Livro: Vozes do Joelma
Série: Não
Gênero: Terror
Autores: Marcos DeBrito, Rodrigo de Oliveira, Marcus Barcelos e Victor Bonini
Editora: Faro Editorial
Páginas: 288
Ano: 2019
Resenha:
Eu confesso que até ouvir os rumores sobre esse livro escrito por alguns de meus autores favoritos juntos que a Faro ia publicar, eu não sabia sobre o incêndio no edifício Joelma. Para os desinformados como eu, em 1974 um curto-circuito em um aparelho de ar condicionado no 12° andar do Edifício Joelma deu início a um incêndio, que rapidamente se espalhou e em quinze minutos já era impossível sair do prédio em chamas. Foram quase 200 mortos e mais de 300 feridos. As pessoas desesperadas começaram a pular do prédio sem nenhuma proteção, porque a escada dos bombeiros não alcançava o prédio todo. E até hoje ele é considerado o terceiro pior incêndio em arranha-céu por número de vítimas fatais.
Antes de pegar o livro em mãos eu achei que ele seria uma espécie de releitura do ocorrido, mas conhecendo os autores que participaram do projeto eu já poderia imaginar que algo diferente vinha por ai. São quatro histórias que se relacionam entre si por causa da tragédia, mas ai em cada história cada autor deu seu toque especial e por isso temos quatro histórias ligadas entre si, mas completamente diferentes uma da outra, cada uma com seu tom, mas todas viajando pelo sobrenatural. O que me surpreendeu no caso do Victor Bonini, que até então eu só tinha visto ele sendo pé no chão em suas histórias.
Sempre que acontece alguma tragédia com mortes em algum lugar, as pessoas já tem o hábito de dizer que aquele lugar ficou mal-assombrado, ou amaldiçoado. E uma com essas proporções então, imagine o tanto de rumores e histórias que o acidente já gerou. Eu fui pesquisar e vi muita coisa, algumas de arrepiar. Uma das lendas que cercam o local diz que o terreno do Joelma serviu como palco de execução para escravos indisciplinados que trabalhavam na região entre os séculos XVIII e XIX. Negros teriam sido torturados até a morte, gerando a primeira série de mortes no local. E foi mais dessas "histórias" que os autores trouxeram nesse livro.

São quatro histórias intercaladas por uma outra, um narrador que não sabemos quem é liga as histórias entre si e já fiquei com medo logo ai. Esse narrador que a meu entender é alguma espécie de demônio, fala um pouco sobre mortes e maldades em geral e sobre as ações do ser humano. Essas partes que no livro estão destacadas com folhas pretas, foram escritas pelo Tiago Toy, que eu ainda não conhecia, mas fiquei bastante curiosa para ler algo dele depois disso.
A primeira história Os Mortos Não Perdoam foi escrita por Marcos DeBrito, ela se passa em 1948, quase 30 anos antes do incêndio e vamos conhecer a história de Pablo Ferreira de Camargo que matou sua mãe e suas irmãs e tentou esconder os corpos em um poço. O problema é que elas não ficaram "mortas" por muito tempo. O conto tem 46 páginas, por isso não vou falar muito sobre ele, sobre nenhum dos quatro na verdade, que o interessante é o leitor ir sentindo as emoções conforme vai lendo. Eu confesso que esperava mais do autor, dos quatro contos esse foi o mais fraco, mas ainda assim ele é excelente.
Na segunda história Nos Deixem Queimar, temos o autor Rodrigo de Oliveira dando sua versão para o ocorrido no fatídico dia. Segundo ele o incêndio não aconteceu por um curto-circuito e sim foi responsabilidade de sua personagem principal, a Samara. Em também 46 páginas vemos uma história genial onde o leitor é levado a duvidar do que está lendo. É a história com mais ação e desespero porque é onde temos a visão dos momentos em que aconteceu o incêndio. Foi meu segundo conto favorito, e só por um detalhe que já explico, mas sou suspeita para falar porque adoro tudo o que o Rodrigo escreve.

Já a terceira história Os Treze, escrita por Marcus Barcelos, curiosamente o autor que eu menos esperava, foi a história que eu mais gostei. Ela é a que mais dá medo e confesso fiquei com os pelos dos braços arrepiados durante a leitura. Mas tem um porém, o autor deu um final feliz para a história que tem 60 páginas e como sou a louca dos finais felizes acabei gostando mais dessa do que das outras. A história acontece durante e depois do incêndio e se passa em um cemitério para onde alguns dos corpos do incêndio foram levados, em especial Treze corpos que foram encontrados em um elevador completamente torrados.
E por fim a ultima história O Homem Na Escada escrita por Victor Bonini que conta com 87 páginas e é o maior dos quatro contos. A história acontece supostamente anos depois quando o edifico abandonado é ocupado por moradores de rua. Também fiquei desesperada durante a leitura porque assim como as outras ela conta com aquele misto de sobrenatural, mas ao mesmo tempo dá a entender que aquilo tudo só está acontecendo na cabeça da pessoa que está contando a história. Então fica aquela dúvida. Aconteceu mesmo aquilo que estou lendo ou a pessoa está louca, existem fantasmas ou não existe.
Eu indico o livro é claro para todos que adoram histórias com esse clima de terror onde paira a dúvida se aquilo está acontecendo mesmo ou não. E as histórias contadas pelos autores, são reais ou não? Leia e tire a sua conclusão. E antes de terminar tenho que elogiar novamente o trabalho impecável da editora com a edição do livro. Eu sempre fico aqui babando o ovo da editora não porque sou parceira deles, já que se vocês lerem resenhas de antes da parceria, vão ver que sempre elogiei o ótimo trabalho que a editora faz com suas publicações. Mas nesse livro eles se superaram. Está tão perfeito que dá gosto de ler o livro. E a capa então que tem um efeito de fogo, que infelizmente não dá para mostrar nas fotos.
Nota: