu precisava saber o que ia acontecer. E até posso saber que aquilo no final não está certo, mas me senti foi bem depois de tudo. Enfim, é uma série que recomendo para quem curte o gênero. E quanto à edição, como sempre a Faro arrasando. A edição está bem bonita e a capa tem tudo a ver com o clima da história.

Nota:









14 julho 2022

Resenha | Uma Chama Entre as Cinzas - Sabaa Tahir

Livro
: Uma Chama Entre as Cinzas
Série: Uma Chama Entre as Cinzas #1
Gênero: Fantasia
Autora: Sabaa Tahir
Editora: Verus
Páginas: 434
Ano: 2020

Resenha:
Há quinhentos anos os Marciais conquistaram as terras dos Eruditos e onde antes existia um povo feliz com suas universidades e bibliotecas consideradas as melhores do mundo, hoje só se encontra um povo oprimido e escravizado que mal sabe reconhecer a diferença entre uma escola e uma armaria. É nesse mundo que Laia vive com seus avós e Darin, seu irmão mais velho. Há muito Laia aprendeu que obedecer o Império Marcial é o único caminho e ela acreditava que seu irmão estava agindo da mesma forma que ela. Até a noite da batida.

Em poucos minutos os membros restantes da sua família, ela já havia perdido os pais e a irmã assassinados pelos Marciais, são mortos na sua frente e Darin levado preso acusado de traição. Laia consegue fugir e a única opção que lhe resta é pedir ajuda a Resistência. Depois de muito procurar Laia encontra os rebeldes e eles até aceitam ajudar Laia, desde que ela concorde em se tornar uma espiã. Ela terá que se infiltrar na Academia Militar Blackcliff e ser a escrava da Comandante dos Máscaras. É assim que o caminho de Laia cruza com o de Elias, filho da comandante, e que apesar de ser um marcial, é tão escravo do Império quanto ela.

Elias é o melhor aluno da academia em décadas. Prestes a se formar, Elias sabe que será obrigado a colocar em pratica tudo o que aprendeu durante todos esses anos e que ele abomina com todo seu coração. Por isso ele precisa arriscar e fugir para sempre daquele lugar. Mas seus planos vão ter que esperar já que no dia da formatura, que seria o dia que ele se tornaria um desertor, os adivinhos aparecem e anunciam que a hora predita há quinhentos anos chegou. Os quatro melhores Máscaras vão combater nas Eliminatórias e o vencedor será o futuro Imperador. Elias, assim como sua amiga Helene, estão entre os quatro. Elias quer fugir, mas talvez vencer essa competição signifique mudar as regras do jogo.

Eu quis muito ler essa série desde que começou a lançar por aqui, com uma outra capa totalmente diferente diga-se de passagem. Mas acabei esperando lançar todos para enfim começar a ler. E com minha escolha claro, acabei pegando vários spoilers da série durante esses anos. Nada que tirasse minha vontade de ler, mas algumas coisas que li acabaram afetando minha visão de alguns personagens. Por exemplo a Helene, que toda resenha que li citaram-na como a personagem favorita da série. E o Elias como um dos que menos evoluíram, pelo contrário. Por isso tem pessoas que fazem questão de comprar o livro na pré-venda, para não acabar pegando esses spoilers involuntários.

Mas voltando a história, ela basicamente não tem nada de original se comparada a outros livros do gênero, mas como já disse em outras resenhas, quem lê um livro com alguma premissa que gosta muito (euzinha aqui), acaba procurando por outros livros que sejam parecidos, e não vejo isso como um problema. O que precisa ter mesmo é um desenvolvimento e personagens que sejam interessantes e prendam o leitor a história, o que infelizmente não acabei encontrando nesse primeiro livro da série. Minha nota foi mais por uma esperança de que nos próximos livros isso mude, já que se fosse ver só por esse livro ele seria um 2.5 de cinco, porque vi muito mais erros do que acertos nele.

E nem vou dizer que foram as expectativas, porque apesar de esperar uma história boa pelo tanto de elogios que vi, eu não estava esperando muito dele não. A começar pelo cenário, tanto físico como politico. A autora não foi nada especifica e pouco se sabe sobre a história deles e as motivações por trás das ações dos personagens. Mas isso eu relevo porque é um primeiro livro e ela não ia soltar tudo logo de cara. Mas queria sim mais detalhes sobre a situação. Segundo, nenhum dos personagens conseguiu me cativar a ponto de fazer com que eu torcesse por ele. Em uma narrativa dividida entre Laia e Elias, não sei qual dos dois foi pior de acompanhar. 

Elias deixou a desejar em praticamente tudo. Ele fica em cima do muro o tempo todo e muda de ideia a cada capitulo. Helene, a tão elogiada nas resenhas, nada mais é do que uma garota motivada por um amor fadado ao fracasso e Laia, a melhorzinha num primeiro momento, também parece que caiu de paraquedas na história e ficou só correndo de um lado para o outro feito barata tonta sem enxergar um palmo diante do nariz. A única coisa interessante sobre ela se comparado a outros livros do gênero, é que pelo menos nesse primeiro livro ela não é a garota cheia de poderes que todo mundo esperar que vá dar um jeito na situação. Os personagens que mais gostei foram a Cozinheira, que espero tenha uma participação maior nos próximos livros e a Comandante que é praticamente uma Cersei de máscara. O mulher ruim. 

Agora vou falar do que mais me incomodou no livro. Tem gêneros que não precisam necessariamente de um romance no meio, apesar de que se tiver a gente aproveita, mas já que vai ter, que seja bem feito. E aqui nada deu certo. A autor tentou um romance entre o Elias e a Helene que não funcionou, tem um entre a Laia e um dos rebeldes que não lembro o nome que pelo visto só existiu na cabeça dela e o pior de todos, um romance entre o Elias e a Laia que não sei de onde saiu, nem para onde foi de tão fraco que é. Teria sido bem melhor eles não terem existido porque foi um dos piores pontos do livro. E assim termino essa resenha na esperança de que as coisas melhorem, porque comprei os quatro livros juntos e espero não ter jogado meu dinheiro fora. 

Nota:





10 julho 2022

Resenha | Turma da Mônica Jovem: Amizade é tudo - Mauricio de Sousa

Livro:
Amizade é tudo
Série: Turma da Mônica Jovem #3
Gênero: Infantojuvenil
Autor: Mauricio de Sousa
Editora: Milk Shakespeare
Páginas: 96
Ano: 2022

Resenha:
Esse é o terceiro volume dos quatro que serão publicados pela Faro Editorial pelo selo MilkShakespeare com a turma da Monica jovem, e já estou ficando com saudade dessa turminha que eu amava muito quando eles eram crianças e aprendi amar eles ainda mais agora jovens. Cada volume conta com três histórias super divertidas, repletas de aventuras e ainda traz lições importantes para quem está vivendo essa fase e alguns puxões de orelha para quem já passou dela como eu aqui com meus quarenta e um hehe.

Para quem ainda não leu as resenhas dos outros volumes, as histórias dos livros, sim são livros e não HQs, são uma novelização da série exibida e coproduzida pelo Cartoon Network. Essa série foi meu primeiro contato com a turminha adolescente, até então só tinha visto eles crianças e foi uma grande surpresa encontrar os personagens vivendo outros tipos de aventuras como o primeiro amor por exemplo. E as histórias são super atuais com temas que os jovens dessa idade realmente estão vivendo no momento. E o autor aborda tudo de uma forma leve e descomplicada, por isso são livros que não serve somente para esse publico, mas agrada a todas as idades. Inclusive quem não gosta de ler, porque uma amiga minha que não lê viu eu lendo ele no serviço, ficou super interessada e, comprou um exemplar para ela.


A edição está que é um primor. Os livros tem diversas ilustrações em suas páginas dos personagens vivendo as situações mencionadas nas histórias. E ele é feito em duas cores. No primeiro volume era preto e roxo e no segundo preto e verde e nesse terceiro preto e laranja. E nas orelhas dos livros temos os personagens da turminha. Sem falar nas capas com cores vibrantes que dão todo um toque especial à edição. E como mencionei nas resenhas dos outros livros, eu ainda estava com um é atrás de ver os personagens mais velhos depois de tantos anos lendo eles crianças, mas agora já no terceiro volume acho que me acostumei e agora só consigo ver eles assim. Acho que se for ler algum gibi deles crianças agora vou estranhar.


Na primeira história temos uma disputa para a presidência do grêmio estudantil e apesar da proposta da Mônica ser muito boa, não é atrativa e Cebola vai dar um jeito de melhorar isso. Lá vem confusão na certa. Na segunda história temos uma personagem que não consegue viver longe das redes sociais, mas vai conhecer uma pessoa que vai fazer com que ela enxergue que existe vida sem um celular. E na terceira história temos o Cascão passando por um um período difícil e vai precisar da ajuda dos amigos para sair dessa. As três histórias são incríveis e minha favorita, mesmo não sendo com os personagens principais, foi a segunda. Não vou falar muito sobre elas porque são bem curtinhas e poso acabar soltando spoiler.


Só me resta indicar não só esse, mas todos os volumes da série, que aliás não precisam serem lidos na ordem exata, porque as histórias tem começo, meio e fim. Leia, dê de presente, tenha na estante, porque com certeza são leituras fáceis, dá para intercalar com aquele livro mais pesado, são ideais para quem ainda não adquiriu o prazer de ler, sem falar que as edições estão tão lindas que dá gosto de ter eles na estante. Agora só resta esperar pelo quarto e ultimo volume da série (oremos para que se multipliquem), que já está sendo publicado esse mês.

Nota:









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