Livro: Dois Mundos
Série: Tesouro da tribo de Dana # 1
Gênero: Distopia, Fantasia, Aventura, Mitologia
Autora: Simone O. Marques
Editora: Butterfly
Páginas: 256
Ano: 2016
Resenha:
Em 2016, quando completou treze anos, Marina descobriu que era o avatar de três deusas celtas, Dana, a grande mãe; Morrigan, a deusa da guerra e da destruição; e Brigite, a deusa da luz, e que existia uma fazenda, a Fazenda Tribo de Dana, na Chapada dos Veadeiros, escondida em um parque nacional onde as pessoas viviam como os antigos povos celtas, sem qualquer tipo de tecnologia. Entre eles viviam druidas, druidesas e os guerreiros de Dana. Quando chegou ao local, Marina foi recebida como uma celebridade, todos a chamavam de deusa, de Dana, de Pequena Dana e fizeram todas as suas vontades. Mas então alguns grupos religiosos começaram a dizer que Marina era o próprio anticristo e começaram a formar grupos para acabar com ela. Foi então que a destruição chegou em forma de três ondas e o apocalipse aconteceu. A primeira onda destruiu todas as armas de fogo, a segunda todos os templos religiosos e a terceira, o mundo todo. Na Fazenda o evento foi chamado de Dia da Aurora.
Quem estava na fazenda foi poupado, mas no resto do mundo a destruição foi quase total, poucos sobreviveram. E muitos ainda morreram de doenças por falta de atendimento médico no período de adaptação após o ocorrido. Foi o caso da mãe de Pedro, que no dia fatídico estava na fazenda, mas que saiu de lá a procura de sua família. Isso aconteceu há cinco anos e aos poucos as pessoas que restaram foram se organizando, chamando os locais de Rede, mas a situação ainda é precária. E Pedro ultimamente vem sentindo que precisa voltar para a fazenda. Os druidas da Tribo haviam-no chamado de "Oráculo" e como está conectado a Marina, ele sente que precisa ir até ela. Para chegar até a fazenda ele precisa pedir um carro para seu tio, que é o comandantes da Rede onde eles vivem e seu tio insiste que seu primo Tiago vá com ele. E no caminho enquanto pensa em uma maneira de despistar Tiago, ele acaba conhecendo Liban, que pertence ao Outro Mundo.

Marina agora está com dezoito anos. E não aguenta mais ser tratada com tanto cuidado. Ela só queria ser como as outras garotas, mas as pessoas não veem a Marina e sim a deusa Dana, por isso ela vem fugindo do treinamento que deveria estar recebendo. Ela tem de tudo, mas se sente presa. Ela não tem um minuto sozinha e onde vai, pelo menos um de seus quatros guardiões está com ela, tanto que ela os apelidou de Sombras. E num ato de rebeldia Marina acaba entrando no Sídhe, o lugar dos mortos e dois de seus Sombras vai com ela, Brian e Artur. Um acidente acontece e eles acabam caindo em uma caverna e Marina tem uma visão onde é avisada que ela abriu o véu que separa o mundo dos mortais do Outro Mundo. E ao abrir o véu, Marina acaba libertando antigas divindades, e agora para salvar seu povo, ela tem que encontrar os Tesouros da Tribo de Dana. O destino da humanidade está em suas mãos.
"Desesperada, Marina viu sua mãe, suas irmãs, seus tios, seus avós. Todos mortos. Sem conseguir suportar a dor, caiu de joelhos e as lágrimas desceram pelo seu rosto enquanto soluçava sentindo um vazio insuportável, que jamais sentira antes.
— Isso pode ser evitado. Encontre os tesouros de sua tribo e cumpra seu papel — a voz aveludada sumiu e a água envolveu Marina, sufocando-a."
Eu já conhecia a escrita da autora. Faz alguns anos que eu li Agridoce e gostei bastante do que eu li na época. Mas como esse livro era de um gênero bem diferente, não sabia o que esperar. Amo qualquer história que tenha mitologia e ainda aliado a essa edição maravilhosa, as expectativas eram grandes. E gostei do que li apesar de ter achado a história bem mais juvenil do que eu esperava. Mas em parte foi bom, porque me lembrei das histórias da Série Vagalume, o livro tem aquela mesma pegada. Os capítulos são curtos o que deixa a história bem ágil e quando a gente percebe já terminou, e fiquei querendo a continuação. A autora soube mesclar uma história futurista, com as crenças antigas muito bem e ainda acontece aqui no Brasil, que é um ponto super positivo.

Já os protagonistas, deixaram um pouco a desejar. A Marina está com dezoito anos, mas se comporta como se tivesse treze, quatorze, e os meninos são mais velhos que ela, mas também tem um comportamento abaixo da idade. Isso me irritou um pouco. E a Marina também me deu nos nervos boa parte da história. Cheguei a lembrar da Eadlyn, de A Herdeira. O comportamento delas era muito parecido. Mas aí temos que levar em conta que ela foi criada sendo tratada como uma deusa. Mas depois que ela percebe a enrascada que se meteu, ela deixa o comportamento mimado um pouco de lado. E outra coisa que não gostei muito, foi que a autora quis inserir um bendito triângulo amoroso entre a Marina e seus Sombras, que com certeza vai ficar mais forte nos próximos volumes.
Mas em contrapartida temos Pedro, um personagem muito interessante. A história se divide entre o que está acontecendo com a Marina e o que está acontecendo com Pedro e acho que ele tem muito à oferecer para a história. E uma coisa que amei foi a parte mitológica. A autora soube inserir isso muito bem na história e despertou tanto minha curiosidade, que até fui pesquisar mais sobre o assunto. Quanto a edição eu já sabia que a Butterfly era incrível, mas ainda assim me surpreendi com o capricho do livro. Está perfeito. É daqueles livros que a gente para de ler para admirar a edição. Tirei algumas fotos, mas nem de longe dá para mostrar o quanto ele é lindo. Enfim indico o livro pra quem gosta do gênero e para quem ama ter edições maravilhosas na estante.
Nota: