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18 agosto 2022

Resenha | Trilogia erótica - Anne Rice

Livros
: Os Desejos da Bela Adormecida, A Punição da Bela e A Libertação da Bela
Série: Trilogia Erótica
Gênero: Erótico
Autora: Anne Rice
Editora: Rocco
Páginas: 352, 352 e 352
Ano: 2012

Resenha: 
Eu peguei essa trilogia emprestado de uma amiga. Ela meio que me intimou a ler e resenhar na verdade. Eu li alguns livros da Anne Rice, que nos deixou no final do ano passado, na minha adolescência. Já comentei aqui algumas vezes que eu e meu sobrinho liamos os livros juntos. Eu era fã de Agatha Christie e derivados do gênero, ele de Stephen King, Anne Rice, essa turma do medo. Como naquela época só líamos o que tinha nas bibliotecas, olha ai a turma que diz que precisa ler PDF porque não tem dinheiro para comprar livros, eu pegava um livro e ele outro, cada um o que gostava, e para render a caminhada, sim íamos a pé pegar os livros emprestados, depois a gente trocava os livros. Foi assim que acabei lendo os livros de vampiros da autora.

Mas não tinha nem ideia do que esperar dessa trilogia erótica, releitura de um conto de fadas. Por já estar acostumada a ler livros eróticos com BDSM achei que não ia me chocar tanto, mas aconteceu. Primeiro que a pratica antes de tudo tem que ser consensual, o que não é o caso aqui no livro. E segundo que mesmo com todas os fetiches, dores e tudo mais que envolve a pratica, o prazer é das duas partes, o que também não acontece aqui, que só aos senhores é permitido ter prazer. É uma leitura difícil, forte e que mexe com a gente, por isso entendo a revolta dos fãs da autora. E ela já sabia que isso ia acontecer já que escreveu sob o pseudônimo de A. N. Roquelaure. 

O primeiro livro começa com o Príncipe chegando ao castelo e quebrando a maldição da Bela, não com um beijo como nos clássicos de fadas da Disney, mas mais próximo do original quando Bela acorda quando é violada com um estupro. E essa é a parte mais "bonita" da história porque daí em diante é só ladeira abaixo. Bela é levada para o reino do Príncipe para ser uma escrava sexual e já no caminho ela percebe que só acordou de um pesadelo para entrar em outro bem pior com torturas psicológicas e físicas, castigos por qualquer vontade do Príncipe, estupros, abusos, espancamentos e humilhações. E não existe palavra de segurança, se ela demonstrar o mínimo que seja que não está gostando, é castigada.

No segundo Bela acaba se rebelando por um motivo que até agora não entendi qual foi. Ela olha para um dos príncipes que vai ser levado para uma vila para um punição mais séria e acaba dando um jeito de ir junto. Lá a coisa ainda desce um nível e além de tudo isso que já citei, eles vão servir como escravos trabalhando no que quer que seus donos queiram. E detalhe que esqueci de mencionar, eles precisam andar nus o tempo todo e pela maior parte do tempo de quatro como animais. Até arreios e ferraduras eles tem que usar. E nesse segundo livro a autora conseguiu me chocar porque tem uma cena onde temos Zooerastia. 

No terceiro Bela é sequestrada junto a outros príncipes e princesas e levada para outro reino onde as coisas são bem diferentes. Ainda existem os castigos, as degradações, eles são tratados literalmente como animais, os homens servem como cavalo, e são proibidos de falar e devem se portar como se fossem irracionais, mas a parte sexual achei mais intensa. Bela e os outros escravos já estão tão quebrados que um mínimo gesto de carinho já desperta uma onda de amor e gratidão por seus senhores. E no fim a gente já está um pouco como os personagens, achando tudo aquilo normal. Mas é tudo tão absurdo que nem sei o que deu na cabeça da autora para escrever esses livros.

Porque eu fiquei o tempo todo, não, ela tem algum propósito ao escrever isso, ela vai chegar em algum lugar, vai ter alguma lição disso tudo, mas terminei a trilogia e não consegui ver o objetivo da autora. Eu li algumas resenhas e algumas pessoas acham que ela escreveu como uma forma de protesto, já que os livros foram escritos quase quarenta anos atrás onde algumas feministas considerava que a pornografia violava o direito das mulheres, outros já acham que foi uma critica ao felizes para sempre dos contos de fadas. O certo é que eu terminei e fiquei sem entender. E ainda depois vi que na verdade não é somente uma trilogia, tem mais um livro que se passa vinte anos depois do final do terceiro livro.

Achei a leitura bem cansativa, apesar de ter lido os três livros em menos de uma semana. As cenas são bem descritivas e repetitivas, acho que para enfiar goela abaixo do leitor mesmo. Porque como disse, depois que terminei, nem estava mais incomodada com o que estava lendo apesar do absurdo todo das cenas. E tem um ponto que preciso frisar, li algumas resenhas falando que eles estavam gostando porque sentiam prazer com aquilo, mas infelizmente não temos controle sobre nosso corpo. A dor, o medo, leva a pessoa a ter reações fisiológicas como fazer xixi, tremedeiras, espasmos e com a parte sexual não é diferente, tanto que tem vitimas de estupro que se culpam por chegar ao orgasmo. 

E uma coisa que não me conformo de tudo isso é que a Bela só tem quinze anos e seus próprios pais entregam ela nas mãos do Príncipe sabendo tudo o que ela ia passar porque eles mesmos já tinham passado por aquilo. A justificativa é que eles se tornariam reis e rainhas melhores, mas eu não vejo como aquilo tudo tornaria a pessoa melhor. Mas enfim, é uma leitura que não recomendo, a não ser que queira ler por conta do sexo mesmo. Quanto a edição, a capa é totalmente relevante para o conteúdo, e só não gostei que as folhas são brancas.

Nota:






30 setembro 2020

Resenha | O Jogo do Coringa - Marie Lu

Livro: O Jogo do Coringa
Série: Warcross #2
#1 - Warcross
Gênero: Ficção científica
Autora: Marie Lu
Editora: Fantástica Rocco
Páginas: 304
Ano: 2019

Contêm spoilers do livro anterior nos três primeiros parágrafos. 

Resenha:
Emika Chen é uma hacker que por ter sido pega anteriormente não pode chegar perto de um computador, por isso ela não consegue um emprego onde possa usar suas habilidades. Mas como precisa pagar suas contas ela sobrevive como caçadora de recompensas, capturando procurados pela policia por uma certa quantia em dinheiro. Mas as coisas não estão indo bem ultimamente e Emika está prestes a ser despejada quando toma uma decisão que muda completamente sua vida: ela invade a Cerimonia de Abertura do Campeonato de Warcross para roubar um item valioso e vendê-lo no mercado negro. O problema é que Emika é pega e para sua surpresa o próprio dono da Warcross, Hideo Tanaka, em vez de mandar prendê-la, lhe oferece um emprego.

Hideo quer que Emika trabalhe infiltrada em uma das equipes do campeonato para encontrar um outro hacker que está ameaçando destruir tudo o que ele construiu. Mas nesse meio tempo Emika acaba se envolvendo amorosamente com Hideo e descobre que na verdade o hacker que Hideo quer que ela prenda, o misterioso Zero, quer impedir Hideo de colocar seu plano em prática: controlar todos as pessoas através do seu jogo para impedir que elas cometam crimes. E mais, Zero é ninguém menos que Sasuke, o irmão mais novo de Hideo que desapareceu quando eles eram crianças. Sem saber a verdade Emika acaba ajudando Hideo e agora ele controla quase toda a população mundial. Mas ela ainda tem uma chance de reverter essa situação. 

Faltam oito dias para a Cerimônia de Encerramento do Campeonato, onde as poucas pessoas que ainda não são controladas vão ter suas lentes atualizadas e Hideo passará a ter o controle total da população. Para isso Emika vai contar com a ajuda dos jogadores da Phoenix Riders e um aliado improvável: Zero. Emika é atacada e salva por Jax, que trabalha para os Blackcoats, mesmo grupo do qual Zero faz parte. E eles querem a ajuda de Emika para chegar em Hideo, ganhar a confiança dele e invadir sua mente para derrubar o algoritmo da NeuroLink. Mas Emika estranha a forma fria com que Zero se refere a Hideo e tenta descobrir o que realmente aconteceu no passado que fez os irmãos que se amavam tanto ficarem em lados opostos nesse jogo.

"Quando aceitei a proposta de trabalho de Hideo como caçadora, o maior risco que achei que estivesse assumindo era da minha identidade ser roubada ou talvez ter que enfrentar um hacker dentro do Warcross. Agora, de alguma forma, fiquei enrolada em uma teia de segredos e mentiras, e um passo errado em qualquer direção pode custar minha vida."

Eu amei o primeiro livro dessa série, mas demorei para começar a leitura desse segundo. O motivo foi que li muitas resenhas dizendo que esse segundo livro deixou a desejar e, como estava com as expectativas lá nas alturas, resolvi esperar elas baixarem para começar a ler. E funcionou porque comecei a leitura esperando encontrar apenas um final digno para a maravilhosa história criada pela autora e acabei encontrando muito mais que isso, tanto que devorei o livro em um dia e continuo achando que a Marie Lu não tem o devido reconhecimento que deveria ter. Por isso não poderia deixar de dar nota máxima para o livro, apesar de não ter favoritado como aconteceu com o primeiro por motivos que explico a seguir.

No primeiro livro temos uma história que em sua maioria que se passa em uma realidade virtual, mas especificamente dentro de um jogo, o Warcross. Nele vemos uma garota excepcionalmente inteligente sendo um verdadeiro coringa e movendo as peças de um jogo que ela nem sabia estar jogando. E o motivo de eu não ter favoritado esse segundo livro foi que não consegui ver o mesmo "brilho" em Emika nesse segundo livro. Ela ainda é uma personagem incrível, mas perdeu um pouco de seu protagonismo e não foi a mesma garota do primeiro livro, e confesso que esperava mais dela, ainda mais o título desse livro sendo Wildcard. Mas isso não me impediu de amar o livro e dar nota máxima para ele.

Mas não reclamo muito de Emika ter ficado mais em segundo plano porque Zero e Hideo também são personagens muito interessantes e ver os dois se enfrentando foi como assistir a luta de dois gigantes. Ainda mais que não estava em jogo só a competência e inteligência de cada um, mas tinha muito sentimentos rolando. E confesso que chorei várias vezes e em muitas cenas. E não foram só nas cenas com os irmãos não. Me emocionei com os Phoenix Riders e com a Jax. Acabei virando uma manteiga derretida e me vi torcendo para dar tudo certo no final e todo mundo ser feliz hehe. Porque é assim que termina livro bom hehe.

E nesse segundo livro a história não acontece praticamente dentro do jogo como no primeiro. Ainda temos os personagens conectados o tempo todo, mas foi como se eles parassem de "brincar" e fossem viver as consequências na vida real. E a autora levantou vários debates ao longo dessa trilogia, como a ética na tecnologia e uma que me fez pensar muito que foi a famosa frase "os fins justificam os meios". Desde o final do livro anterior com o que Hideo fez eu me pego pensando nisso. E nesse livro mais ainda. Quando a gente assiste telejornais e vemos a quantidade de crimes absurdos que são cometidos e então surge uma "forma" de isso acabar como Hideo encontrou, é impossível a gente não repensar o assunto.

Agora falando sobre o Hideo. Eu me apaixonei por ele no primeiro livro e não conseguia acreditar no que aconteceu no final e queria a todo custo que houvesse uma forma de mudar aquilo, porque eu precisava que eles ficassem juntos. Olha eu aqui que sempre amo os mocinhos indo para o lado errado da força. Mas enfim, vou parar por aqui porque estou louca para soltar um spoiler. Só me resta indicar o livro para quem curte o gênero. E para quem ainda não conhece a escrita da autora. Leiam, vocês vão se surpreender. Quanto a capa, segue no mesmo padrão da primeira e diferente de Warcross, que seguiram o modelo americano. Ainda bem porque a capa de Wildcard achei bem feia. 

Nota:











23 maio 2020

Resenha | Warcross - Marie Lu


Livro: Warcross
Série: Warcross #1
Gênero: Ficção científica
Autora: Marie Lu
Editora: Fantástica Rocco
Páginas: 320
Ano: 2018

Resenha:
Quando tinha onze anos Emika Chen sentiu a dor de perder o pai. Mas essa dor logo foi substituída pela raiva ao descobrir que seu pai devia uma fortuna por ter frequentado durante anos clandestinamente fóruns de apostas online e por causa disso ele não pode se tratar. Emika foi mandada para um orfanato onde era espancada diariamente, mas ela não sentia mais nada e pouco se importava se estava viva ou não. Até o dia em que foi salva por Hideo Tanaka. Ela ouviu em um rádio relógio a história do garoto que aos treze anos revolucionou a tecnologia ao criar o NeuroLink, um óculos capaz de enganar o cérebro e projetar uma realidade virtual como se fosse tudo real.

E para demonstrar como os óculos eram incríveis, Hideo criou um jogo chamado Warcross que logo virou uma febre. O jogo é uma espécie de capturar a bandeira, onde uma equipe tenta roubar o artefato da outra. Mas o jogo cresceu tanto que hoje em dia Hideo é um jovem bilionário aos vinte e um anos e sua empresa a Henka Games, é a responsável por movimentar a economia do mundo todo. Inspirada por Hideo, Emika aprendeu a programar sozinha e se tornou uma hacker. Mas esse talento fez com que Emika fosse pega e proibida de chegar perto de um computador, o que torna dificil conseguir um emprego de forma legal. Por isso Emika usa seus "dons" como caçadora de recompensa, localizando e capturando criminosos por dinheiro.

O problema é que as coisas estão meio difíceis no momento e ela precisa de uma grana alta urgente para não ser despejada. E Emika vê a oportunidade perfeita durante a transmissão da Cerimônia de abertura do campeonato mundial de Warcross. A unica coisa que ela precisava fazer era roubar um item do jogo e vendê-lo para conseguir quitar todas as suas dívidas. O que Emika não imaginava era que ao colocar o item no seu inventário, ela seria exposta para o mundo todo. Certa de que vai ser presa e processada por Hideo, Emika acaba surpreendida com uma proposta de emprego. Hideo explica a Emika que ela não foi a primeira que conseguiu entrar no jogo e pede que Emika finja ser um dos jogadores do campeonato enquanto descobre a pessoa que conseguiu entrar antes dela.

"Nós não estamos todos conectados há anos, completamente viciados nesse mundo que vai além da realidade? E estamos tão dispostos a abrir mão dele?"

Eu me apaixonei pela autora na Trilogia Legend por isso as expectativas estavam bem altas para a leitura desse livro. Escolhi ele para ser o livro de maio do #DesafioMulheresDaLiteratura que era um livro de Si-Fi ou um Space Opera. E felizmente as minhas expectativas foram alcançadas e superadas. Sentei para ler e quando vi já estava chegando na página 100 de tão boa que é a história, nem vi as páginas passarem. E olha que é de um gênero que eu não gosto de ler. Mas assim como a Marie fez em Legend, eu me vi presa em uma história que se for olhar já temos outras parecidas no mercado, mas ela consegue ser melhor sem colocar nada diferente, só o seu toque pessoal já faz toda a diferença.

É dificil ler Warcross sem comparar com Jogador Nº 1 que amei. Mas enquanto Jogador Nº1 é para leitores mas experientes, Warcross pode ser lido por todos os públicos. Mesmo sendo um livro de ficção cientifica que tecnicamente seria algo mais complicado de ler, é como se a gente lidasse com os termos no nosso dia a dia de tão "fácil" que a Marie consegue deixar o andamento da história. E por um momento até pensei que ia ficar perdida por não ter experiencias com jogos e achei que as partes onde eles disputam o campeonato fossem ser entediantes para um leigo. Mas não é. Pelo contrário a Marie consegue descrever as cenas como se aquilo tudo estivesse acontecendo na nossa frente. É adrenalina pura.

Sem falar que tem todo um mistério que envolve a história que eu não consegui descobrir nada até ter a bomba jogada no meu colo. E agora só quero chorar porque ainda não tenho o segundo livro que fecha a história aqui na minha estante para ler. Mas já comprei e estou esperando chegar hehe. E assim como já aconteceu em Legend, temos um romance de tirar o folego, mas daquela maneira da Marie, tudo de uma maneira bem sutil e que não tira o foco da história. E que história. Fiquei tão empolgada que acho que até vou reler Jovens de Elite porque não sei onde estava com a cabeça quando li ele e não gostei tanto assim. Eu preciso de mais livros dessa mulher.

Quanto aos protagonistas, Emika ganha o leitor de cara. Ela me lembrou um pouco outra personagem que amo, Lisbeth Salander, tanto na aparência como na inteligencia. E como torci por ela. Hideo também me conquistou, já que vemos ele pelos olhos de Emika que desde sempre teve uma atração por ele. E tem os jogadores da equipe que também me ganharam, cada um com suas qualidades e defeitos. Não vou falar muito mais sobre o livro porque não quero correr o risco de soltar algum spoiler. Mas quero indicar para todos, mesmo os que não gostam do gênero. E para finalizar quero dizer que gostei bastante dessa capa, ainda bem que seguiram o mesmo padrão da americana.

Nota:









17 fevereiro 2020

Resenha | Filhos de Sangue e Osso - Tomi Adeyemi


Livro: Filhos de Sangue e Osso
Série: O Legado de Orïsha # 1
Gênero: Fantasia, Jovem Adulto
Autora: Tomi Adeyemi
Editora: Fantástica Rocco
Páginas: 550
Ano: 2018

Resenha:
Muito tempo atrás os deuses sorriram para Orïsha, e alguns escolhidos foram agraciados com magia. O sinal de quem tinha o dom eram os cabelos brancos, e até os 13 anos quando então a magia era despertada, eles eram conhecido como divinais e depois eram chamadas de maji. Eles foram divididos em Clãs e cada um deles possuíam um tipo de dom, alguns podiam controlar os elementos, outros tinham magia de cura ou o poder de ler mentes. Seus dons eram usados para proteger o povo e assim por um tempo reinou a paz em Orïsha. Mas um dia os que estavam no poder começaram a abusar de sua magia e, como punição os deuses retiraram seus dons. Os maji passaram então a serem odiados, e a lutar por sua sobrevivência. Até o dia em que a magia se extinguiu.

Então o rei Saran aproveitando da situação, no dia em que ficou conhecido como a Ofensiva, dizimou os maji e, os divinais que restaram são obrigadas a pagar impostos altíssimos para continuarem vivos. Mas todos são considerados como vermes. E os que não conseguem pagar são levados para as colônias para serem escravos. Zélie Adebola é uma divinal e se a magia ainda existisse ela seria uma maji como sua mãe. Já faz onze anos desde a Ofensiva, mas Zélie ainda lembra a expressão no rosto da sua mãe ao ser enforcada e a dor que ela sentiu aos seis anos, nunca saiu de seu peito. E por enquanto ela vem sobrevivendo, mas os impostos estão cada vez mais altos. E a família de Zélie não está conseguindo pagar. No momento a única alternativa deles é vender o peixe-vela em Lagos.

Então ela parte com seu irmão Tzain para tentar garantir pelo menos mais alguns meses de impostos. É quando a vida de Zélie cruza com a da princesa Amari, que está fugindo do palácio ao ver o pai matar sua criada divinal a sangue frio depois de descobrir que existem alguns artefatos que ainda possuem magia. Amari foge com um desses artefatos, um pergaminho e então passa a ser caçada pelo próprio irmão, o príncipe herdeiro Inan. A contragosto Zélie ajuda Amari e acaba descobrindo que o pergaminho contêm magia, mas apenas uma parte dela e agora eles precisam viajar até Candomblé, o lendário templo, para obter mais informações sobre os artefatos. E eles descobrem que para salvar a magia é preciso realizar um ritual e que Zélie é a escolhida pelos deuses para realizá-lo.

"Quando diminui, vejo a verdade à plena vista, ainda que oculta o tempo todo.
Somos todos filhos de sangue e osso,
Todos instrumentos de vingança e virtude.
Essa verdade me abraça, me embala como uma criança nos braços da mãe."

Eu li esse livro para o #Desafiomulheresdaliteratura promovido pelas meninas do blog Queria Estar Lendo. O livro de fevereiro é um livro de fantasia escrito por uma autora negra. Confesso que não encontrei muitas opções de leitura, até por isso acredito que o desafio é muito pertinente. Porque quem ai pode me indicar um livro de fantasia escrito por uma mulher negra? Emfim, como encontrei o e-book do livro na Amazon por um preço bem camarada, acabei optando por ele ao invés do livro físico. Por isso não posso dar detalhes sobre a edição, mas pelo ebook deu para perceber que ela está muito bem feita. Temos um guia de pronúncia do iorubá e uma nota da autora, que já falo sobre ela. E a capa eu gosto muito.

Eu achei que pelo livro conter mitologia africana que eu não estou acostumada, e por ser de fantasia, a leitura seria mais dificil no começo. Mas não foi assim. Logo no primeiro capitulo já somos inteirados da história e pegos pela autora de uma forma que parece que somos nós vivendo o que está acontecendo no livro. E fazia tempo que não lia um livro com tanta aventura como essa. Fiquei aqui imaginando as cenas como num filme. Teve algumas horas que ao finalizar o capitulo eu estava até cansada hehe. As cenas de ação são maravilhosas e descritas com uma presteza que dá para visualizar perfeitamente tudo o que está acontecendo. E do começo ao fim elas estão presentes, já que além do livro ser uma aventura do começo ao fim, Zélie é meio esquentadinha e sempre está arrumando alguma confusão.

E por esse temperamento Zélie as vezes acaba metendo os pés pela mãos e por várias vezes fiquei com o coração na mão ao ver ela estragando tudo. Mas isso é características de livros protagonizados por pessoas mais jovens. Eles são praticamente adolescentes ainda. Mas para controlar o temperamento da irmã temos Tzain, que passa a metade do tempo tentando consertar as burradas da irmã e consolando ela porque depois que ela se acalma percebe as burradas que fez. E acho que por isso, mesmo o livro sendo narrado por três personagens Zélie é a verdadeira protagonista da história, eu acabei gostando mais de Amari do que de Zélie.

Amari é a princesa que nunca saiu de dentro do castelo e não tem ideia da situação do lado de fora. Mas quando ela enxerga a verdadeira face do seu pai, Amari começa a lutar pelo o que acredita ser o certo e o crescimento dela é visível. Melhor personagem da história e espero grandes feitas dela. Em contrapartida como odiei seu irmão Inan. Eu não me sentia assim com um personagem desde o Cal de A Rainha Vermelha. Inconstante o tempo todo. Não sabia em que acreditava e de que lado ficava e mudava de ideia o tempo inteiro. Por isso não gostei do romance entre ele e Zélie que não merecia alguém como ele. Já Amari e Tzain super shipei.

Agora o mais interessante do livro é a mitologia presente. Eu particularmente não lembro de ter lido nada de mitologia africana em nenhum livro. E a autora soube como utilizar de algo que frequentemente ouvimos como é errado, é do mal, em uma história de tirar o fôlego. Não sei vocês mas eu sou muito fã de filmes no estilo Indiana Jones e o ritmo e as cenas presentes me lembrou bastante as aventuras dele. E não posso deixar de citar a nota da autora no final da história, que serve mais como um desabafo de um povo que passa pelas situações presentes na história todo dia. O livro é uma fantasia, mas também é um grito de socorro de pessoas que são consideradas vermes por suas peles serem escuras. Enfim indico o livro com certeza para quem gosta e para quem quer se aventurar pelo gênero. Mas só se você não tiver medo de ser contaminado pela baixa literatura YA, que é o gênero desse livro.

Nota: 









30 janeiro 2020

#99 | A Estante Aumentou!

Esse mês não chegou tanta coisa como no mês passado. Afinal em novembro teve BF. E também procurei comprar menos livros. E os que comprei ainda foram com vale-presente. E teve os de parceria com a Faro.


Livros físicos que chegaram


Pulso Forte quinto livro da série Big Rock eu já li e resenhei aqui. E Invisível eu estou bastante curiosa porque nunca sei o que esperar dos livros da Tarryn.


Um Amor Conveniente eu já li e logo sai a resenha. A Filha do Conde será uma das minhas próximas leituras. Amei essas capas. 


E esses dois me arrependi de ter comprado por causa da dor de cabeça que passei para receber. Comprei com um vale presente no Submarino e foi enviado para a Direct. Já tive problemas com eles duas vezes antes e aconteceu de novo. Primeiro disseram que o destinatário era desconhecido, sendo que nem vieram até minha casa perguntar se alguém me conhecia. Depois entregaram na casa da vizinha e precisei sair procurando pela rua porque para ajudar o site da Direct só ficava dando erro e eu não conseguia ver quem tinha recebido o pedido. Mas quanto aos livros pelo menos vieram bem embalados e estou bem ansiosa pelas leituras.


Emprestados no Kindle Unlimited


Esse mês li bem menos no KU, mas gostei dos que eu li.




Desapegos


Também desapeguei de menos livros nesse mês. Só doei esses dois.








29 dezembro 2019

#98 | A Estante Aumentou!

Todo mundo sabe que Black Friday acaba com a gente, por isso tem mais livros para mostrar aqui do que nos outros meses. Mas até que não comprei muitos se for comparar com o que vi o povo mostrando no face. E para compensar me desapeguei de vários livros.

Livros físicos que chegaram


De parceria com o Grupo Editorial Record eu recebi esse livro da Sophie que é o nono de uma série, por isso vou demorar para ler ele. E O Amor Não é Obvio está sendo tão falado que vou esperar para ler para não me decepcionar.


Também do GER recebi Uma Surpresa Na Primavera que já resenhei aqui. Dois Reinos Sombrios comprei com um vale presente da Saraiva que ganhei respondendo pesquisa.


Também com vale presente comprei esses dois. O da Lisa estou com altas expectativas e espero não me decepcionar. 


Esses comprei na PromoLivros aqui da minha cidade. Para quem não conhece, a loja vende todos os livros por dez reais. Mas o dificil é encontrar os livros no meio de tantos. Escolhi o da Kristin Hannah porque gosto muito dos livros dela e Eu sou o peregrino porque achei a sinopse interessante.


Esse ano participei de um amigo secreto entre os parceiros da Faro Editorial e esse foi meu presente. Quem me tirou foi a Raffa Fustagno do blog A Menina que Comprava Livros. Eu tirei a Camila do Book Obsession e quem quiser conferir o que dei para ela é só clicar aqui.


Agora vamos as compras da BF. Esses livros nem estavam na minha lista, mas quando vi que os três juntos não dava nem 30 reais e eu tinha um vale presente nesse valor, acabei comprando. O da Kristin Hannah vou ler por indicação da Tamires e os outros é da mesma série do livro que recebi do GER e que mostrei ali acima. 


E esses dois são os novos queridinhos da estante. Mesmo com os descontos da BF, metade do preço praticamente, não paguei barato. Mas pelo tamanho dos livros e por serem ilustrados, o preço é justo. Estou apaixonada por eles, principalmente pelo de Nárnia. 


Emprestados no Kindle Unlimited


Aproveitei a promoção da Black Friday e assinei o KU novamente. Estava 3 meses por 1,99 por mês. Compensou pelo tanto que já li até agora hehe




Desapegos


Esse mês fiquei de férias e aproveitei para fazer uma limpeza nas estantes, por isso me desapeguei de vários livros. Alguns eu nem cheguei a ler, mas como não tenho mais interesse passei para frente.








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